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sábado, 26 de outubro de 2013

Sócrates is in the building

Sempre desconfiei de pessoas que precisam de inferiorizar ou responsabilizar terceiros para se destacarem. Sempre vi este tipo de comportamento como uma forma de o mau tentar desviar as atenções da sua fraca qualidade, procurando fazer crer, não que o mau é bom, mas que o adversário é que é pior.

Quando alguém tem qualidade ou faz um bom trabalho não precisa de atacar nem diabolizar ninguém. Quando assim é, o bom trabalho e as virtudes destacam-se por si e ajudam os destinatários a olharem para o presente com alívio porque o passado ficou lá atrás e trazem esperança para o futuro. O que se passa na actual coligação é em tudo semelhante ao mau namorado que, para disfarçar o seu péssimo comportamento, precisa de repetir à companheira que o ex dela é que era mau.

Por mais que se assista a um esforço da coligação para diabolizar Sócrates, com insistentes campanhas a recordar (ainda por cima mal) o que nos levou ao actual programa de assistência financeira, com muito folclore pelo meio, o desempenho de PSD e CDS não pode ser maquilhado de tão mau que tem sido: afinal, as promessas eleitorais continuam por cumprir, a economia continua a caminho da desgraça e o único crescimento que temos é o da dívida pública mesmo apesar dos sucessivos cortes que têm sido aprovados.

Curioso no meio disto é que cada vez mais pessoas dão por si a pensar que José Sócrates, afinal, talvez não fosse assim tão mau Primeiro-Ministro como muitos o pintaram. Mais, Sócrates está mais vivo do que nunca sem ter de fazer muito por isso. Basta dar uma entrevista e apresentar um livro e logo a casa de madeira da coligação abana por todo o lado. Ele ainda não voltou a sério e já faz estragos. Muita gente perdeu o sono desde que Sócrates regressou a Portugal. Ainda assim, ninguém aprendeu a lição e continuam todos a dar tiros nos pés. O mau namorado treme porque receia que o seu lugar esteja em risco, mas continua a maltratar a companheira. Assim, não há relação que resista - nem mesmo a de Bárbara Guimarães com Manuel Maria Carrilho.

No meio de tudo o que tem acontecido, Passos Coelho insiste em desmentir o convite que Sócrates diz que lhe fez. Há quem aborde esta questão - «Resgatados» é um exemplo disso - e, sinceramente, acredito que Sócrates esteja a falar a verdade: endereçou um convite a Passos por ser muito difícil, como se comprovou, governar sem maioria desde 2009. Aliás, foi exactamente por isso que Cavaco Silva condicionou a indigitação do novo Primeiro-Ministro à formação de uma maioria absoluta no Parlamento. Passos recusou, não só por querer puxar o tapete a Sócrates como também por querer ter ele o protagonismo e não ver com bons olhos o PSD embarcar num projecto arriscado liderado pelo PS. Portas também viria a rejeitar apenas após Miguel Relvas o ter conseguido aliciar para formar maioria após a queda de um já desgastado Sócrates. End of story. Quem quiser que acredite nos desmentidos de Passos Coelho.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Autárquicas 2013: Ser ou não ser... mais do mesmo

É impressão minha ou, ao longo das últimas semanas, o País foi invadido por uma campanha de português de 3.º ano do ensino primário? Questiono-me se temos uma campanha autárquica em curso ou se temos uma campanha contra ou a favor do acordo ortográfico - ainda não percebi qual deles -, na qual os candidatos ao poder local procuram ensinar aos munícipes a conjugação correcta do verbo Ser. Gostam particularmente de conjugar o verbo Ser na primeira pessoa do plural. Um ou outro lá acrescente o substantivo masculino plural que designa uma universalidade (todos). No entanto, candidatos de Norte a Sul do País, arquipélagos incluídos, parecem não saber outra coisa a não ser conjugar o verbo Ser na primeira pessoa do plural, senão vejamos:

Em Oeiras...

... em Águeda...

... em Almada...

... em Bragança...

... em Torres Vedras...

... em Anadia...

... em Cascais...

... no Funchal...

... em Barcelos (eles podem esconder, mas são PSD)...

... em Lagos...

... na Figueira da Foz...

... ou em Leiria.


Podemos ainda constatar que nem as listas independentes evitam o recurso ao verbo Ser como forma de preencher um espaço num cartaz, por exemplo:
Em Fafe...

... e em Cascais.

Será de mim, ou tudo isto é mais do mesmo e apenas (mais) uma demonstração do vazio de ideias que domina os políticos (e os aspirantes a políticos) do nosso País? Pior, fica a sensação que a criatividade política para slogans parou na década de 1960 com o famoso Ich bin ein Berliner, de John F. Kennedy. A limitação de quem faz política é tanta que ninguém ousa fazer melhor que esta frase redutora e ultrapassada.

Caros candidatos: mais propostas, mais compromissos, mais ideias e menos retórica!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O outdoor da coligação PSD/CDS/MPT em Lisboa (Fernando Seara)

Sinto-me no dever de criar um à parte na quase exclusividade dada às autárquicas em Almada, para me pronunciar sobre o cartaz da coligação liderada por Fernando Seara à Câmara Municipal de Lisboa. E sinto-me neste dever porque me cruzo inúmeras vezes com ele e não resisto a partilhar a minha opinião.


Este é o cartaz já «instalado» em várias zonas da capital. E, na minha opinião, uma das vantagens em fazer o cartaz chegar tarde assenta no facto de se ter mais tempo para analisar os dos restantes candidatos e tentar fazer melhor.

Neste sentido, julgo que o modelo de cartaz de Fernando Seara é o ideal para uma candidatura às legislativas - sendo este um cartaz semelhante, p.e., aos de José Sócrates - ou, mais ainda, à Presidência da República. Na verdade, este cartaz parece uma cópia das candidaturas de Cavaco Silva e de Manuel Alegre às Presidenciais.

Não será, no entanto, o formato ideal para umas eleições autárquicas. Aliás, até as cores das duas riscas ao pé da palavra Lisboa denotam um desfasamento com o fim do escrutínio a que será sujeito o candidato. Verde e vermelho, com o nome do candidato a amarelo, sob fundo verde são as cores da bandeira nacional. O que é certo é que nem um símbolo da cidade encontramos nestes cartazes. Rigorosamente nada que estabeleça um elemento de afinidade entre o cartaz da candidatura e o município. No limite, até poderíamos aceitar o verde de fundo se os riscos verde e vermelho fossem branco e preto, as cores do município a que se candidata. Talvez fizesse mais sentido acentuar estas duas cores e, bem conjugadas com o verde de fundo, estabeleceriam a associação entre os interesses do município e o interesse nacional.

Paralelamente, se, por outro lado, as dimensões do nome do candidato e do mote serão adequados, por outro lado, não se compreende o lema «Em Lisboa com os dois pés». O que pretende Fernando Seara? Responder aos que o acusam de estar envolvido em Sintra e nos programas televisivos, afirmando o candidato que estará exclusivamente dedicado à capital?  Ou pretende atacar António Costa por ser um possível candidato à liderança do Partido o que, consequentemente, o fará estar mais envolvido na agenda nacional? Se for algum destes casos, fará sentido utilizar um outdoor para «responder» ou «atacar» em vez de o aproveitar para propor medidas para a cidade? Ainda por cima, com a gestão de António Costa, custa a acreditar que o espaço do cartaz seja desperdiçado com guerrilhas e não com propostas que o permitam distanciar-se de um modelo de gestão que deixou muito a desejar e facilmente podia ser combatido. Vou mais longe. Fernando Seara podia pegar em medidas simples como a limpeza das ruas, a mobilidade, as obras municipais. São temas quase clichés mas que o destacavam de outra maneira que não «Em Lisboa com os dois pés».

Finalmente, um último reparo. A imagem do candidato também ocupa um espaço considerável - e, na minha opinião, ideal - no cartaz. Sublinha-se ainda como positivo o facto de estar numa pose descontraída e alheio ao formalismo de utilização de botões abotoados até ao pescoço, casaco e gravata, deixando ainda à mostra as mangas arregaçadas, procurando transmitir a mensagem de que haverá muito trabalho da sua parte. Contudo, a pose escolhida, apesar de descontraída, parece uma pose retirada do álbum de casamento, misturada entre as fotografias do candidato a segurar um telefone ou a mãe a dar-lhe um beijinho na bochecha.

Em suma, o cartaz podia ser mais feliz e até havia condições para isso. Quem chega tarde tem de surpreender. Pela positiva, se for possível.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Pais Jorge de regresso à base

Continuam a tomar-nos como idiotas neste País. Pais Jorge tomou posse como Secretário de Estado do Tesouro há tão poucos dias que ainda é possível beber os restos do champanhe servidos nos copos do serviço de catering responsável pela tomada de posse. Como, em Portugal, os governantes gozam de 1 ano de sabática após a tomada de posse, pois só começam a governar 1 ano depois de justificarem todas as maroscas em que participaram e julgaram que ninguém se lembrava delas, Pais Jorge ainda nem teve tempo de escolher a secretária manuelina e o quadro Monet que vão decorar o seu gabinete e já está de malas feitas para regressar à origem.

O curioso no caso de Pais Jorge é que, tal como todos os outros, julgou que ninguém ia vasculhar o seu passado com as swaps e prosseguiria o seu caminho como se nada tivesse acontecido. Quando foi apanhado na ratoeira, ainda tentou maquilhar o passado dizendo que «participava em dezenas, porventura, mais até do que uma centena de reuniões por ano» e não se recordava de alguma vez ter estado presente em alguma com o Governo - até porque nos dias que correm negociar com o Governo é o mesmo que negociar com o merceeiro ou com o taxista.

Pior, nem sequer se lembrava de ter negociado com José Sócrates, que era Primeiro-Ministro na altura, uma vez que, como todos nós sabemos, a profissão de Primeiro-Ministro é das mais saturadas no nosso País - julgo que a rácio em Portugal é de 1 Primeiro-Ministro por habitante -, sendo perfeitamente plausível que Pais Jorge não se lembre se negociou com o Primeiro-Ministro José Sócrates, com o Primeiro-Ministro João Paulo Dias ou com a Primeira-Ministra Ana Dias.

Parece que vale a pena comprar Memofante, pois o homem, que certamente experimentou este complemento, já se lembra de ter estado em reuniões com o Governo de José Sócrates e, pelos vistos, até esteve em três (!!), nas quais tentou vender swap ao Executivo. Curiosamente, o Governo de então não caiu no engodo.

Perante tudo isto, deixo algumas perguntas que até tenho medo de saber as respostas:
- Não há ninguém, no meio de aparelhos partidários tão vastos e organizados, que faça uma pesquisa mínima sobre as pessoas que os partidos querem colocar em cargos políticos, de modo a assegurar-se que essa pessoa tem um percurso de vida relativamente imaculado?
- O que anda o CDS a fazer metido com gente desta numa coligação sem qualquer sentido?

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Erros de casting, Cavaco Silva e o Tribunal Constitucional

Na sequência da desilusão de muitos com Maria José Rangel Mesquita e Fátima Mata-Mouros, após o sentido de voto manifestado que levou ao chumbo de 4 artigos do Orçamento de Estado para 2013 pelo Tribunal Constitucional, importa colocar das perguntas aos que defendem que PSD e CDS cometeram erros de casting no processo de selecção das juristas para juízas neste Tribunal:
- O verdadeiro erro de casting de PSD e CDS não terá sido o apoio concedido a Cavaco Silva?
- Não deviam estes partidos ter-se assegurado que o candidato presidencial que apoiavam fazia uma leitura da Lei Fundamental semelhante às ideologias que professam?

Afinal, o primeiro a submeter normas da Lei do Orçamento do Estado para 2013 (Lei n.º 66-B/2012, de 31 de Dezembro) à fiscalização sucessiva do Tribunal Constitucional foi... Cavaco Silva, com as referentes à suspensão do pagamento do subsídio de férias ou equivalente (art. 29.º), suspensão do pagamento do subsídio de férias ou equivalentes de aposentados e reformados (art. 77.º) e contribuição extraordinária de solidariedade (art. 78.º). Curiosamente, duas destas normas foram declaradas inconstitucionais. Insisto, não terá Cavaco Silva sido um erro de casting?

Cavaco Silva fez ainda pior. Em vez de suscitar a fiscalização preventiva da constitucionalidade, nos termos do n.º 1 do art. 278.º da Constituição, promulgou primeiro a Lei n.º 66-B/2012 para garantir que o Governo tinha um Orçamento... que agora é parcialmente inconstitucional e vai obrigar o Executivo a restituir as verbas incorrectamente retiradas aos contribuintes e obrigando ainda a que sejam encontradas formas de compensação pelo buraco criado.

Ora, tudo isto podia ter sido evitado pelo Chefe de Estado. Não foi. O Governo acaba por perder quase 4 meses com a intransigência de Cavaco Silva em deixar o Governo sem Orçamento caso não concebesse um de acordo com a Lei. E, para aqueles que julgam que não ter Orçamento é um drama, recordo as palavras do economista João Salgueiro, cujas afinidades partidárias todos conhecem. Em Setembro de 2010, quando se discutia se Passos Coelho devia ou não viabilizar o Orçamento do Estado para 2011, com José Sócrates no poder, João Salgueiro disse «ser melhor viver num regime de duodécimos do que ter um mau orçamento já que um orçamento que não serve "não adianta nada"». Ou seja, parece ser consensual que não resulta qualquer drama para o País da falta de um Orçamento. É embaraçoso para quem tem competência para tal, mas não vem daí mal ao mundo.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Artur Baptista da Silva (ABS) do CDS: Graça Moura

Não se pense que o engodo apenas usa calças. Pelo contrário, também usa saia. E não se limita a clubes de futebol e à sociedade civil. Não. Também o há nos partidos políticos. Exemplo disso é haver, pelo menos, um ABS no CDS: chama-se Graça M Moura e tem inúmeros perfis de Facebook, através dos quais desenvolve uma rede de personalidades que corroboram as suas opiniões e com as quais desenvolve diálogos verdadeiramente esquizofrénicos para, entre outras pretensões, denegrir terceiros.
Tanto quanto pude apurar, esta personagem tem os seguintes perfis:
Desconfia-se que os perfis Álvaro Mesquita e Marta Valente também possam ser falsos perfis de Graça Moura.

Prova do que aqui afirmo relativamente aos múltiplos perfis, e respectiva utilização, jaz aqui, em duas provas da demência de quem os gere:
Uma espécie de diálogo entre Alberto Caeiro e Álvaro de Campos, mas de nível intelectual fraco

A esquizofrenia devia dar direito a interdição

Segundo a própria, será Doutorada por Harvard e Professora universitária de Matemática na Universidade do Porto. Diz ainda que já padeceu de cancro e que vive dificuldades financeiras para ajudar as suas 3 filhas, as quais, curiosamente, e segundo fonte altamente credível, não só não vivem como nem sequer se dão com a mãe desde que se viram envolvidas em «esquemas» da autoria de Graça Moura para conseguir obter dinheiro endividando, pelo menos, uma das filhas. A mesma fonte, que, reforço, é altamente credível, assevera que Graça Moura nunca teve cancro (felizmente!), nunca deu aulas e nem sequer viajou para os Estados Unidos da América, quanto mais frequentar Harvard.

O mais estranho no meio disto tudo é dispor de uma outra fonte que contactou Harvard e a Universidade do Porto e nenhuma destas entidades ter dito que Graça Moura já frequentou estas instituições quer como aluna quer como docente. Igualmente estranho é a própria alegar ter dificuldades financeiras e circular por todo o País nos eventos (conferências e jantares) do Partido, juntamente com algumas das suas companheiras. Também estranho é alguém com cancro ter uma vida tão activa e passar dias inteiros na praia ou nestes mesmos eventos. Da mesma maneira, como se explica que uma docente universitária passe 24 horas/dia e 7 dias/semana a actualizar o Facebook? Finalmente, se é uma mãe tão dedicada às suas filhas, porque raio nunca ninguém viu uma foto actualizada da própria com elas?

Ora, ou eu estou bem enganado, ou tudo isto mais não é do que um estratagema para apelar à misericórdia das pessoas, passando a imagem da mãe de família, doente, que faz um esforço épico para dar o melhor às filhas ao mesmo tempo que se desdobra em aulas na Universidade do Porto. Inspirador para muitos, no mínimo! Na verdade, podemos ver supra as referências de Graça Moura enquanto Maria João Correia a um alegado título de Professora Doutora, que mais não é do que uma forma de tentar ganhar a respeitabilidade de quem a lê. Fala ainda em conferências em Salamanca, tudo histórias fantasiosas para tentar criar a ideia de que se trata de uma pessoa profissionalmente bem sucedida, activa e influente. Uma autêntica wanna be que se faz passar pelo que gostava de ser.

Pelo meio, faz o papel de groupie e segue as figuras do Partido para todo o lado; tenta criar conflitos entre algumas figuras do Partido e outros militantes e/ou dirigentes, levantando falsos testemunhos contra os mesmos; é o sabujo fiel que diz sim a tudo o que vem do partido - eventualmente com a intenção de conseguir cair nas boas graças das pessoas dado que apoia incondicional e irracionalmente a corrente dominante -; e faz parte do seu modus operandi passar a sua história e aproximar-se de figuras ilustres do Partido, com o intuito de criar laços de afinidade com os dirigentes. Alguns deles morrem de amores por esta senhora tão amorosa que todos tratam por Dr.ª, mas que tenho sérias dúvidas que tenha um título académico sequer. Prova disso mesmo reside nas imagens infra:

Com Teresa Anjinho, deputada do CDS por Aveiro

Com Teresa Anjinho novamente e com Maria José França (Presidente da CPC Aveiro)

Com Teresa Caeiro e Beatriz Magalhães Ferreira (uma das suas fiéis parceiras)

Novamente com Teresa Anjinho

Com Beatriz Magalhães Ferreira e Orízia Roque, que será muito próxima de Paulo Portas

Com Paulo Portas

Outras imagens podiam também ter sido publicadas, mas deixo-as para quem visitar o perfil da visada. Desde Maio de 2012 que venho denunciando a farsa aos órgãos do Partido e aos militantes. O que recebi do Conselho Distrital de Setúbal - na sequência de uma denúncia também contra outras pessoas - foi um aviso para deixar o assunto enterrado sob pena de responder disciplinarmente. Fiz nova denúncia ao Conselho Nacional de Jurisdição há mais de 2 meses e até agora reina o silêncio. Tudo normal. Denunciei a situação em grupos de Facebook com mais de 1.500 e 2.000 pessoas, onde esta senhora faz estragos contra a imagem de militantes, e fui repreendido e todo o conteúdo foi eliminado, tendo os administradores destes grupos justificado tal comportamento com o facto de se tratarem de «questões pessoais». Não é pessoal, acreditem.

O que pretendo, afinal, com toda esta exposição? Não apenas alertar, uma vez mais, as pessoas para o engodo de que estão a ser alvo quando se deixam seduzir e acarinhar por Graça Moura. Pretendo que fique gravado que, por diversas vezes, houve quem alertasse para uma versão feminina de ABS no CDS e que várias pessoas ignoraram todos os avisos. Podes enganar quem quiseres, Graça, mas nunca me enganaste a teu respeito.

Esta senhora ainda vai dar que falar - dificilmente pelos melhores motivos - e quando procurarem pelo nome dela vão encontrar este e outros textos e constatarão que só se deixaram enganar porque quiseram. Os avisos foram feitos, mas nunca ninguém quis saber deles. Nessa altura, estarei eu a rir-me a bandeiras despregadas. Afinal, fizeram por merecer!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

CDS vai ao beija-mão a Fernando Seara


Não consigo olhar com confiança para candidaturas que antes de o serem definem como principal missão a destruição dos planos de uma outra e, em vez de se apresentarem como alternativa e prepararem uma campanha nesse sentido, definem como plano A a colagem a terceiros como forma de chegar ao poder custe o que custar. Estas são as linhas gerais que conseguimos retirar da entrevista de João Gonçalves Pereira, Presidente da Comissão Política Concelhia de Lisboa do CDS-PP.

Esta entrevista é elucidativa, até porque ficamos a saber que, afinal, (i) Fernando Seara é «da área política do CDS», (ii) o mérito é uma questão secundária pois «temos de ter um candidato com notoriedade e que seja reconhecido pelos lisboetas» e, finalmente, (iii) já pouco falta para vermos o CDS de joelhos a implorar por uma coligação com Seara. Fica patente que o importante é tirar António Costa do poder e o CDS está disposto a fazer tudo para atingir esse fim, contentando-se mesmo em servir cafés aos vereadores do PSD - que é o que vai acontecer, excepto a João Gonçalves Pereira, que, caso a coligação vença as eleições, será vereador - desde que os dois juntos consigam derrotar o PS.

Se este é o discurso a 10 meses das eleições, dentro de no máximo 2 ou 3 meses veremos o CDS a assinar de cruz qualquer coisa que o PSD lhe proponha e que não exclua João Gonçalves Pereira do Executivo. Sempre pelo bem de Lisboa, pois claro. A sede de poder fala mais alto, a possibilidade de lá chegar é a verdadeira prioridade e o Partido perde personalidade. A começar desta maneira, não será surpresa se o PSD conseguir fazer gato-sapato do CDS... para não variar. Ainda ninguém aprendeu a lição ou já a terão aprendido mas resignaram-se. Lutar por ser uma verdadeira alternativa dá trabalho, exige vontade e competência e é mais fácil ir à boleia dos outros para conseguir cumprir objectivos de carreira pessoais. À volta, o harém vai aplaudindo e agitando as bandeiras. Acabam por fazer uma campanha em favor do homem e não do colectivo.

No fundo, é por estas e por outras que o CDS dificilmente conseguirá ultrapassar a linha dos 12% e será, para sempre, o partido muleta, dos barões subalternos, que dá maiorias para os outros governarem. E temo que muita gente se contente com este quadro, até porque, enquanto o Partido for pequeno, maiores serão as possibilidades de uma pequena elite garantir que é a corrente dominante que controla uma filial do PSD mascarada de CDS.

Esta forma de estar na política e na sociedade envergonha-me e alguns dos mais ilustres homens e mulheres que este País já conheceu ao longo da sua história devem estar a dar voltas aos respectivos túmulos com esta prova de subserviência e derrotismo. Afinal, se a linha seguida pelo actual CDS fosse a seguida pelos que marcaram a nossa história, provavelmente a esta hora falaríamos todos castelhano ou árabe.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Desequilíbrios entre salários de gestores e trabalhadores: o debate com António Pires de Lima

Há cerca de dois meses, durante um evento do CDS-PP no Seixal, tive a oportunidade de fazer uma intervenção junto de António Pires de Lima e Nuno Magalhães, manifestando a minha objecção à política de severa austeridade que está a ser seguida sem quaisquer planos de crescimento económico, os quais são fundamentais não só para manter o barco à deriva como para lhe atribuir um motor que nos leve aonde quisermos.

Neste mesmo evento, indiquei que a austeridade não é o único factor de agravamento para as famílias, mas também a crescente desigualdade ao nível salarial entre gestores e trabalhadores constitui motivo de aumento das dificuldades, sobretudo quando notamos que os gestores auferem cada vez mais e, sob o pretexto da crise, aplicam cortes agressivos com os custos para poderem auferir ainda mais. Ora, a prossecução do lucro é mais do que legítima no sector privado, mas jamais quando este enriquecimento é feito através do sacrifício das famílias de trabalhadores que, honestamente, contribuem para os bons resultados da empresa. Urge, assim, a necessidade de combater estas desigualdades.

Neste sentido, dei como exemplo a norte-americana Walmart, cujo Presidente do Conselho Executivo aufere mais numa hora do que os seus funcionários num ano. Mais acrescentei que, segundo um estudo conduzido em 2010, o gestor/administrador médio auferia 30 vezes mais que um trabalhador, na década de 1970, enquanto que, actualmente, aufere 319 vezes. Tal significa que num espaço de aproximadamente 40 anos, o desequilíbrio entre trabalhadores e administradores agravou-se significativamente (superior a 100 vezes). Devíamos ter evoluído e não regredido. Caminhamos para um mundo melhor? Estou certo que não. E a Europa (onde Portugal não constitui excepção) é o mero reflexo deste quadro vivido nos Estados Unidos.

A reacção de Pires de Lima à minha intervenção não podia ter sido mais surpreendente ao dizer que «não é intelectualmente honesto comparar-se o exemplo dos Estados Unidos com o da Europa, sendo que no primeiro uma única pessoa pode auferir, por vezes, milhares de milhões de dólares num ano, o que na Europa é quase impensável... já para não falar na filosofia que guia o empreendedorismo num e noutro». Concordo que os valores ao nível singular, nos Estados Unidos, atingem números pouco prováveis de conseguir atingir na Europa, porém, a diferença entre classes não deixa de ser igualmente gritante. Aliás, podemos falar dos casos de António Mexia, Zeinal Bava e do escolhido dos chineses para a EDP, Eduardo Catroga. Comparemos a disparidade entre o salário de qualquer um destes gestores e os seus empregados e constatemos que, em alguns casos, o gestor aufere cerca de 100 vezes mais do que o empregado. Comparemos agora a diferença média registada em Portugal, a qual, segundo o Editorial de hoje do Público já é de 44 vezes mais tendo aumentado 18,2% em apenas dois anos.

Parece que, afinal, eu tinha razão e Pires de Lima não estaria certo quando me acusou de desonestidade intelectual por comparar os Estados Unidos com a Europa. A diferença acentua-se e a tendência é para continuar. E permanecem ainda por atacar - não se vislumbrando qualquer alteração nos próximos tempos - as causas que levam a esta diferença galopante e que permitem que meia dúzia de personalidades enriqueçam em boa parte à custa de cortes e sacrifícios de consumidores e famílias. Um desses exemplos é o da Galp que, em 2010, registou lucros de €251 milhões de euros e pagou €1,33 milhões em salário ao seu Director Executivo ao mesmo tempo que encerrou 37 postos de abastecimento e lançou 292 pessoas para o desemprego! A desonestidade intelectual está aqui, com a inércia do Primeiro-Ministro e do Ministro da Economia, que insistem em não combater tanto as desigualdades existentes como os excessos de meia dúzia de gestores que insistem em enriquecer desmedidamente graças aos que estão na base da pirâmide e, impotentes, pouco podem fazer. É isto que temos de mudar! É preciso reduzir o fosso entre a base e o topo. Afinal, estamos no século XXI e temos a obrigação de evoluir enquanto seres inteligentes, sociais e destinatários de direitos, liberdades e garantias.