quinta-feira, 29 de agosto de 2013

E os militares, Pedro Santana Lopes?

Admiro Pedro Santana Lopes, mas acho infelizes as suas declarações a propósito do despedimento de funcionários públicos. Segundo nos é noticiado, Pedro Santana Lopes disse «considero mais justo reduzir nos efectivos do Estado, com os devidos acordos com cada pessoa, do que reduzir nas prestações sociais, nomeadamente em relação àqueles que mais precisam e menos têm».

Acho estas declarações infelizes porque são demasiado redutoras e demagógicas, querendo fazer crer que se o Estado não garantir prestações sociais se deverá ao facto de ter funcionários nos seus quadros, sem mais nenhum tipo de despesa, quando não é verdade. Eu pergunto a Pedro Santana Lopes: para quando se deixam os funcionários públicos em paz e se apontam baterias aos militares? Sim, os que não têm promoções congeladas e ainda há pouco mais de um mês se aproveitaram disso mesmo? Sim, aqueles que têm um sistema de saúde com condições mais favoráveis que a ADSE, que têm apoios sociais e benefícios em bancos e outras entidades, que têm instalações hospitalares próprias, que têm o vencimento principesco que todos conhecemos - chegar a Coronel qualquer um chega - e os horários de trabalho e as funções que todos nós conhecemos!

Quando começam a cortar nestes?

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

É possível intervir na Síria sem necessidade de consenso no Conselho de Segurança? - II

Enviei, por duas vezes, este artigo para todos os órgãos de comunicação social e agências noticiosas do País. Não havia nenhum conteúdo escrito em português que dissesse o que aqui digo. Infelizmente, porque estamos num País onde só se tem acesso a determinados meios se se conhecer alguém ou se se tiver uma determinada posição, não interessando muito se se diz algo diferente das correntes dominantes e do típico copy-paste que vem sabe-se lá de onde, ninguém demonstrou interesse. Compreendo. É mais fácil continuar a replicar e difundir sem recortar.

Para quem tiver interesse, aqui fica o artigo que enviei. Insisto: nas duas vezes que enviei, não havia nada escrito em português neste sentido. E mesmo noutras línguas, só me lembro de uma fonte que o fez e de forma muito ligeira. Agora, já se começa a ouvir parte da tese que aqui defendo. É o que temos.


«O chefe da diplomacia britânica, William Hague, tem estado muito activo na defesa de uma intervenção robusta na Síria. Numa das suas mais recentes intervenções, Hague disse à BBC que «é possível responder ao uso de armas químicas sem haver unanimidade de votos no Conselho de Segurança da ONU». Por outro lado, o homólogo russo, Sergue Lavrov, alega violação do Direito Internacional se a pretensão britânica se verificar.

Uma vez que estamos em matéria do capítulo VII da Carta da Organização das Nações Unidas, uma intervenção armada na Síria exigirá, por regra, o voto favorável de 9 dos 15 Membros do Conselho de Segurança, incluindo o voto favorável dos 5 Membros-Permanentes (P5) – ou, pelo menos, o seu não voto contra –, ao abrigo do art. 27.º, n.º 3 da Carta.

No entanto, um dos maiores precedentes da história contemporânea, nesta matéria, foi protagonizado pela NATO na crise do Kosovo, tendo a ameaça e concretização do uso da força contra a República Federal da Jugoslávia ocorrido em violação da Carta das Nações Unidas, uma vez que os países que integram aquela entidade agiram sem qualquer autorização do Conselho de Segurança e nem sequer a sua acção poder ser enquadrada no conceito da legítima defesa, ao abrigo do art. 51.º da Carta.

Todavia, não deixa de ser interessante o entendimento da doutrina jusinternacionalista dominante nesta matéria. Neste sentido, Bruno Simma entende que a NATO tudo fez para actuar, o mais possível, de acordo com a legalidade, verificando-se uma linha divisória estreita entre o Direito Internacional e a actuação da NATO: embora em violação do Direito Internacional, a organização procurou dar cumprimento às resoluções do Conselho de Segurança e justificou a sua intervenção como tratando-se de uma medida urgente destinada a evitar a verificação de uma catástrofe humanitária no Kosovo.

Simultaneamente, Antonio Cassese defendeu que, embora violador do Direito Internacional, o comportamento da NATO será justificável do ponto de vista ético e, uma vez preenchidos determinados requisitos, uma norma costumeira poderá emergir e legitimar o uso da força por um grupo de Estados, sem ser necessária a autorização prévia do Conselho de Segurança, pois que «os direitos humanos da actualidade não são um exclusivo de nenhum Estado em particular, antes de toda a comunidade mundial, não podendo a sua violação permanecer impune».

Não obstante este entendimento da doutrina, que legitima o desprezo pelo último garante da legalidade criada com o objectivo de evitar comportamentos discricionários e arbitrários abusivos, os dois autores seguem no sentido de comportamentos como o da NATO no Kosovo deverem constituir uma excepção e apenas uma arma de último recurso que não ofereça dúvidas quanto à sua legitimidade. O problema de uma intervenção na Síria, neste exacto momento – e quando se insiste em responsabilizar o regime de Bashar Al-Assad por comportamentos que poderão muito bem ser futuramente imputados aos rebeldes ou a terceiros –, está longe de reunir consenso em torno da sua urgência e necessidade. Ainda assim, o precedente foi criado e William Hague agarra-se a ele com unhas e dentes.»

Autárquicas 2013: Ser ou não ser... mais do mesmo

É impressão minha ou, ao longo das últimas semanas, o País foi invadido por uma campanha de português de 3.º ano do ensino primário? Questiono-me se temos uma campanha autárquica em curso ou se temos uma campanha contra ou a favor do acordo ortográfico - ainda não percebi qual deles -, na qual os candidatos ao poder local procuram ensinar aos munícipes a conjugação correcta do verbo Ser. Gostam particularmente de conjugar o verbo Ser na primeira pessoa do plural. Um ou outro lá acrescente o substantivo masculino plural que designa uma universalidade (todos). No entanto, candidatos de Norte a Sul do País, arquipélagos incluídos, parecem não saber outra coisa a não ser conjugar o verbo Ser na primeira pessoa do plural, senão vejamos:

Em Oeiras...

... em Águeda...

... em Almada...

... em Bragança...

... em Torres Vedras...

... em Anadia...

... em Cascais...

... no Funchal...

... em Barcelos (eles podem esconder, mas são PSD)...

... em Lagos...

... na Figueira da Foz...

... ou em Leiria.


Podemos ainda constatar que nem as listas independentes evitam o recurso ao verbo Ser como forma de preencher um espaço num cartaz, por exemplo:
Em Fafe...

... e em Cascais.

Será de mim, ou tudo isto é mais do mesmo e apenas (mais) uma demonstração do vazio de ideias que domina os políticos (e os aspirantes a políticos) do nosso País? Pior, fica a sensação que a criatividade política para slogans parou na década de 1960 com o famoso Ich bin ein Berliner, de John F. Kennedy. A limitação de quem faz política é tanta que ninguém ousa fazer melhor que esta frase redutora e ultrapassada.

Caros candidatos: mais propostas, mais compromissos, mais ideias e menos retórica!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Ofensiva iminente contra a Síria

Quando...

... os EUA, liderados por um Prémio Nobel da Paz, afirmam que Bashar Al-Assad usou armas químicas e que isto é «inegável» e «indesculpável»,



... o chefe da diplomacia britânica, William Hague, assume a hipótese de atacar a Síria sem necessidade de obter consenso no Conselho de Segurança da ONU,

... David Cameron apela a que haja uma resposta da Comunidade Internacional,

... se Bashar Al-Assad recusa investigações da ONU, é porque tem algo a esconder, mas quando as permite tal autorização é desacreditada, dizendo-se que «é demasiado tarde porque as provas podem ter sido destruídas»,

... fragatas da Marinha norte-americana posicionam-se de forma a poderem dirigir ataques à Síria,

... altas patentes militares de EUA, Reino Unido, França, Itália, Canadá, Qatar, Turquia e Arábia Saudita reuniram-se na Jordânia, no passado domingo,

... e uma «decisão» sobre a Síria deverá ser tomada nos próximos dias...

... restam muito poucas dúvidas de que a ofensiva está preparada para breve. Uma ofensiva sustentada em motivações meramente geopolíticas e falsas, esperando-se - no sentido de fé e não tanto de certeza - que a Rússia e outros parceiros da Síria, incluindo o Irão, façam justiça por linhas tortas.

Se Portugal apoiar uma iniciativa militar na Síria, talvez seja o suficiente para ajudar a aliviar a má imagem que Rui Machete tem junto dos EUA, mas pouco mais do que isso. Esta campanha contra o regime de Bashar Al-assad apenas serve para levar ao poder entidades extremistas que decapitam e atacam localidades com cristãos ao mesmo tempo que juram fidelidade à Al-Qaeda e não só não garantirão a transição para da Síria para a democracia como ainda são passíveis de agravar a instabilidade regional.

Os Deputados do PS sabem de algo que mais ninguém sabe?


Até aqui, tudo bem. A pergunta é pertinente e justifica-se até para saber de que lado da barricada estamos. O problema é que na pergunta os Deputados subscritores dizem «particularmente depois da utilização de armas químicas em larga escala, no sentido de condenar e de contribuir para que as atrocidades que o povo sírio está a viver tenham um fim» e acrescentam «utilização de armas químicas em larga escala na Síria, que terão feito mais de 1.300 vítimas mortais», «país que já há várias décadas tem programas de produção e armazenamento deste tipo de armas de destruição» e «a linha vermelha desta guerra hedionda (...) já há muito foi ultrapassada, mas agora foi para além de tudo aquilo que se podia imaginar».

Perante todas estas afirmações, constatações e tamanhas conclusões e acusações, atrevo-me a perguntar se os Deputados subscritores do documento sabem de alguma coisa que mais ninguém sabe... incluindo os inspectores da ONU. Se sabem, partilhem, mas não tirem ilacções de notícias que não foram recortadas, são contraditórias e cuja verosimilhança e fiabilidade são praticamente nulas! Antes de se porem nos bicos dos pés, ponham os assessores a procurar informação honesta que revele que quem anda aqui a perpetrar uma campanha contra o regime de Bashar Al-Assad são os EUA, o Reino Unido e a França.

«Curtas» sobre democracia e direitos fundamentais na terra do Tio Sam

O primeiro exemplo de como os EUA são a terra da liberdade vem de Guantanamo, onde Shaker Aamer, um cidadão britânico que se encontra ali detido desde 2002 e deveria ter sido restituído à liberdade em 2007, viu ser-lhe rejeitado o acesso à obra Arquipélago de Gulag, de Aleksandr Solzhenitsyn, exercendo a administração do estabelecimento prisional do poder de proibir qualquer livro ou publicação que entendam ser «impróprio». Como diz o advogado de Aamer, «quando o Governo do vosso País começa a proibir livros antes proibidos pelo regime soviético», algo de grave se passa.

O segundo exemplo é-nos trazido pela ABC News, que revela que um grupo composto por veteranos peritos em assuntos de segurança e antigos funcionários da Casa Branca foram seleccionados para realizar uma reforma profunda aos programas norte-americanos de vigilância e a programas secretos do Governo (NSA e companhia). O elemento que mais se destaca entre estes peritos é Cass Robert Sunstein, constitucionalista e ex-Administrador do Departamento de Informação e Assuntos de Regulação da Casa Branca durante a administração Obama e autor de algumas obras e estudos curiosos como «Conspiracy Theories», de 2008, onde o autor defende que o Governo destaque equipas com agentes encobertos e personalidades independentes para «"infiltrar cognitivamente" grupos online, salas de conversação e sítios de internet onde se professem falsas teorias da conspiração» sobre o Governo. Esta medida teria como missão aumentar a confiança dos cidadãos nos membros do Governo e afectar a credibilidade dos conspiradores. Propõe ainda que o Governo faça pagamentos secretos a «vozes credíveis independentes» - credíveis e independentes dependentes de pagamentos? certamente há aqui um paradoxo insanável - para passarem a mensagem do Governo - concede, porém, excepções, como «conspirações que demonstraram ser verdade (...) como a visita de extra-terrestres a Roswell, em 1947».

A denúncia já havia sido feita e comentada pelo advogado e constitucionalista Glenn Greenwald, em Janeiro de 2010, mas a recente selecção de Sunstein para integrar o programa da NSA só demonstra o perigo que correm os direitos fundamentais na sociedade actual.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

É possível intervir na Síria sem necessidade de consenso no Conselho de Segurança?

O Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) britânico, William Hague, tem estado muito activo na defesa de uma intervenção robusta na Síria. Numa das suas mais recentes intervenções, Hague disse à BBC que «é possível responder ao [alegado] uso de armas químicas sem haver unanimidade de votos no Conselho de Segurança da ONU (...) caso não haja maneira de responder a crimes tão revoltantes».

Uma vez que estamos em matéria do capítulo VII da Carta da Organização das Nações Unidas, uma intervenção armada na Síria exigirá o voto favorável de 9 dos 15 Membros do Conselho de Segurança, incluindo os dos 5 Membros-Permanentes, ao abrigo do art. 27.º, n.º 3 da Carta. Ora, se assim é, como pode William Hague dizer que pode haver resposta mesmo sem unanimidade?

Recordo o que já referi em «A Resistência dos Estados Africanos à Jurisdição do Tribunal Penal Internacional», em particular o papel da NATO na crise do Kosovo e a forma como actuou tentando legitimar a intervenção com base em resoluções do Conselho de Segurança e na necessidade de impedir outras catástrofes humanitárias no ora reconhecido como país, agindo à margem da Carta das Nações Unidas. É possível aceder a uma versão mais detalhada do sucedido em BRUNO SIMMA, «NATO, the UN and the Use of Force: Legal Aspects», European Journal of International Law – Vol. 10 – n.º 1, 1999, pp. 1-22

Paralelamente, e neste mesmo sentido, Antonio Cassese defendeu que, uma vez preenchidos determinados requisitos, uma norma costumeira poderá emergir e legitimar o uso da força por um grupo de Estados, sem ser necessária a autorização prévia do Conselho de Segurança - o que poderá abrir caminho a uma maior arbitrariedade, anarquização e vigência de um estado selvagem nas relações entre os Estados uma vez que prevalecerá a «lei do mais forte». É possível encontrar a posição de Cassese no seu artigo intitulado «Ex iniuria ius oritur: Are We Moving towards International Legitimation of Forcible Humanitarian Countermeasures in the World Community?», European Journal of International Law – Vol. 10 – n.º 1, 1999, pp. 23-30.

Embora eu defenda que a retórica em torno da Síria e a alegada utilização de armas químicas apenas visam legitimar uma intervenção armada que afaste Bashar Al-Assad do poder, certo é que a doutrina envereda por caminhos muito perigosos quando defende intervenções em casos que não oferecem a mínima segurança quanto à sua interpretação.

Menos desempregados ou menos trabalhadores?

É curioso saber que tão poucos meios de comunicação social difundiram a notícia de que, em Junho de 2013, Portugal apresentava o menor número de pessoas a fazerem descontos para a segurança social e cada vez mais pensionistas.

Ora, além de facilmente concluirmos que há cada vez mais pessoas a receber e cada vez menos a contribuir, também podemos questionar como podemos falar em queda do desemprego quando temos cada vez menos pessoas a fazerem descontos. Provavelmente o método de cálculo da taxa de desemprego desconsidera factores importantes e reflecte uma realidade mais virtual do que real.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Mais excepções à regra nas campanhas autárquicas do CDS

Parece que Vale de Cambra não é a única excepção à regra na aposta em cartazes de rua. Outra excepção é a candidatura de Luís Marinho a Torres Vedras:


Embora se diga na página desta candidatura que este é o único outdoor, certo é que não deixa de ser um cartaz e que tem custos associados. No entanto, exemplo mais gritante é o da candidatura de Paulo Freitas do Amaral a Oeiras. Cartazes como o que mostramos infra - ao lado do do tão criticado Paulo Vistas - estão espalhados pelo concelho:



Palavras para quê?

A abordagem do Bloco de Esquerda Almada à propaganda de rua

Com todo o respeito pelas opções que cada um toma e pelos argumentos que terá para decidir sobre a estratégia dos partidos face às autárquicas, não consigo compreender a abordagem do Bloco de Esquerda Almada à propaganda de rua, mais concretamente aos cartazes/outdoors que tem espalhados pela cidade.

Em resumo, temos eleições dentro de pouco mais de 1 mês, a generalidade dos munícipes sabe que existe um partido com o nome de Bloco de Esquerda (BE) e que tem representatividade em Almada, mas poucos sabem quem são os candidatos e o que propõem para o concelho. Uma vez que é praticamente impossível contactar directamente com as 174.030 pessoas que residem no município e os cartazes podem ajudar a dar a conhecer as pessoas e as propostas do Partido, o BE Almada apresenta os candidatos num outdoor já aqui comentado mas em formato MUPI, da seguinte maneira:


O mais curioso no meio disto é que muitos destes MUPI estão à saída ou no meio de rotundas e virados para a estrada, ou seja, os peões não conseguem visualizá-los e os automobilistas, os únicos que o podem fazer, passam por eles em áreas onde são forçados a circular com mais velocidade (a saída das rotundas). Com alguma reflexão, seria possível constatar que os MUPI poderiam ser úteis junto a semáforos, à entrada de rotundas ou em locais onde quem circule a pé seja praticamente obrigado a olhar para eles. Infelizmente, não é isso que se passa em Almada.

Contudo, mais estranho ainda é saber que o BE Almada dedica MUPI para apresentar os candidatos e reserva os cartazes gigantes para dizer isto aos munícipes:


Este é o outdoor que está na rotunda do Centro Sul, em Almada. Olhando para aqui, nota-se que a abordagem do BE Almada à propaganda de rua ou é uma questão de falta de consciência ou então é uma questão de fé juntamente com vergonha. Ora, começando pelo fim, o BE Almada deve ter vergonha nos seus candidatos para apresentá-los em formato XS e dedicar um XXL - este cartaz - para fazer um dos piores cartazes de autárquicas que vi desde há muito tempo. A escolha não é infeliz, é péssima. Mal por mal, ao menos que dedique estes outdoors de grandes dimensões à apresentação dos candidatos. Não. O BE Almada deposita toda a sua fé (e quase todos os fundos) num cartaz que diz «Mais Esquerda na resposta à crise», com uma seta muito mal desenrascada e, em letras quase microscópicas escreve «autárquicas 2013», porque tinha de ser e, assim, quem tomou a decisão inacreditável de dar espaço a este cartaz já poder dormir descansado por acreditar que fez um trabalho brilhante. O trabalho é péssimo e chamar a isto um cartaz de autárquicas é mais do que um eufemismo.

Este cartaz de autárquicas tem pouco além da inscrição que já referi, não dedica 1 cm que seja a Almada, não apresenta um único meio de contacto, é totalmente dedicado a temas de política nacional - e mesmo assim de forma vaga e vulgar - e consegue ser extremamente básico na sua concepção e desinteressante. Em suma, esta é uma aposta de fé do BE Almada, porque dá-se ao luxo de não apresentar candidatos e nem uma proposta que o valha e esperar que as pessoas votem no Partido apenas se souberem ler «autárquicas 2013» - ah! já percebi! afinal isto é para Almada - e por acharem que votar na esquerda, apenas porque sim, será bom para elas! É preciso ter mesmo muita fé para acreditar que tudo isto vai acontecer desta maneira!

Por isso, não me resta outra conclusão que não a de presumir que quem toma decisões sobre a propaganda autárquica em Almada não fez uma avaliação dos riscos e do potencial que essa escolha poderia ter. Pior, podia ter aproveitado para marcar a diferença face às restantes candidaturas e inserir 3 ou 4 propostas-chave no outdoor para que todos possam conhecer o que o BE Almada propõe para o município. É para isto que servem os cartazes: para dar a conhecer uma (ou mais) ideia(s), para chegar ao destinatário e pô-lo a reflectir sobre o que vê e não para poluir visualmente o espaço disponível com um vazio.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O outdoor do PCTP/MRPP em Almada (Domingos Bulhão)


Este é o cartaz que, depois de ter sido publicado na página de Facebook do Partido, foi muito recentemente afixado no espaço que o PCTP/MRPP tem em Almada, mais concretamente na rotunda do Centro Sul, e que dá a conhecer aos munícipes o candidato à Câmara Municipal de Almada do Partido, Domingos Bulhão.

Pontos fortes:
  • A localização do cartaz. Na rotunda do Centro Sul, o melhor ponto de publicação de anúncios/propaganda é o espaço onde está o outdoor do MRPP. Começa a ver-se logo ao longe e até o do PS, que está do lado esquerdo, fica coberto pela «obra-de-arte» no centro da rotunda.
  • É um cartaz completamente original - não há nenhum que siga este conceito de imagem de fundo com um contorno exterior - e fiel à identidade do Partido. Desde logo o estilo - a recordar a propaganda de outros tempos em que a propaganda se fazia desta maneira com muito sucesso - como a cor predominante (o vermelho) e até a imagem a dar destaque à Lisnave - afinal, os trabalhadores são o nicho de mercado definido pelo MRPP e será difícil representar melhor os trabalhadores em Almada do que remeter para os tempos áureos da indústria naval no concelho e um dos grandes símbolos do município.
  • O lema «dar voz aos almadenses» acaba por ser bem conjugado com a imagem escolhida para representar Almada, transmitindo a mensagem que o candidato do PCTP/MRPP pretende dar voz a uma Almada que parece esquecida e abandonada.
  • A imagem do candidato, que ocupa um espaço assinalável no cartaz: fato e gravata de cores simples como que querendo transmitir um profissionalismo qualificado, afastando o estereótipo do operário de fato macaco ou blusa aberta no qual as muitos ainda olham com desdém.
  • O bigode farto também ajuda a olhar para o candidato como sendo um homem do povo e não o típico tecnocrata cinzentão mandatado pelos partidos para cumprir os seus interesses.
  • O nome bem destacado do candidato, assinalando-se o facto de o apelido poder remeter um homem da terra, Bulhão Pato.


Pontos fracos:
  • A ausência do cargo a que se candidata Domingos Bulhão. Depreende-se que seja à Câmara Municipal, mas não se tem a certeza disso. E o facto de se ler «eleições autárquicas 2013» não é suficiente para se chegar a essa conclusão.
  • Considerando-se que é provável que o PCTP/MRPP mantenha este outdoor até às eleições, lamenta-se a ausência de uma proposta eleitoral que seja para a cidade. Só o lema e o nome do candidato não são suficientes.
  • A ausência de outro meio de contacto directo com a candidatura além da página geral do Partido - e sabe-se que o MRPP Almada tem página de Facebook.
  • A confusão passível de ser gerada com o logótipo do Partido, que está já numa dimensão considerável, mas talvez fosse boa ideia estar ainda maior para se poderem ler bem as siglas do Partido, uma vez que a foice e o martelo poderão voltar a induzir em erro eleitores com pretensões de votar PCTP/MRPP ou de votar na CDU - e daí que o facto de se ver melhor a foice e o martelo talvez seja uma vantagem para o MRPP.
  • O facto de o cartaz ser fiel à identidade do Partido constitui um factor positivo para quem se identificar com este estilo, mas acaba por ser um estilo ultrapassado e que permite dar razão aos estereótipos que associam o Partido a um passado revolucionário já bastante distante da realidade. Almada já não tem uma população tão envelhecida como tinha noutros tempos e, com este estilo, torna-se difícil cativar as gerações abaixo dos 40 anos de idade.
  • Não apresenta mais nenhum candidato a nenhum órgão, o que poderia ser vantajoso para a candidatura se surgisse, por exemplo, alguém mais jovem e, eventualmente, do sexo feminino.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Excepções à regra nas campanhas autárquicas do CDS


Ora, sucede que o CDS vai apresentar-se em coligação com outros partidos em dezenas de municípios do País e importa colocar uma pergunta legítima: o CDS financia, com maior ou menor participação, esses cartazes afixados com o nome e, em alguns casos, com o rosto dos candidatos do Partido? Nova pergunta: será honesto pedir que todos se contenham nos custos e depois concorrer com partidos que ignoram o comando?

Finalmente, importa dar conta do caso da candidatura do CDS a Vale de Cambra. É a própria candidatura que publicita o seguinte outdoor de campanha:


Afinal, quantas orientações existem para a estratégia autárquica do CDS? Quantas excepções à regra existem? Quantas candidaturas ficam privadas de fundos para depois assistirmos a outras que têm condições para promover as suas candidaturas?

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A internet nas autárquicas em Almada

De acordo com os resultados dos últimos censos, Almada tem uma taxa de analfabetismo de 3,27% e 39,36% dos munícipes têm um nível de formação correspondente ao ensino secundário ou superior - sendo que o grau de formação académica pouco ou nenhum impacto tem no contacto entre as pessoas e as tecnologias pois, no quadro actual, qualquer pessoa que saiba ler e escrever e tem acesso a um telemóvel ou a um computador consegue aceder à internet. Paralelamente, recordemos que 95.055 dos munícipes (54,62%) têm idades compreendidas entre os 25 e os 64 anos - e não podemos ignorar os 17.667 com idades entre os 15 e os 24 anos, muitos dos quais já com capacidade eleitoral activa e passiva, apesar de 20,53% da população residente em Almada ter idade superior a 65 anos. E apenas 0,59% da população activa trabalha no sector primário.

Ora, sucede que todos estes números demonstram que não há motivos para concluir que as tecnologias não têm importância. Têm e provavelmente vão ter cada vez mais. No entanto, importa olhar para a internet com muitas reservas. As redes sociais são exemplo disso. Como é possível ter um número tão elevado de pessoas com potencial de acesso à internet e os partidos políticos terem tão poucos seguidores nas redes sociais? O acesso à internet, em geral, também merece alguma reflexão. Como se explica que num município com 174.030 munícipes, todos os sítios municipais tenham registado 390.000 visitantes? A resposta a estas perguntas talvez seja «porque a maioria dos munícipes não utiliza a internet para fins de carácter político», apesar de as taxas de abstenção serem inferiores ao número de pessoas que dedicam a internet a conteúdos não políticos.

No entanto, porque os partidos políticos devem ter alguma cautela com a abordagem activa na internet, no sentido de irem directamente ao encontro de potenciais votantes, tornando-se dependentes da iniciativa de quem os pretende visitar, importa ter meios suficientes para que, quando tal suceder, as pessoas possam identificar-se com o que vêem e sentir vontade de regressar ou, porque não, difundir para terceiros os espaços que visitam. Até mesmo uma visita ocasional pode ter um efeito positivo numa candidatura, sendo necessário apresentar conteúdos que surpreendam e causem boa impressão.

Desta maneira, importa analisar que meios têm os partidos políticos em Almada à disposição de quem os pretenda visitar ou saber mais sobre eles. Como é natural, constituem mais-valias domínios próprios (.pt, .org ou .com) e a não dependência de domínios e servidores de terceiros (por exemplo, os domínios blogspot ou blogs.sapo.pt), uma vez que a opção pela primeira via transmite mais profissionalismo e causa mais impacto no destinatário e a pobreza franciscana ainda não impressiona ninguém.

Simultaneamente, a opção por um sítio é preferencial à opção por um blog - excepto, eventualmente, ao nível de freguesias -, sendo que qualquer sítio também não será a melhor opção. A solução de desenrasca e de apresentação de qualquer conteúdo, mesmo com aspecto ultrapassado ou mal concebido, só para se dizer que se tem alguma, não é uma escolha inteligente e poderá causar um impacto adverso a não ter nada ou a ter pouco.

Foram tomados em consideração vários critérios, pelo que as conclusões seguem infra.

CDU
A CDU Almada não tem muitos meios disponíveis para consulta na internet, embora tenha os suficientes para conseguir transmitir a sua mensagem e de forma muito interessante. Têm um sítio exclusivo com domínio próprio bem concebido, um dos melhores de todos os partidos políticos com representação em Almada. Embora apresente algumas lacunas em período de autárquicas - não apresentando, ainda, as listas completas de candidatos às freguesias ou o programa eleitoral -, o menu de opções é muito intuitivo e simples e o grafismo está também bem concebido, tornando a navegação no sítio muito fácil e pouco pesada. Alguns aspectos podiam ser melhorados - nomeadamente, dispor uma ficha com os dados biográficos dos cabeças-de-lista aos órgãos municipais -, mas, regra geral, a CDU Almada disponibiliza um sítio interessante, constantemente actualizado, que tem ainda como bónus áreas exclusivamente dedicadas a cada freguesia e ao trabalho desenvolvido nas mesmas. Assinala-se ainda um favicon próprio, o que atesta o cuidado com os pormenores.
Outro factor negativo é a propaganda forçada. Chegamos ao ponto de ter depoimentos de «apoiantes» que são meros cidadãos de Almada e que dão como testemunho «Conheço o Joaquim há 40 anos. É um Homem Bom!». No mínimo, dispensável, até porque a forma como esta secção do sítio está concebida denota um amadorismo que não corresponde à qualidade do resto do espaço: mau aspecto gráfico, mal escrito e conteúdo manifestamente fraco e forçado.

Além do sítio, a CDU dispõe ainda de página no Facebook, também ela constantemente actualizada e com a realização de eventos relacionados com a actividade do partido no concelho. No entanto, esta página é limitada por se tratar de um perfil e não de uma página de seguidores, o que a impede de aceitar mais de 5.000 solicitações de amizade. Finalmente, foi ainda descoberto um perfil ao candidato à Câmara Municipal de Almada, Joaquim Judas, no entanto, percebe-se que ou o candidato não a utiliza ou o seu conteúdo está reservado.
Em suma, a estratégia da CDU Almada na internet assenta na simplificação da difusão de conteúdos, na actualização permanente e na centralização da actividade e da disponibilização de conteúdos no núcleo que gere toda a matéria concelhia. Já na divulgação, o Partido conta com um nível de actividade considerável, uma vez que não só os candidatos promovem conteúdos da concelhia, como também muitos seguidores dos candidatos o fazem, permitindo que os conteúdos sejam acompanhados por um número muito razoável de seguidores.



PS
Ao contrário da CDU Almada, o PS Almada conta com mais alguns meios de difusão dos seus conteúdos, embora a diferença não seja significativa. Com efeito, assinala-se o facto de o Partido ter páginas exclusivas da actividade desenvolvida na Caparica - via blog e Facebook -, na Costa da Caparica e no Laranjeiro. Contudo, lamentam-se (i) o facto de apenas o núcleo do Laranjeiro actualizar os conteúdos e (ii) não haver uma estratégia uniforme de actualização de informação para as restantes 8 freguesias. Aliás, nem há motivo que o justifique, uma vez que o PS tem representação autárquica em todas as freguesias e a criação de um blogue não tem qualquer custo associado. Pior, as duas freguesias geridas pelo Partido (Trafaria e Charneca da Caparica) não têm sítio exclusivo de acompanhamento à actividade autárquica desenvolvida. Pelo meio, assinala-se ainda uma análise SWOT realizada pelo núcleo da Caparica que deixa muito a desejar.
Em sentido contrário, destaca-se o facto de o PS Almada ter uma página com domínio próprio, com um aspecto gráfico moderno e navegação simples. Não tem favicon, tem um resumo insípido sobre cada freguesia, tem uma secção dedicada à actividade desenvolvida no município e nas freguesias que está muito pobre, ainda não tem programa eleitoral disponível para consulta, nem informação sobre os candidatos aos órgãos municipais - o que se lamenta - e não actualizam o sítio. Todavia, apresenta alguma informação sobre os representantes dos órgãos concelhios e disponibiliza um perfil do candidato à Câmara Municipal de Almada.
Finalmente, o PS Almada tem ainda contas actualizadas na Flickr e no Twitter e disponibiliza o jornal de campanha em formato digital.

A clara aposta do PS Almada nas tecnologias está focada no Facebook, uma estratégia arriscada e um pouco negligente pelos motivos acima referidos. É, neste sentido, que podemos encontrar uma página própria de Facebook, frequentemente actualizada e muito difundida entre candidatos, apoiantes e simpatizantes. O candidato Joaquim Barbosa também tem uma página própria devidamente actualizada e activa.



PSD
O PSD Almada dispõe de poucos meios de difusão de propaganda. Tem um sítio com domínio próprio (e favicon), o grafismo será aceitável, o menu de navegação é intuitivo, embora limitado, e não tem secção reservada às autárquicas - apenas se destacam os cartazes à entrada do sítio. Não apresenta candidatos, nem sequer é feita referência ao nome do candidato à Câmara Municipal, e o programa eleitoral não está disponível. Lamentavelmente, não apresenta qualquer conteúdo que permita acompanhar as iniciativas do Partido no concelho e nas freguesias.
Tem, porém, vários meios de contacto, uma agenda relativamente actualizada e apresenta os nomes de todos os representantes do Partido nos órgãos autárquicos e ainda informação detalhada acompanhada de perfil dos membros do órgão executivo concelhio.
Paralelamente, o PSD Almada mantém um blog que não é actualizado desde 2012 e onde constavam alguns conteúdos de iniciativas organizadas pela concelhia - curiosamente, o sítio não faz referência ao blog. Mais, tem página própria no Facebook e uma página nesta rede social exclusiva para a candidatura de António Neves, candidato que tem, aqui, um perfil pessoal. Embora com poucos seguidores, assinala-se a conta que a concelhia tem no Twitter.

Em suma, apesar de alguns pontos que a diferenciam dos restantes partidos no concelho, a estratégia do PSD Almada envolvendo a utilização da internet está longe do pretendido, embora tenha potencial para muito mais.



Bloco de Esquerda
A abordagem do Bloco de Esquerda Almada à utilização da internet concentra muitos vícios dos 3 partidos acima referidos e acrescenta outros que mais ninguém repete. Desde logo, assinala-se o facto de a concelhia não ter uma página própria, publicando os conteúdos respectivos através da página da Distrital de Setúbal do Bloco. Consegue ser mais centralizador que os restantes partidos, reduzindo a autonomia da concelhia para difusão de propaganda. O espaço em si é muito básico, não tem menu de opções e este sítio limita-se a publicar notícias. Resumindo, é uma opção muito infeliz que não impressiona minimamente quem a visita. Saber quem dirige a concelhia e conhecer o programa eleitoral para os locais é uma tarefa bastante complicada, uma vez que as concelhias são geridas como se fossem localidades de um único concelho que é o distrito de Setúbal.
Curiosamente, encontramos espaços autónomos para 3 freguesias de Almada: Cacilhas e Charneca da Caparica com blog próprio e Costa da Caparica com página no Facebook. Infelizmente, a página da Charneca da Caparica não é actualizada desde Agosto de 2012 e a de Cacilhas ficou orfã desde que Ermelinda Toscano abandonou o Partido. Já a página de Facebook do Bloco de Esquerda na Costa da Caparica vai sendo actualizada, o mesmo sucedendo relativamente à página da concelhia de Almada. Joana Mortágua, candidata à Câmara Municipal de Almada, também tem um perfil pessoal, que actualiza com frequência. Ainda assim, não existe percepção da actividade do Bloco através da internet. Isto sucede por um simples motivo: ou não há dinamização por esta via ou então a que há é mal feita.



CDS-PP
Tal como o Bloco de Esquerda, o CDS-PP Almada comete alguns erros cometidos pelos restantes partidos com representação no concelho, acrescentando outros difíceis de entender. Desde logo, lamenta-se a tremenda quantidade de meios criados por esta concelhia, sem que os mesmos acabem por ser minimamente aproveitados. Havia um sítio com aspecto gráfico e navegabilidade fracos, que foi descontinuado, existem blogs, conta de Twitter e páginas de Facebook. O resultado de toda esta mistura é que quem quer ir a todas acaba por não ir a nenhuma.
De facto, constata-se que, actualmente, o CDS-PP Almada não tem um sítio com domínio próprio, antes um blog concebido de forma tremendamente amadora. Bem sei que os recursos disponíveis não permitem muitas aventuras, mas há pessoas no Partido capazes de transformar um blog num sítio com um ar minimamente decente e um domínio custa menos de €10,00 por ano. Por outro lado, critica-se a má concepção do blog, com imagens desalinhadas, cores pobres e português muito questionável. Questiona-se, também, o porquê de um tipo de letra militar para escrever CDS-PP Almada, o que torna a aparência do blog mais agressiva e menos aprazível do que devia ser. Finalmente, não é possível obter informação sobre os membros que compõem os órgãos concelhios, os candidatos aos órgãos municipais e de freguesia ou o programa eleitoral, a agenda dos candidatos e o próprio espaço não é devidamente actualizado.
Simultaneamente, importa referir que o candidato à Câmara Municipal, Fernando Sousa da Pena, desenvolve um blog desde a campanha de 2009 que, de quando em vez, apresenta conteúdos que dizem pouco respeito a Almada. Tanto este espaço como o oficial da concelhia deviam ter as iniciativas desenvolvidas pelo Partido no concelho e nos órgãos autárquicos.

Ao mesmo tempo, o CDS-PP Almada explora duas contas no Facebook: uma, a oficial, a outra, a da campanha autárquica. Uma vez mais denota-se a falta de sensibilidade para o pormenor, uma vez que a conta oficial não tem como terminologia CDS-PPAlmada a seguir a «facebook.com/», antes tem um código numérico composto por 15 dígitos que impede o Partido de inserir o link em qualquer material de propaganda, o que é passível de ser corrigido se houver vontade. No entanto, salva-se o facto de tanto uma página como outra serem constantemente actualizadas, o mesmo relativamente à conta pessoal que o candidato Fernando Sousa da Pena tem nesta rede social. No mais, destacam-se as páginas de Facebook de 5 freguesias do concelho (Cacilhas, Caparica, Charneca da Caparica, Costa da Caparica e Laranjeiro), mal exploradas pela concelhia e desactualizadas.

Em suma, embora se constate que a estratégia do CDS-PP passa pela aposta nas redes sociais, até mesmo em detrimento das visitas ao terreno, esta aposta é mal feita, uma vez que o tratamento dado à informação é básico e mau, não há actualização de conteúdos, nem disponibilização de informações básicas, a difusão ocorre mais entre os militantes de todo o País do que propriamente aos munícipes e os meios que deviam ser o cartão de visita para o exterior, como o sítio, não tem condições para se manter activo, por ser pouco atractivo e poder comprometer a imagem da concelhia. Nada que vontade e interesse não corrijam.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Sondagem da SIC dá vitória a Paulo Vistas

Segundo uma sondagem anunciada pela SIC, na passada sexta-feira, Paulo Vistas, braço-direito de Isaltino Morais, será o próximo Presidente da Câmara Municipal de Oeiras.

Ora, sendo Oeiras o município com maior concentração de licenciados e doutorados do País (26% da população tem ensino superior), só podemos concluir que mais formação académica não só não é sinónimo de inteligência como é graças a estes doutores e engenheiros que o País está como está.

A estratégia autárquica do PCTP/MRPP para Almada

O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (PCTP/MRPP) tem um candidato à Câmara Municipal de Almada: Domingos Bulhão.

No entanto, o partido só pode depositar muita fé numa campanha em que poucos sabem da existência do candidato, uma vez que, em vez de aproveitar o outdoor gigante que tem no Centro Sul, a pouco mais de 1 mês das eleições, o PCTP/MRPP dedica um dos seus raros meios de comunicação - além da pouco cívica pintura de murais públicos - a isto:


N.d.r.: A foto de cima foi retirada do site Biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Resultados autárquicos em Almada com base nas redes sociais

Um aspecto curioso destas eleições é avaliar a estratégia de campanha definida pelos partidos. Apesar de algumas candidaturas ainda criarem ilusões relativamente ao uso das tecnologias, é certo que o meio mais eficiente de recolha de votos é o contacto directo com os eleitores, no terreno.

Prova do quão falaciosa pode ser a popularidade putativa nas redes sociais - uma vez que muitos seguidores de páginas são perfis falsos ou perfis de militantes e simpatizantes de fora da concelhia candidata -, são os resultados que apurámos de distribuição de mandatos apenas com base nos «gostos» que cada concelhia recolhe, a saber:

CDU: 3.260 seguidores
CDS-PP: 1.596 seguidores
PS: 1.407 seguidores
PAN: 353 seguidores
PSD: 342 seguidores
BE: 195 seguidores
Total: 7.153 seguidores

Se cada seguidor correspondesse a uma intenção de voto real para a Câmara Municipal de Almada, a CDU governaria com maioria absoluta, o CDS seria a 2.ª força política, PSD e Bloco desapareciam e o PAN seria a 4.ª força municipal, o que daria qualquer coisa como:

CDU: 45,6%, correspondentes a 6 mandatos
CDS: 22,3%, correspondentes a 3 mandatos
PS: 19,7%, correspondentes a 2 mandatos
PAN: 4,9%, correspondentes a 0 mandatos
PSD: 4,8%, correspondentes a 0 mandatos
BE: 2,7%, correspondentes a 0 mandatos

Para a Assembleia Municipal de Almada, os resultados seriam ainda mais interessantes, uma vez que, excluindo os lugares por inerência dos Presidentes das Juntas de Freguesia, a CDU não teria maioria (16 vs 17). A distribuição de mandatos seria a seguinte:

CDU: 16
CDS: 8
PS: 7
PAN: 1
PSD: 1
BE: 0

É sempre bom sonhar e imaginar como seria «se». No entanto, se alguém acreditar que estes resultados têm o seu quê de real, pode fazer a aposta principalmente nas redes sociais e para os seus adeptos.

Os novos outdoors do PS em Almada (Joaquim Barbosa)

A candidatura do PS aos órgãos municipais de Almada alteraram os outdoors iniciais. Agora, em vez da imagem única com o nome do candidato à Câmara Municipal, Joaquim Barbosa, vemos imagens variadas de apoiantes e candidatos pelo partido, indicando o nome e a actividade de cada um acompanhados de uma expressão específica que ilustra o que a candidatura pretende trazer para Almada. Deixo aqui alguns exemplos:

Ana Catarina Mendes, Deputada

Nuno Pinheiro, Historiador

Maria Assis, Assistente Social

Alberto Chaíça, Atleta

Jaime Rocha, Dirigente Associativo

João Couvaneiro, Professor do Ensino Superior

Em resumo, o objectivo com esta vaga de outdoors será transmitir a ideia de a campanha de Joaquim Barbosa ser inclusiva, ao integrar todo o tipo de sensibilidades - da Deputada ao Atleta, passando pelo Estudante e pelo Dirigente Associativo -, e propor uma agenda universal, ao cobrir as mais diversas áreas da sociedade.

Um dos pontos fortes desta nova vaga de cartazes passa pelo facto de as fotografias não terem sido trabalhadas nem assentarem numa cor de fundo, mantendo-se a naturalidade do motivo - aliás, coerente com a campanha prosseguida no Facebook com a publicação de inúmeras fotos do PS Almada em convívio, descontraídos e nas mais variadas situações que qualquer comum mortal vive (até os vemos em corridas de carrinhos-de-choque) -, e tendo como pano de fundo os locais onde cada um dos visados presta actividade - p.e.: a Deputada no Parlamento e a Assistente Social numa zona sub-urbana. Deste modo, é difícil que quem veja os cartazes não se consiga rever na pessoa que dá a cara.

No entanto, na minha opinião, um dos cartazes mais bem conseguidos desta segunda vaga de cartazes é o que inclui Francisca Parreira, actual Presidente da Junta de Freguesia da Trafaria, na rotunda da Av. Afonso de Albuquerque, mais concretamente na que liga S. Pedro da Trafaria a S. João da Caparica. A localização é perfeita, mais não seja porque se trata da zona de conforto de Francisca Parreira. O cartaz em si também está bem concebido, destacando-se um sorriso natural que cria empatia com o público. O mesmo elogio poderá ser feito ao cartaz com a médica e ex-Ministra da Saúde Ana Jorge, colocado mesmo à entrada para o Hospital Garcia de Orta.



Relativamente aos pontos fracos, estes cartazes apresentam algumas fragilidades. Desde logo, o tamanho da letra com o nome e a profissão de cada um é excessivamente reduzido. Em segundo lugar, a cor das letras. Não basta o tamanho ser mau e o contraste por vezes torna quase imperceptíveis o nome e a profissão. Ou já conhecemos as pessoas ou então é extremamente difícil identificar cada um. Os de Jaime Rocha e Alberto Chaíça são os piores. Há ainda que acrescentar o facto de não sabermos se são todos candidatos ou se são candidatos e/ou figurantes. No caso de Ana Jorge, quantas pessoas sabem que é mandatária e não candidata?

Por outro lado, o sítio de internet do PS Almada padece exactamente do mesmo mal e tem um extra: parece perdido de tão isolado que fica no meio da mensagem. O logótipo e a identificação do Partido também podiam estar maiores. Outro ponto negativo é a fotografia escolhida para apresentar um cartaz que represente todo o concelho. A fotografia escolhida foi a localizada infra, que parece ter sido escolhida sem qualquer critério, os modelos surgem numa pose à Ocean's Twelve ou cena inicial do Reservoir Dogs (Cães Danados), o candidato - que não se pode esquecer que é o cabeça-de-cartaz - aparece perdido de jornal na mão, duas candidatas (Maria Assis e Francisca Parreira) aparecem de óculos escuros - o ideal para não ser reconhecida - e de fundo ainda se destaca um sinal de estacionamento proibido!


Em suma, acredito que se tenha pretendido aproveitar uma fotografia onde os candidatos estejam em poses naturais, sem preparação, mas a escolha desta última imagem é péssima. Contudo, a ideia em si, nesta nova vaga de cartazes, parece-me muito feliz e tem tudo para ajudar a campanha de Joaquim Barbosa a chegar aos objectivos pretendidos. Muito boa iniciativa, sem dúvida.

* foram acrescentadas duas frases ao penúltimo parágrafo às 10h00 de 19 de Agosto de 2013.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Da propaganda eleitoral em postes de iluminação e em locais públicos

Trouxe a questão à colação a propósito do outdoor de Joaquim Judas. É legítima a propaganda eleitoral em postes de iluminação? Gostemos ou não - e eu já afirmei que não a aprecio -, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) disse que é legítima, a 18 de Dezembro de 2012, «por não constar do elenco dos locais proibidos indicados na lei (n.º 3 do artigo 4.º da Lei n.º 97/88)». Excepção feita caso se esteja perante «uma situação de perigo iminente, que afecte a segurança das pessoas ou das coisas, claramente individualizada», devendo ser removida e «devidamente fundamentada e notificada ao promotor da propaganda».

Relativamente às pinturas em murais e outros locais públicos, já aqui abordei essa questão a 12 de Novembro de 2011.

O provável outdoor do Bloco de Esquerda em Almada (Joana Mortágua)

O Bloco de Esquerda (BE) ainda não tem propaganda para as autárquicas nas ruas de Almada. Aliás, a 45 dias do acto eleitoral, a única propaganda do BE espalhada por Almada é esta:

Partindo do princípio que estamos perante contratos celebrados com as empresas publicitárias que afixam os cartazes do BE, e que este conteúdo tem ainda pouco tempo, é possível que o cartaz autárquico só surja no início de Setembro. No entanto, não deixa de ser estranho que, sendo já conhecida a candidata a Almada desde, pelo menos, 10 de Maio - data em que foi apresentada formalmente a candidatura -, e estando os principais candidatos com propaganda disponível há já várias semanas, a propaganda eleitoral do BE ignore o escrutínio que se aproxima - apesar de se dever frisar que a entourage de Joana Mortágua já esteja no terreno em contacto com os munícipes.

Apesar de o BE parecer desligado das autárquicas, o BE Almada já lançou na sua página de Facebook, para os seus «invejáveis» 194 seguidores, aquele que, em princípio, será o outdoor a afixar brevemente pelo partido, nomeadamente:


Partindo do princípio que será este o cartaz do Bloco para apresentar aos almadenses os cabeças-de-lista à Câmara Municipal e à Assembleia Municipal, Joana Mortágua e Carlos Guedes, respectivamente, podemos tecer algumas considerações sobre a propaganda:

Pontos fortes:
  • Apresenta os candidatos aos órgãos mais importantes do município (Câmara Municipal e Assembleia Municipal) em simultâneo, destacando-se dos restantes exactamente por não apresentar apenas um candidato - é muito positivo dar a conhecer aos eleitores os rostos das listas candidatas;
  • O rosto dos candidatos ocupa espaço suficiente para serem vistos e reconhecidos à distância;
  • A expressão dos candidatos parece demonstrar alguma receptividade e procura atrair a empatia do munícipe, sem sorrisos forçados e sem expressões sisudas;
  • O lema de campanha está muito bem conseguido, fazendo um trocadilho com o nome do partido e com Almada que, não só faz sentido, como ainda tenta transmitir a ideia de quantidade de elementos do partido empenhados no município;
  • O tom azul-esverdeado da barra inferior - desculpem, mas sou daqueles homens que não sabe os nomes científicos de cada tonalidade -, o que permite destacar qualquer palavra que se inscreva nela.

Pontos fracos:
  • Não há qualquer evolução criativa nos cartazes do bloco ao longo dos anos. O conceito é sempre o mesmo. E este outdoor é tão simples que chega a ser demasiado básico e insípido - há décadas que os partidos de esquerda insistem teimosamente em propaganda básica e limitada apesar de terem pessoal suficientemente criativo;
  • O branco como cor de fundo não atrai a atenção dos destinatários e pode passar despercebido porque dificilmente contrasta com a paisagem que serve de fundo ao cartaz;
  • A barra inferior numa aborrecida linha recta, parecendo quase uma solução de última hora para desenrascar um espaço para escrever os nomes dos candidatos;
  • Os nomes dos candidatos num tamanho de letra quase imperceptível - apesar de a cor dos caracteres ter sido bem escolhida - escusando-me de comentar o tamanho da letra dos órgãos a que se candidatam;
  • Que cores são aquelas forçada e inexplicavelmente colocadas no canto inferior direito?
  • Demasiado espaço vazio, o que fica ainda mais visível num fundo branco;
  • O logótipo do partido parece andar ali perdido no cartaz e em tamanho muito pequeno - falta ainda o nome do Partido;
  • Não tem um único meio de contacto físico ou virtual, nem indica onde podem ser visitados;
  • Não apresenta propostas - muito importante para os partidos que não estão no poder.

Apesar de tudo o que já foi dito, coloco ainda reservas à futura localização dos outdoors do BE. E coloco-as porque, desde logo, o BE recorre pouco a cartazes de grandes dimensões. Excepções à regra são a rotunda que liga a Av. 25 de Abril, em Almada, ao porto marítimo de Cacilhas ou a rotunda do Centro Sul. No mais, o BE recorre aos MUPI, uma solução mais económica tendo em conta a disponibilidade financeira do partido.

Finalmente, a localização dos cartazes nem sempre é a mais feliz. Se não estivermos atentos, quase à procura dos MUPI, raramente damos conta deles, quando o objectivo devia ser os cartazes mostrarem às pessoas que estão lá e têm uma mensagem a transmitir. Ao longo de toda a Av. 23 de Julho, que atravessa o Laranjeiro e a Cova da Piedade, estão lá 2 MUPI muito discretos, não obstante a sua dimensão. Já na Costa da Caparica, no cruzamento entre a Av. 1.º de Maio e a Av. Afonso de Albuquerque, encontra-se uma espécie de MUPI adaptado a outdoor improvisado, que é praticamente impossível estar mais escondido do que está actualmente, conforme se pode constatar em baixo. Quem repara nesta propaganda? Talvez este seja mais um caso de desperdício de recursos.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O outdoor da coligação PSD/CDS/MPT em Lisboa (Fernando Seara)

Sinto-me no dever de criar um à parte na quase exclusividade dada às autárquicas em Almada, para me pronunciar sobre o cartaz da coligação liderada por Fernando Seara à Câmara Municipal de Lisboa. E sinto-me neste dever porque me cruzo inúmeras vezes com ele e não resisto a partilhar a minha opinião.


Este é o cartaz já «instalado» em várias zonas da capital. E, na minha opinião, uma das vantagens em fazer o cartaz chegar tarde assenta no facto de se ter mais tempo para analisar os dos restantes candidatos e tentar fazer melhor.

Neste sentido, julgo que o modelo de cartaz de Fernando Seara é o ideal para uma candidatura às legislativas - sendo este um cartaz semelhante, p.e., aos de José Sócrates - ou, mais ainda, à Presidência da República. Na verdade, este cartaz parece uma cópia das candidaturas de Cavaco Silva e de Manuel Alegre às Presidenciais.

Não será, no entanto, o formato ideal para umas eleições autárquicas. Aliás, até as cores das duas riscas ao pé da palavra Lisboa denotam um desfasamento com o fim do escrutínio a que será sujeito o candidato. Verde e vermelho, com o nome do candidato a amarelo, sob fundo verde são as cores da bandeira nacional. O que é certo é que nem um símbolo da cidade encontramos nestes cartazes. Rigorosamente nada que estabeleça um elemento de afinidade entre o cartaz da candidatura e o município. No limite, até poderíamos aceitar o verde de fundo se os riscos verde e vermelho fossem branco e preto, as cores do município a que se candidata. Talvez fizesse mais sentido acentuar estas duas cores e, bem conjugadas com o verde de fundo, estabeleceriam a associação entre os interesses do município e o interesse nacional.

Paralelamente, se, por outro lado, as dimensões do nome do candidato e do mote serão adequados, por outro lado, não se compreende o lema «Em Lisboa com os dois pés». O que pretende Fernando Seara? Responder aos que o acusam de estar envolvido em Sintra e nos programas televisivos, afirmando o candidato que estará exclusivamente dedicado à capital?  Ou pretende atacar António Costa por ser um possível candidato à liderança do Partido o que, consequentemente, o fará estar mais envolvido na agenda nacional? Se for algum destes casos, fará sentido utilizar um outdoor para «responder» ou «atacar» em vez de o aproveitar para propor medidas para a cidade? Ainda por cima, com a gestão de António Costa, custa a acreditar que o espaço do cartaz seja desperdiçado com guerrilhas e não com propostas que o permitam distanciar-se de um modelo de gestão que deixou muito a desejar e facilmente podia ser combatido. Vou mais longe. Fernando Seara podia pegar em medidas simples como a limpeza das ruas, a mobilidade, as obras municipais. São temas quase clichés mas que o destacavam de outra maneira que não «Em Lisboa com os dois pés».

Finalmente, um último reparo. A imagem do candidato também ocupa um espaço considerável - e, na minha opinião, ideal - no cartaz. Sublinha-se ainda como positivo o facto de estar numa pose descontraída e alheio ao formalismo de utilização de botões abotoados até ao pescoço, casaco e gravata, deixando ainda à mostra as mangas arregaçadas, procurando transmitir a mensagem de que haverá muito trabalho da sua parte. Contudo, a pose escolhida, apesar de descontraída, parece uma pose retirada do álbum de casamento, misturada entre as fotografias do candidato a segurar um telefone ou a mãe a dar-lhe um beijinho na bochecha.

Em suma, o cartaz podia ser mais feliz e até havia condições para isso. Quem chega tarde tem de surpreender. Pela positiva, se for possível.