Mostrar mensagens com a etiqueta Domingos Bulhão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Domingos Bulhão. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Autárquicas'2013: análise ao programa eleitoral do PCTP/MRPP para Almada


A candidatura do PCTP/MRPP a Almada, liderada por Domingos Bulhão, tem estado muito activa em acções de campanha no concelho, recorrendo à página de Facebook para divulgar as imagens captadas no contacto com os almadenses, apelando insistentemente ao voto no próximo domingo. A imagem supra é apenas uma das utilizadas pelo candidato.

Relativamente ao programa eleitoral, desconhecemos se tem sido dado a conhecer aos eleitores em qualquer formato físico, apesar de sabermos que o candidato tem distribuído panfletos nas suas acções de campanha. Contudo, Domingos Bulhão publicou recentemente as linhas gerais do seu programa eleitoral na página de Facebook, lamentando-se que não se dê o destaque merecido ao mesmo.

Num manifesto eleitoral extremamente agressivo contra o poder central e num discurso por vezes fundamentalista, o candidato assume que as autarquias locais são o palco privilegiado para provocar «o derrube do governo de traição nacional chefiado por Passos Coelho, bem como do seu defensor e protector, Cavaco Silva» (sic). Assim, na visão do MRPP, os órgãos de poder local devem constituir «bases de apoio» para «o combate» aos «instrumentos de políticas terroristas de austeridade contra as populações trabalhadoras».

Paralelamente, defende, de forma muito vaga, que os recursos dos municípios sejam colocados à exclusiva disposição dos órgãos de poder local, que devem ser criadas condições para se instalarem «indústrias, em particular as tecnologicamente avançadas», incentivado o comércio local e «bater-se pela qualificação dos jovens e dos trabalhadores», entre outros ideais defendidos pelo Partido mas mais dirigidos à política nacional, sem indicar como pretende fazê-lo através dos órgãos autárquicos.

Do ponto de vista fiscal, Domingos Bulhão defende a «abolição ou forte diminuição de todos os impostos e taxas municipais que não se enquadrem nestes princípios gerais», seja lá isso o que for, e defende a gratuitidade dos serviços públicos de saúde, educação, assistência aos idosos e de gestão e tratamento dos espaços públicos e ainda o financiamento público da água, saneamento e transportes colectivos. Relativamente aos transportes, o candidato propõe mesmo que os custos sejam assumidos pelo Município, pelas entidades que beneficiam com a rede de transportes (empresas e estabelecimentos de ensino) e pelos utentes [estes apenas suportam 5% dos custos]». Acrescente ainda a defesa da extensão da linha do Metro Sul do Tejo até ao Hospital Garcia de Orta e à Costa da Caparica.

Paralelamente, é a favor da extinção dos parquímetros e da utilização gratuita dos parques subterrâneos nas primeiras horas. Já em matéria de urbanismo e ordenamento do território, é a favor de políticas locais que «garantam a construção e disponibilização de casas amplas, de qualidade e a um preço condigno a todas as famílias», que sejam criadas condições para o estabelecimento de jovens com «fracos recursos económicos» e opõe-se veementemente contra o terminal de contentores na Trafaria - como, aliás, praticamente todas as candidaturas.

Critica indirecta e duramente a gestão CDU em Almada, acusando-a de transformar os «solos urbanos» em «meros objectos de leilão ao dispor da cobiça dos ricos e de corruptos. Assim, propõe-se a revogar o Plano Director Municipal (PDM) para atrair a indústria para o concelho, a promover auditorias urgentes às contas do Município, a recusar os Planos de Ajustamento Financeiro Municipal, a extinguir todas as empresas municipais e «lugares de empregos autárquicos». Prossegue ainda em favor da «recusa da "municipalização" dos serviços de saúde, educação, a qual serve uma estratégia de privatização desses serviços» e em defesa do controlo municipal dos serviços essenciais, incluindo a «exigência de transferência para os municípios das verbas necessárias ao funcionamento adequado desses serviços».

Finalizando, é muito provável que o programa proposto pelo candidato Domingos Bulhão se revele de exequibilidade praticamente impossível se se pretender manter em funcionamento a própria autarquia. Na realidade, apresenta ideias que demonstram muito boa vontade e o bom coração que o candidato tem, mas trata-se de um programa utópico, fazendo lembrar, inúmeras vezes, o programa eleitoral do CDS-PP para Almada, por mais paradoxal que possa parecer, uma vez que promete eliminar fontes de receitas do município ao mesmo tempo que se propõe a oferecer inúmeros serviços e regalias.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Autárquicas'2013: mais propaganda nas ruas de Almada (PSD, CDU, CDS-PP e PCTP/MRPP)

Mantém-se a aposta dos candidatos às autárquicas na propaganda de rua, em Almada. Novos outdoors, mais MUPI e mais propaganda em postes de iluminação. O primeiro desses exemplos é o novo cartaz do PSD:


Mais um bom cartaz da candidatura do PSD a Almada. Cores claras, Almada como pano de fundo e o ar natural do candidato, sem retoques de imagem - se houve alguma modificação, está bem feita. Os responsáveis pela comunicação e imagem de António Neves fizeram um excelente trabalho ao insistirem na tendência do outdoor anterior de destacarem medidas concretas para o município. São, aliás, os únicos que o fazem. Mantêm-se fiéis à identidade do Partido e exibem o logótipo do PSD e ainda o do mote de campanha e o slogan «Um futuro para todos», o código QR e o endereço de Facebook. O «Estamos juntos» também beneficia este cartaz, pois cria uma ligação entre o candidato e o eleitor.

Como pontos contra destaco o facto de não ser feito o apelo ao voto e de se colocar cartazes com a proposta de extinção da ECALMA fora da área de jurisdição desta entidade, não sendo, portanto, uma ameaça directa (por exemplo, na Cova da Piedade, junto à REPSOL). Ainda assim, mais um bom exemplo de propaganda.


No que respeita aos MUPI, repare-se nos da CDU:


Já estão disponíveis em todas as freguesias, atacando uma rotunda ou uma curva perto de si. Na verdade, a CDU tem uma estratégia muito interessante em matéria de propaganda eleitoral: outdoor 8x3 e 2x1,5 para o candidato à Câmara Municipal, propaganda em postes de iluminação com o nome e as cores da CDU, MUPI para os candidatos às Juntas de Freguesia e panfletos nas caixas do correio com os candidatos à Câmara Municipal e à Junta respectiva. Pelo meio, uma revista de 8 páginas, a cores, bem concebida, com o programa para cada freguesia e apresentação de todos os candidatos, que é inserido nas caixas de correio. Basicamente, a CDU está em todo o lado. Uma estratégia, no nosso entender, francamente boa.


Seguem-se os MUPI da candidatura do PCTP/MRPP:


Saúda-se a presença significativa dos MUPI da candidatura de Domingos Bulhão. Ainda só tive oportunidade de me cruzar com estes MUPI (vários) nas freguesias de Laranjeiro e Feijó, mas estes MUPI destacam-se. Seguem um modelo muito semelhante ao do primeiro outdoor do MRPP, com a vantagem de ter sido eliminado aquele rebordo vermelho que era fiel à identidade do Partido mas dava um ar muito pesado e antiquado à propaganda. Por outro lado, assinala-se também o facto de haver um apelo claro ao voto com a indicação da designação do Partido, ser incluído o logótipo como estará visível no boletim de voto e ainda a cruz assinalada no quadrado que valida o voto. A palavra «VOTA» está bem destacada, a fotografia do candidato também e saúda-se a inclusão do sítio de internet do PCTP/MRPP e também de um e-mail de contacto. Todas estas alterações face ao primeiro outdoor constam agora do cartaz visível na rotunda do Centro Sul. No nosso entendimento, jogam favoravelmente com a candidatura.

Como ponto negativo desta propaganda apenas (i) a ausência de referência à página de Facebook da candidatura e (ii) a colocação dos outdoors. Com efeito, parece ser evidente a tendência de se colocarem MUPI entre duas saídas das rotundas, de costas voltadas para os transeuntes e a apostarem claramente em quem circula de automóvel. O problema é que quem sai da rotunda acelera e quem entra nela é que tem de abrandar, pelo que talvez fosse melhor apostar nos MUPI nas principais entradas das rotundas e/ou, eventualmente, também viradas para o passeio onde os transeuntes a possam ver. Apesar de tudo, denota-se o esforço em querer chegar aos eleitores, o que se saúda.


Um outro destaque é dado à propaganda do CDS-PP afixada nos postes de iluminação:


A qualidade não é a melhor, mas a candidatura tenta estar presente. É bem visível o rosto do candidato à Junta de Freguesia e o logótipo do Partido. Como sabemos, o excessivo amadorismo na campanha do CDS-PP em Almada é mais do que patente, pelo que o slogan inscrito é o possível tendo em conta as limitações da concelhia - todos eles, em geral, são demasiado toscos. Como ponto negativo, assinale-se o facto de um pequeno Partido como o CDS-PP concorrer com os maiores (PS e CDU) em espaços comuns - como se pode ver nesta imagem e nos vários pontos das ruas de Feijó e Laranjeiro, deixando, inacreditavelmente, espaços vazios de ruas e avenidas sem um único cartaz - uma vez que não está neste espaço nenhum afixado de qualquer um dos adversário. É, porém, a única lista a afixar propaganda mesmo à porta da Junta de Freguesia do Feijó.

Finalmente, estranha-se que apenas esteja afixada propaganda no Feijó e no Laranjeiro, o que permite chegar a uma de duas conclusões: ou vão afixar o que falta nos próximos dias - e se assim for será em cima das eleições perdendo a propaganda a sua utilidade - ou então será o candidato à Junta de Freguesia ou alguém ligado a ele a financiar estes cartazes. No mais, nem um outdoor, nem um MUPI. Apenas os «outdoors digitais» que já aqui comentámos e que são de tão baixa qualidade que nos fazem interrogar se o Partido que recebeu mais de €14.000 em subvenções do Estado nas eleições autárquicas de 2009 não consegue encontrar uma única pessoa, minimamente criativa e com bom senso, no Partido ou fora dele, que ajude a fazer cartazes minimamente decentes.


Como é que alguém permite que o Partido se promova e promova um candidato desta maneira? Recorte da imagem à pedrada - até as orelhas cortaram ao rapaz, que parece ter sido dopado antes de tirar a fotografia (ou então acabou de acordar) - e colagem a cuspo num fundo criado num slide de Powerpoint. O nome do candidato nem sequer aparece, se é que seja este o candidato, não há qualquer disciplina no tipo de letra e na disposição de uma frase tão simples - repare-se que «nova» é escrito em letra minúscula mas «Novo» já começa por maiúscula -, no lema mais básico possível.


Uma vez mais os erros gramaticais, com uma vírgula entre o sujeito e o predicado. Tipo de letra desarmonizado relativamente aos restantes «outdoors» - a indisciplina é a ordem nesta concelhia - e um lema também ele muito tosco.


Não foi por acaso que esta triste imagem teve direito a uma referência na página dos Tesourinhos das Autárquicas 2013. É demasiado má para ser verdade. Estamos a falar de Almada, no século XXI, e o candidato publica uma imagem altamente pixelizada, do século passado (literalmente), estreita-a para parecer menos cheio do que é na realidade e acaba a benzer o eleitorado com um «Em Nome de Todos». Não se fazem slides de Powerpoint deste calibre desde que o Windows 3.11 chegou ao mercado. Um «outdoor» destes, afixado nas ruas de Almada, ou é alvo de chacota geral ou só conquista votos por pena, dado o modo de concepção tão franciscano.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O outdoor do PCTP/MRPP em Almada (Domingos Bulhão)


Este é o cartaz que, depois de ter sido publicado na página de Facebook do Partido, foi muito recentemente afixado no espaço que o PCTP/MRPP tem em Almada, mais concretamente na rotunda do Centro Sul, e que dá a conhecer aos munícipes o candidato à Câmara Municipal de Almada do Partido, Domingos Bulhão.

Pontos fortes:
  • A localização do cartaz. Na rotunda do Centro Sul, o melhor ponto de publicação de anúncios/propaganda é o espaço onde está o outdoor do MRPP. Começa a ver-se logo ao longe e até o do PS, que está do lado esquerdo, fica coberto pela «obra-de-arte» no centro da rotunda.
  • É um cartaz completamente original - não há nenhum que siga este conceito de imagem de fundo com um contorno exterior - e fiel à identidade do Partido. Desde logo o estilo - a recordar a propaganda de outros tempos em que a propaganda se fazia desta maneira com muito sucesso - como a cor predominante (o vermelho) e até a imagem a dar destaque à Lisnave - afinal, os trabalhadores são o nicho de mercado definido pelo MRPP e será difícil representar melhor os trabalhadores em Almada do que remeter para os tempos áureos da indústria naval no concelho e um dos grandes símbolos do município.
  • O lema «dar voz aos almadenses» acaba por ser bem conjugado com a imagem escolhida para representar Almada, transmitindo a mensagem que o candidato do PCTP/MRPP pretende dar voz a uma Almada que parece esquecida e abandonada.
  • A imagem do candidato, que ocupa um espaço assinalável no cartaz: fato e gravata de cores simples como que querendo transmitir um profissionalismo qualificado, afastando o estereótipo do operário de fato macaco ou blusa aberta no qual as muitos ainda olham com desdém.
  • O bigode farto também ajuda a olhar para o candidato como sendo um homem do povo e não o típico tecnocrata cinzentão mandatado pelos partidos para cumprir os seus interesses.
  • O nome bem destacado do candidato, assinalando-se o facto de o apelido poder remeter um homem da terra, Bulhão Pato.


Pontos fracos:
  • A ausência do cargo a que se candidata Domingos Bulhão. Depreende-se que seja à Câmara Municipal, mas não se tem a certeza disso. E o facto de se ler «eleições autárquicas 2013» não é suficiente para se chegar a essa conclusão.
  • Considerando-se que é provável que o PCTP/MRPP mantenha este outdoor até às eleições, lamenta-se a ausência de uma proposta eleitoral que seja para a cidade. Só o lema e o nome do candidato não são suficientes.
  • A ausência de outro meio de contacto directo com a candidatura além da página geral do Partido - e sabe-se que o MRPP Almada tem página de Facebook.
  • A confusão passível de ser gerada com o logótipo do Partido, que está já numa dimensão considerável, mas talvez fosse boa ideia estar ainda maior para se poderem ler bem as siglas do Partido, uma vez que a foice e o martelo poderão voltar a induzir em erro eleitores com pretensões de votar PCTP/MRPP ou de votar na CDU - e daí que o facto de se ver melhor a foice e o martelo talvez seja uma vantagem para o MRPP.
  • O facto de o cartaz ser fiel à identidade do Partido constitui um factor positivo para quem se identificar com este estilo, mas acaba por ser um estilo ultrapassado e que permite dar razão aos estereótipos que associam o Partido a um passado revolucionário já bastante distante da realidade. Almada já não tem uma população tão envelhecida como tinha noutros tempos e, com este estilo, torna-se difícil cativar as gerações abaixo dos 40 anos de idade.
  • Não apresenta mais nenhum candidato a nenhum órgão, o que poderia ser vantajoso para a candidatura se surgisse, por exemplo, alguém mais jovem e, eventualmente, do sexo feminino.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A estratégia autárquica do PCTP/MRPP para Almada

O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (PCTP/MRPP) tem um candidato à Câmara Municipal de Almada: Domingos Bulhão.

No entanto, o partido só pode depositar muita fé numa campanha em que poucos sabem da existência do candidato, uma vez que, em vez de aproveitar o outdoor gigante que tem no Centro Sul, a pouco mais de 1 mês das eleições, o PCTP/MRPP dedica um dos seus raros meios de comunicação - além da pouco cívica pintura de murais públicos - a isto:


N.d.r.: A foto de cima foi retirada do site Biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira.