É impressão minha ou, ao longo das últimas semanas, o País foi invadido por uma campanha de português de 3.º ano do ensino primário? Questiono-me se temos uma campanha autárquica em curso ou se temos uma campanha contra ou a favor do acordo ortográfico - ainda não percebi qual deles -, na qual os candidatos ao poder local procuram ensinar aos munícipes a conjugação correcta do verbo Ser. Gostam particularmente de conjugar o verbo Ser na primeira pessoa do plural. Um ou outro lá acrescente o substantivo masculino plural que designa uma universalidade (todos). No entanto, candidatos de Norte a Sul do País, arquipélagos incluídos, parecem não saber outra coisa a não ser conjugar o verbo Ser na primeira pessoa do plural, senão vejamos:
Em Oeiras...
... em Águeda...
... em Almada...
... em Bragança...
... em Cascais...
... no Funchal...
... em Barcelos (eles podem esconder, mas são PSD)...
... em Lagos...
... na Figueira da Foz...
... ou em Leiria.
Podemos ainda constatar que nem as listas independentes evitam o recurso ao verbo Ser como forma de preencher um espaço num cartaz, por exemplo:
Em Fafe...
... e em Cascais.
Será de mim, ou tudo isto é mais do mesmo e apenas (mais) uma demonstração do vazio de ideias que domina os políticos (e os aspirantes a políticos) do nosso País? Pior, fica a sensação que a criatividade política para slogans parou na década de 1960 com o famoso Ich bin ein Berliner, de John F. Kennedy. A limitação de quem faz política é tanta que ninguém ousa fazer melhor que esta frase redutora e ultrapassada.
Caros candidatos: mais propostas, mais compromissos, mais ideias e menos retórica!
Caros candidatos: mais propostas, mais compromissos, mais ideias e menos retórica!













1 comentário:
descobri o blogue agora mas estou a adorar.
e sim, o cartaz do pctp mrpp de almada parece ter sido feito em 1992
Enviar um comentário