O cartaz exposto em Cacilhas (foto retirada da página de Facebook do BE Almada)
O cartaz da candidatura do Bloco de Esquerda a Almada já se encontra nas ruas desde o início do mês de Julho. Algo que, por si só, já é de assinalar a três meses das eleições, sobretudo se nos recordarmos das últimas autárquicas, em que a estratégia do Bloco pareceu mal delineada e feita sob pressão, com uma aposta nos MUPI em detrimento dos cartazes gigantes e já muito em cima do acto eleitoral.
Desta vez, ainda não temos os MUPI (que vão acabar por surgir em complemento aos cartazes de maior dimensão e é muito provável que venham a replicar a imagem dos cartazes gigantes devidamente adaptadas), mas o Bloco já está nas ruas e em vários locais estratégicos (as rotundas são um clássico de qualquer partido ou movimento político).
À parte a correcção do já identificado erro de 2013, a campanha do Bloco de Esquerda para as autárquicas de Almada repete muito da receita de há quatro anos, começando nos cabeças-de-lista - Joana Mortágua para a Câmara Municipal e Carlos Guedes para a Assembleia Municipal. Mas as repetições não se ficam por aqui, senão vejamos:
Face ao já conhecido, é possível fazer a seguinte avaliação ao cartaz do Bloco de Esquerda:
Pontos fortes:
Pontos fracos:
Desta vez, ainda não temos os MUPI (que vão acabar por surgir em complemento aos cartazes de maior dimensão e é muito provável que venham a replicar a imagem dos cartazes gigantes devidamente adaptadas), mas o Bloco já está nas ruas e em vários locais estratégicos (as rotundas são um clássico de qualquer partido ou movimento político).
À parte a correcção do já identificado erro de 2013, a campanha do Bloco de Esquerda para as autárquicas de Almada repete muito da receita de há quatro anos, começando nos cabeças-de-lista - Joana Mortágua para a Câmara Municipal e Carlos Guedes para a Assembleia Municipal. Mas as repetições não se ficam por aqui, senão vejamos:
- A clara apresentação (e até o alinhamento) dos cabeças-de-lista aos órgãos municipais (Joana Mortágua à direita e à frente de Carlos Guedes);
- A semelhança entre o lema e o sub-lema da campanha de 2017 com os de 2013: há quatro anos era "Em Bloco por Almada: marca a diferença" e agora é "Contigo, por Almada: a força do Bloco faz a diferença".
Face ao já conhecido, é possível fazer a seguinte avaliação ao cartaz do Bloco de Esquerda:
Pontos fortes:
- Sem tecer comentários positivos ou negativos sobre estilos de visual e de vestir, porque cada um tem o seu perfil, é facilmente perceptível a forma como Joana Mortágua abandonou o estilo "juvenil" e "rebelde" de 2013 e adopta agora um estilo mais maduro e profissional, com vista a uma maior aproximação a todas as faixas etárias.
- O Bloco de Esquerda identifica quem são os cabeças-de-lista aos órgãos municipais, não sendo desejável mais do que os dois principais sob pena de gerar confusão visual. Espera-se e compreende-se que identifique os cabeças-de-lista aos órgãos de freguesia noutro formato.
- O rosto e a identificação dos cabeças-de-lista ocupam espaço suficiente para poderem ser facilmente reconhecidos.
- O fundo do cartaz marca uma evolução positiva face ao branco de 2013. Aqui, o facto de o fundo revelar um conjunto de pessoas desfocadas favorece o destaque dado ao cartaz do Bloco já que coloca os dois cabeças-de-lista à frente como que a representar todos os desconhecidos que estão desfocados e que podem ser qualquer cidadão de Almada.
- O símbolo do partido ocupa espaço suficiente e destaca-se do resto do cartaz.
- O tamanho da letra escolhida para o mote é o ideal.
- O sub-lema escolhido "a força do Bloco faz a diferença", que destaca o partido face aos restantes e promove-o como capaz de fazer algo que outros não conseguem.
- Os cartazes principais estão localizados em pontos estratégicos que garantem a sua visualização por muita gente.
- A semelhança grosseira entre os lemas e sub-lemas de 2013 e 2017: denota falta de criatividade... para quem se lembrar dos de 2013.
- O lema escolhido para 2017 ("Contigo, por Almada") é manifestamente pobre e insosso. Era expectável e exigível algo mais impactante, condizente com a boa escolha gráfica.
- A cor da letra escolhida para o lema é infeliz - embora se compreenda que o vermelho seja uma das cores do Bloco -, já que o vermelho confunde-se facilmente com inúmeras outras cores e mais ainda com fundos multicolores. Se se quiser usar o vermelho como tipo de letra, é preferível usar um contorno para autonomizar esta cor do resto do cartaz.
- A ausência de indicação de meios de contacto físicos ou virtuais e de perfis nas redes sociais ou na internet em geral.
- Não apresenta quaisquer propostas, o que é bastante negativo para quem se propõe a eleições.
- O Bloco dirigir-se ao eleitorado tratando-o por "tu" (no "contigo" do lema) não me parece uma estratégia feliz.
Em suma, o Bloco de Esquerda apresenta cartazes muito mais interessantes que os de 2013, apesar de ainda denotar algumas fragilidades passíveis de serem corrigidas. Assusta a falta de sensibilidade para as redes sociais e para a internet, sobretudo quando são cada vez mais as pessoas que dão importância a isso e são as novas tecnologias cada vez mais decisivas em actos eleitorais. É certo que os cartazes não decidem eleições, mas ajudam. E ajudam, não só a reconhecer os candidatos como a reconhecer propostas e outros dados importantes das candidaturas, como as formas de se chegar a elas. O Bloco parece ainda alienado desta realidade e revela distanciamento de meios gratuitos e que podem revolucionar campanhas.



