Mostrar mensagens com a etiqueta Bloco de Esquerda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bloco de Esquerda. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Almada | Autárquicas'2017: os cartazes do Bloco de Esquerda

O cartaz exposto em Cacilhas (foto retirada da página de Facebook do BE Almada)

O cartaz da candidatura do Bloco de Esquerda a Almada já se encontra nas ruas desde o início do mês de Julho. Algo que, por si só, já é de assinalar a três meses das eleições, sobretudo se nos recordarmos das últimas autárquicas, em que a estratégia do Bloco pareceu mal delineada e feita sob pressão, com uma aposta nos MUPI em detrimento dos cartazes gigantes e já muito em cima do acto eleitoral.

Desta vez, ainda não temos os MUPI (que vão acabar por surgir em complemento aos cartazes de maior dimensão e é muito provável que venham a replicar a imagem dos cartazes gigantes devidamente adaptadas), mas o Bloco já está nas ruas e em vários locais estratégicos (as rotundas são um clássico de qualquer partido ou movimento político).

À parte a correcção do já identificado erro de 2013, a campanha do Bloco de Esquerda para as autárquicas de Almada repete muito da receita de há quatro anos, começando nos cabeças-de-lista - Joana Mortágua para a Câmara Municipal e Carlos Guedes para a Assembleia Municipal. Mas as repetições não se ficam por aqui, senão vejamos:

  • A clara apresentação (e até o alinhamento) dos cabeças-de-lista aos órgãos municipais (Joana Mortágua à direita e à frente de Carlos Guedes);
  • A semelhança entre o lema e o sub-lema da campanha de 2017 com os de 2013: há quatro anos era "Em Bloco por Almada: marca a diferença" e agora é "Contigo, por Almada: a força do Bloco faz a diferença".

Face ao já conhecido, é possível fazer a seguinte avaliação ao cartaz do Bloco de Esquerda:

Pontos fortes:
  • Sem tecer comentários positivos ou negativos sobre estilos de visual e de vestir, porque cada um tem o seu perfil, é facilmente perceptível a forma como Joana Mortágua abandonou o estilo "juvenil" e "rebelde" de 2013 e adopta agora um estilo mais maduro e profissional, com vista a uma maior aproximação a todas as faixas etárias.
  • O Bloco de Esquerda identifica quem são os cabeças-de-lista aos órgãos municipais, não sendo desejável mais do que os dois principais sob pena de gerar confusão visual. Espera-se e compreende-se que identifique os cabeças-de-lista aos órgãos de freguesia noutro formato.
  • O rosto e a identificação dos cabeças-de-lista ocupam espaço suficiente para poderem ser facilmente reconhecidos.
  • O fundo do cartaz marca uma evolução positiva face ao branco de 2013. Aqui, o facto de o fundo revelar um conjunto de pessoas desfocadas favorece o destaque dado ao cartaz do Bloco já que coloca os dois cabeças-de-lista à frente como que a representar todos os desconhecidos que estão desfocados e que podem ser qualquer cidadão de Almada.
  • O símbolo do partido ocupa espaço suficiente e destaca-se do resto do cartaz.
  • O tamanho da letra escolhida para o mote é o ideal.
  • O sub-lema escolhido "a força do Bloco faz a diferença", que destaca o partido face aos restantes e promove-o como capaz de fazer algo que outros não conseguem.
  • Os cartazes principais estão localizados em pontos estratégicos que garantem a sua visualização por muita gente. 

Pontos fracos:
  • A semelhança grosseira entre os lemas e sub-lemas de 2013 e 2017: denota falta de criatividade... para quem se lembrar dos de 2013.
  • O lema escolhido para 2017 ("Contigo, por Almada") é manifestamente pobre e insosso. Era expectável e exigível algo mais impactante, condizente com a boa escolha gráfica.
  • A cor da letra escolhida para o lema é infeliz - embora se compreenda que o vermelho seja uma das cores do Bloco -, já que o vermelho confunde-se facilmente com inúmeras outras cores e mais ainda com fundos multicolores. Se se quiser usar o vermelho como tipo de letra, é preferível usar um contorno para autonomizar esta cor do resto do cartaz.
  • A ausência de indicação de meios de contacto físicos ou virtuais e de perfis nas redes sociais ou na internet em geral.
  • Não apresenta quaisquer propostas, o que é bastante negativo para quem se propõe a eleições.
  • O Bloco dirigir-se ao eleitorado tratando-o por "tu" (no "contigo" do lema) não me parece uma estratégia feliz.

Em suma, o Bloco de Esquerda apresenta cartazes muito mais interessantes que os de 2013, apesar de ainda denotar algumas fragilidades passíveis de serem corrigidas. Assusta a falta de sensibilidade para as redes sociais e para a internet, sobretudo quando são cada vez mais as pessoas que dão importância a isso e são as novas tecnologias cada vez mais decisivas em actos eleitorais. É certo que os cartazes não decidem eleições, mas ajudam. E ajudam, não só a reconhecer os candidatos como a reconhecer propostas e outros dados importantes das candidaturas, como as formas de se chegar a elas. O Bloco parece ainda alienado desta realidade e revela distanciamento de meios gratuitos e que podem revolucionar campanhas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Cartazes das Legislativas: Bloco de Esquerda


Os cartazes do Bloco de Esquerda tendem a não seguir um padrão coerente: ora são demasiado simples (como os das Legislativas ou das Presidenciais só com o rosto dos candidatos e um mote), ora são mais elaborados (cheios de motivos).

O cartaz de cima é o que o BE expõe há já várias semanas e é incisivo: tenta recordar aos portugueses a privatização de empresas públicas ligadas aos mais variados sectores (dos transportes às energias passando pelos Correios), criticando a opção do Governo. Aproveita e, tacitamente, comunica ao eleitorado o que defende: empresas de serviço público devem estar sob controlo do Estado (ao escrever "a todos o que é de todos").

A mensagem é simples, categórica e, como referi, certeira. Denuncia a acção do Governo e declara o que defende como alternativa. O tamanho e o tipo de letra são, a meu ver, perfeitos (mesmo com um fundo vermelho não agressivo e as letras brancas). A mensagem secundária, idem (e a alternância entre a letra preta e vermelha cria um bom efeito).

A conjugação de cores para o cartaz (vermelho, branco, preto e cinzento) funciona muito bem. No entanto, as imagens podiam estar expostas de outra forma, porque acabam por causar alguma confusão. Destaca-se o avião e o autocarro, mas a REN, o Metro e os CTT ficam meio esbatidos e só com algum tempo e atenção é que se percebe o que lá está - recorde-se que os cartazes devem ser simples para que a mensagem seja facilmente compreendida pelo destinatário.

No mais, o símbolo e as letras do partido podiam estar maiores e totalmente sob fundo branco (o símbolo fica meio perdido na roda do autocarro) e falta, claro, um meio de contacto ou uma página electrónica que as pessoas possam visitar para aceder às propostas do Bloco de Esquerda (isto partindo do princípio que a página do BE tem ou vai ter estas respostas).

Em suma, o cartaz é bom, mas é fácil melhorá-lo.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Quem foi eleito para a Assembleia Municipal de Almada?

De acordo com o art. 42.º n.º 2 da Lei das Autarquias Locais, para a Assembleia Municipal, «o número de membros eleitos directamente não pode ser inferior ao triplo do número de membros da respectiva câmara municipal».

Uma vez que a Câmara Municipal de Almada é composta por 11 membros, a Assembleia Municipal tem, no mínimo 33. Sem considerar as eventuais renúncias aos mandatos que possam vir a acontecer, foram eleitos os seguintes nas eleições de 29 de Setembro de 2013:


 José Manuel Maia (CDU)

Bruno Dias (CDU)

Luísa Ramos (CDU)

Carlos Revés (CDU)

Elisabete Pereira (CDU)

José Lourenço (CDU)

João Geraldes (CDU)

Sónia Silva (CDU)

Nuno Vitorino (CDU)

Nuno Gonçalves (CDU)

Ana Luísa Carvalho (CDU)

Daniel Sobral (CDU)

José Gabriel (CDU)

Eva Araújo (CDU)
Ana Catarina Mendes (PS)

José Joaquim Courinha Leitão (PS)

Maria Assis (PS)

Manuel Batista (PS)

Sérgio Bastos (PS)

Odete Alexandre (PS)

Ana Salvado (PS)

João Quintino (PS)

Rita Pereira (PS)
Pedro Matias (PS)

Nuno Matias (PSD)

João Rafael de Almeida  (PSD)

Luísa Varela  (PSD)

Paulo Sabino (PSD)

António Salgueiro (PSD)

 Carlos Guedes (BE)

Pedro Oliveira (BE)

 António Pedro Maco (CDS-PP)

Alexandra Correia (PAN) 


Mais refere, no art. 42.º, n.º 1 da Lei das Autarquias Locais, que os Presidentes das Juntas de Freguesia integram a Assembleia Municipal por inerência, sendo eles os seguintes:
Teresa Coelho (CDU), Presidente da União das Freguesias de Caparica e Trafaria
Ricardo Louçã (CDU), Presidente da União das Freguesias de Almada, Cacilhas, Cova da Piedade e Pragal
Margarida Luna de Carvalho (CDU), Presidente da União das Freguesias de Charneca da Caparica e Sobreda
Luís Palma (CDU), Presidente da União das Freguesias de Laranjeiro e Feijó

José Ricardo (PS), Presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Autárquicas'2013: análise aos resultados eleitorais em Almada

Começamos por fazer uma declaração de interesses: em primeiro lugar, os cenários possíveis para os órgãos autárquicos de Almada, avançados na passada sexta-feira, tiveram como base parcial um número de votantes não muito diferente do das eleições de 2009. Em segundo lugar, cenários possíveis não são certezas antecipadas, porque estas só se conseguem obter de duas formas: ou através da garantia de fraude eleitoral (o que não aconteceu) ou através de uma bola de cristal (o que também não aconteceu).

Assim, importa destacar a abstenção nestas últimas autárquicas: 59,47%! Apesar de agora Almada ter mais 2.192 eleitores, face a 2009, votaram menos 10.578 pessoas, uma queda de 14,87%. Isto é importante para justificar a perda de votos por todas as listas concorrentes que já haviam concorrido em 2009.

Apesar da esperança de muitos em torno da candidatura do PS, confirmaram-se as nossas previsões de nova vitória da CDU. Fazendo uma média das perdas de votos para a Câmara e para a Assembleia Municipal, constatamos que a maioria absoluta da CDU na Câmara Municipal não implica necessariamente a leitura de que houve uma derrota do PS. Com efeito, a média de votos perdidos pela CDU para aqueles dois órgãos municipais juntos foi de 16,45% e o PS foi o que menos sentiu a abstenção (com menos 11,94% de votos). Mais concretamente, o PS apenas perdeu 8,23% do eleitorado para a Câmara Municipal, um valor bastante abaixo da média da abstenção registada em Almada, e a CDU perdeu 14,73% (já dentro do valor).

Conforme já se desconfiava, a dispersão de votos noutros partidos que não PS e PSD apenas beneficiaria a CDU, o que acabou por acontecer. A CDU conquistou maioria absoluta na CÂMARA MUNICIPAL de Almada por 59 votos e tirou, assim, o 4.º vereador ao PS. Ou seja, tal como indicado, «a CDU (...) [aproveitou] a aplicação do Método de Hondt a seu favor para desequilibrar as contas dos restantes Partidos e a divisão de votos». Não houve mérito da CDU nestes 59 votos de diferença, tendo sentido mais os efeitos da abstenção do que o PS, nem demérito da candidatura socialista. O que se passou justifica-se com o que já se havia dito na sexta-feira: «a incógnita PAN», que esteve à beira de se transformar na 5.ª força política do Município e teve um resultado fabuloso para quem se estreia nestas andanças ao mesmo tempo que fez uma campanha muito tímida. Se, tal como em 2009, não tivesse havido candidatura PAN, é provável que o PS conquistasse o 4.º vereador e a CDU mantivesse os 5, contra os 2 que o PSD manteve. PS e PSD teriam, assim, maioria absoluta para deixar a CDU refém. O resgate comunista foi garantido por meros 59 votos.

O novo executivo municipal efectivo de Almada

Para a ASSEMBLEIA MUNICIPAL, referiu-se que «a menos que um Partido consiga uma vitória histórica e esclarecedora, é de todo improvável que qualquer Partido consiga maioria absoluta na Assembleia Municipal», o que também acabou por acontecer. Com a conquista de 4 freguesias, a CDU necessitava de 15 mandatos para conseguir ficar em igualdade na Assembleia Municipal e garantir, por via do voto de qualidade do Presidente, a maioria absoluta. Ficou a 720 votos de não depender de terceiros. Também aqui, o PS não pode dizer que ficou derrotado, acabando por conseguir aumentar a representatividade na Assembleia Municipal com o 10.º deputado que tirou a maioria à CDU.

Agora, será interessante saber como irá a CDU conseguir contornar a falta de maioria. Afinal, basta 1 deputado municipal para garantir a sua pretensão e tem bem à mão 2 deputados do BE e 1 do PAN. Cairá o PAN em tentação ou o BE não aprenderá com os erros dos últimos 4 anos e manter-se-á como satélite da CDU? Tendemos a acreditar que se verificará mais o último cenário e veremos qual será o posicionamento do PAN: terá um comportamento autónomo, alinhará com o PS ou iludir-se-á com a CDU? Qualquer certeza é mera especulação e estaremos cá para ver.


Relativamente às FREGUESIAS, um dos resultados mais assinaláveis da noite foi a conquista da Costa da Caparica pelo PS. Talvez esteja na hora de o PSD Almada perceber que Jorge Pedroso de Almeida não é bem recebido no concelho. Perdeu eleitorado para o CDS, em 2009, na corrida à Câmara Municipal e agora perdeu estrondosamente na Costa da Caparica. O que se destaca aqui é que, apesar da tremenda abstenção, o PS conseguiu aumentar a votação nesta freguesia e a excelente campanha da lista independente «Eu Amo a Costa» garantiu-lhes quase o dobro dos votos relativamente a 2009 e um lugar na Assembleia de Freguesia, retirado ao CDS-PP!

Um outro resultado interessante é o da União das Freguesias da Caparica e Trafaria, onde o PS tem uma derrota pesada e a CDU governará com maioria absoluta (10 mandatos contra 9 de toda a oposição) após os socialistas terem perdido 31,44% dos votos nesta União de Freguesias. Na União das Freguesias do Laranjeiro e Feijó, a CDU perdeu algum fulgor, apesar da maioria absoluta, na União das Freguesias de Almada, Pragal, Cacilhas e Cova da Piedade, manteve-se tudo praticamente na mesma e a CDU acaba por registar uma vitória muito interessante na União das Freguesias da Charneca da Caparica e da Sobreda, aumentando o número de votos, apesar da tremenda abstenção nestas freguesias, e superando o PS, que aqui teria condições para dominar. A CDU cresce e o PS perde com estrondo. Resta saber como vai a CDU garantir a governabilidade sem maioria absoluta, nem mesmo em coligação pós-eleitoral com o BE (na melhor das hipóteses, CDU e BE congregam 9 mandatos contra 10 de PS e PSD).


Em suma, a CDU acaba por ser a maior vencedora da noite eleitoral ao garantir maioria absoluta na Câmara Municipal de Almada. A sorte que teve neste êxito, resultante da aplicação do Método de Hondt, foi a mesma que lhe faltou para conseguir a maioria absoluta na Assembleia Municipal, apesar de ter todas as condições para fazê-lo por via indirecta. Acaba por haver uma inversão dos resultados de 2009, após os quais a CDU dependeu do BE no Executivo e dependia apenas de si própria na Assembleia Municipal. Além do balanço final ser francamente positivo para os comunistas nos dois órgãos municipais, conseguiram ainda resultados francamente bons numa freguesia que ameaçava ser mais disputada do que acabou por ser e noutra onde era previsível a derrota.

O que se pode esperar para Almada com estes resultados? O mesmo dos últimos 37 anos, perspectivando-se a continuação da instrumentalização do BE pela CDU para garantir maiorias na Assembleia Municipal. A maioria dos resultados acaba por ser previsível considerando que a CDU não tem verdadeira oposição em Almada. No entanto, sublinhe-se também que a CDU não facilita nas campanhas eleitorais ou no exercício do próprio mandato, ao contrário dos restantes que ou acordam em cima das eleições ou alguns meses antes de forma acidental - e recordamos o anedótico episódio do pseudo-chumbo do Orçamento Municipal pelo BE, em 2012. E, finalmente, a retórica das «contas em dia» contribui também para estes resultados. Se até a CDU se mantém à frente do extremamente endividado Seixal, como ficar indiferente à retórica da CDU Almada em torno das «contas em dia»?

Excluindo os maus resultados nas duas Uniões de Freguesias supra referidas, o PS acaba por poder fazer um balanço relativamente positivo, uma vez que reforçou a representatividade na Assembleia Municipal, conquistou a Costa da Caparica e foi por muito pouco que não conquistou o 4.º vereador. Acreditamos que os resultados poderiam ter sido melhores e o assalto à Câmara Municipal ter sido mais eficaz se o Partido tivesse promovido devidamente o candidato e também as ideias-chave do programa eleitoral. A margem de manobra do PS, nos próximos 4 anos, não é muito grande, uma vez que só depende de si na Costa da Caparica. No entanto, talvez seja tempo de apostar já na candidatura para daqui a 4 anos para começar a conquistar terreno. Há que começar já a trabalhar junto dos eleitores se não se quiser prolongar a travessia no deserto para, pelo menos, 12 anos - o equivalente aos 3 mandatos que Joaquim Judas poderá cumprir. Ou isso, ou Almada continuará a ser o cemitério de socialistas. Afinal, como as coisas têm funcionado por estes lados, quando se quer queimar e eliminar uma figura do PS, nada como destacá-lo como candidato a Almada para nunca mais se ouvir falar dele.

Apesar de ter perdido uma média de 1/4 dos votos (ou 25,53%), o PSD acabou por não confirmar a surpresa e só se pode queixar de si próprio na Costa da Caparica, onde apostou francamente mal e teve uma derrota que já se adivinhava, embora jamais de forma tão esclarecedora. Ao contrário de outros casos, acreditamos que os resultados para a Câmara Municipal e para a Assembleia Municipal acabaram por ser parcialmente influenciados pela política governativa e que provocou autênticas razias por todo o País. Ainda assim, manteve os mandatos que já tinha em 2009, nestes dois órgãos, o que acaba por mitigar o impacto negativo dos resultados.

Um dos grandes derrotados acaba por ser o BE, que pagou caro ter sido uma verdadeira filial da CDU ao longo dos últimos 4 anos e acabou por perder uma média de 43,03% dos votos para a Câmara Municipal e para a Assembleia Municipal - recorde-se que votaram menos 14,87% de eleitores. E o BE não desapareceu totalmente destes dois órgãos por mero acidente. Tal como sucede com as crianças, o mais ingénuo que dá ouvidos ou mais experiente é que acaba por sofrer as consequências do que fazem ambos em conjunto e entre o original e a cópia é natural que o consumidor/eleitor prefira o original. No entanto, o nosso sexto sentido diz-nos que o BE não aprendeu com os erros recentes e continuará a parceria tácita com a CDU, até enquanto forma de alimentar alguns projectos pessoais.

O segundo grande derrotado é o CDS-PP, com uma inacreditável perda média de votos de 59,96%! Bem mais de metade dos votos foram perdidos pelos centristas que tiraram votos ao PSD em 2009 muito provavelmente influenciados, não por mérito próprio, antes pelo facto de na altura Paulo Portas destacar-se na oposição a José Sócrates, o Partido estar em crescendo a nível nacional e o PSD ter a campanha centrada num candidato que ainda hoje não é bem aceite no concelho. Agora, o CDS perdeu os 3 representantes nas Assembleias de Freguesia, perdeu 1 dos 2 deputados municipais que tinha e só não se eclipsou de vez porque o elevado número de mandatos disponível na Assembleia Municipal de Almada (33) garante a eleição com menos de 3% dos votos. A campanha do CDS foi tão desastrosa que por pouco não foi ultrapassado pelo PAN e pelo PCTP/MRPP.

Ao contrário do PSD, não acreditamos que estes resultados se justifiquem com a presença do CDS no Governo. Com efeito, notamos que no mapa autárquico nacional o CDS alcançou resultados dignos de registo (com a conquista de 4 novos Municípios e aumento da representatividade um pouco por todo o País) e os resultados desastrosos de Almada justificam-se com a incompetência assustadora da Concelhia e o mau trabalho desenvolvido nos órgãos autárquicos, sobretudo na Assembleia Municipal, onde os discursos populistas animavam as hostes mas não acrescentaram nada a Almada. Para o futuro não se adivinha nada de bom, senão a continuação da morte lenta e os recentes posts do Presidente da Concelhia deixam antever que o Partido caminha, definitivamente, para o desaparecimento com 4 anos centrados num único indivíduo, o eleito. Com efeito, António Pedro Maco exultou com a sua própria eleição e, na hora do sucesso, sublinhou «um agradecimento aos eleitores que em mim confiaram e acreditaram», mas para comentar o desastre eleitoral não deixou de fazer o reparo no colectivo com «o CDS-PP Almada, vem desta forma, assumir publicamente que os resultados eleitorais para o partido no concelho de Almada ficaram muito aquém do esperado».

Finalmente, uma palavra para o PAN que quase conseguia ser a 5.ª força política. Esteve a 96 e a 63 votos de igualar o CDS na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal, respectivamente. Foi 5.º na União das Freguesias de Almada, Pragal, Cacilhas e Cova da Piedade e também na Charneca da Caparica e Sobreda. Tudo isto foi feito com muito poucos ou nenhuns recursos. Agora, resta saber que comportamento vai o Partido assumir na Assembleia Municipal, mas ficam os votos de que mantenha a autonomia, não se deixe iludir com as dinâmicas dos outros Partidos e apresente propostas que sejam fiéis aos ideais genéricos assumidos pelo Partido e visitem questões concretas. Devem, a todo o custo, preservar a essência de uma lista independente e evitar tanto os vícios dos Partidos tradicionais como as muitas mãos amigas que vão surgir para obter protagonismo através do PAN, procurando apoiar-se em quem possa, de facto, contribuir para o engrandecimento do Partido e para o desenvolvimento do concelho. Acima de tudo, o PAN tem de demonstrar que não é composto por hipsters e yuppies com ideais ambientalistas, tendo como verdadeiro desafio provar que têm espaço para pessoas de todas as sensibilidades políticas e, acima de tudo, que a sua visão não é redutora e abrange todas as áreas essenciais ao desenvolvimento local.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Autárquicas'2013: balanço final de campanha

Encerra hoje a campanha eleitoral para as autárquicas. Em Almada, as várias candidaturas tiveram prestações distintas, permitindo distinguir 5 grupos:
  • O pelotão da frente com os candidatos ao título, CDU e PS, que fizeram uma forte aposta na propaganda de rua, nas acções de campanha junto instituições e no contacto directo com eleitores, percorrendo todo o concelho;
  • O outsider e imprevisível PSD, que poderá espreitar uma surpresa, com investimento mais baixo em matéria de propaganda, mas muito interessante e concebido, o qual foi acompanhado por diversas acções de rua e junto a instituições de Almada;
  • A luta pela manutenção/sobrevivência, entre BE e CDS-PP, que dão o possível para, pelo menos, manterem a votação de 2009 e não desaparecerem do mapa político municipal, dispondo de propaganda mais limitada e poucas acções de campanha junto dos eleitores;
  • A luta pela promoção, protagonizada pelo PCTP/MRPP, que procura obter uma votação que lhe permita reconquistar mandatos nos órgãos autárquicos, tendo feito uma aposta interessante em propaganda de rua e tendo ainda várias acções de campanha;
  • A luta pela dignidade, com o PAN, que, nesta sua estreia em eleições autárquicas, em Almada, procura ter um resultado que permita acalentar outras ambições em futuras eleições, apesar de se desconhecer propaganda e acções de campanha - o que não significa que não tenham acontecido.


Considerando os programas eleitorais conhecidos, destacámos e avaliámos genericamente cada área de cada programa eleitoral conhecido, e em que matérias as listas demonstram ser mais e menos capazes, finalizando com uma referência à credibilidade de cada programa anunciado tendo em conta a exequibilidade:









Prometer é fácil, mas tem de haver um mínimo noção de como funciona uma autarquia. A tentação para se prometer o Paraíso é grande. Afinal, já foi tentado um pouco de tudo para derrubar a CDU, que se tem mantido firme à frente do concelho. Já aqui tivemos candidatos que era/foram/são deputados, membros de anteriores Governos, personalidades mais ou menos conhecidas e programas mais ou menos ambiciosos. Nada funcionou. Não obstante, desta vez a CDU tem uma tarefa mais difícil do que parece. Afinal, trata-se de uma sucessão a uma personalidade que marcou a política almadense durante quase três décadas.

Relativamente ao PS, acreditamos que fez a aposta certa no candidato, mas a campanha fica aquém do desejado quer em matéria de propaganda, quer de programa eleitoral e forma como o mesmo foi promovido. Sabe-se que a CDU não facilita, tem a máquina muito bem oleada, mantém a estrutura de gestões anteriores e o PS, se quiser disputar estas eleições de igual para igual, tem de fazer uma campanha imaculada. Não foi isso que aconteceu, apesar do potencial que todos sabemos que tem. Não basta ter momentos, ainda que mais altos que baixos. É preciso elevar a fasquia e mantê-la ao mais alto nível até ao fim, com muito rigor e sem dar margem de manobra ao adversário. O PS, no nosso entender, facilitou.

Por estes motivos, poderá estar em vista nova vitória da CDU, em Almada, no próximo dia 29 de Setembro de 2013, e poderá vislumbrar-se uma surpresa na candidatura do PSD, liderada por António Neves, embora dúvidas subsistam relativamente à magnitude dessa surpresa.

Autárquicas'2013: análise ao programa eleitoral do Bloco de Esquerda para Almada

Na mesma noite dos copos na Costa da Caparica, elementos afectos ao Bloco de Esquerda (BE) entregaram-me um panfleto, em formato A3 dobrado ao meio, mas em papel reciclado, da candidatura de Joana Mortágua à Câmara Municipal de Almada:


Abrindo o panfleto, encontramos os nomes e fotografias dos candidatos à Câmara Municipal, dos 6 primeiros à Assembleia Municipal, dos cabeças-de-lista às Juntas de Freguesia e da Mandatária, juntamente com o programa eleitoral do Partido:


Uma vez que o sítio de internet apresenta pouca ou praticamente nenhuma informação, que não são inseridos panfletos em caixas do correio e que até os folhetos referentes a algumas freguesias têm informação incompleta e a disposição dos candidatos em formato caderneta de cromos incompleta (apresenta algumas fotografias e noutras deixa um rectângulo em branco), este panfleto acaba por ser a verdadeira fonte de informação sobre o programa eleitoral do BE para Almada.

Neste sentido, o BE começa por dar destaque aos feitos conseguidos no último mandato, mais concretamente na apresentação da proposta de «um Fundo de Emergência Social e uma dotação financeira para o programa de opções participadas de recuperação de bairros municipais». No mais, o programa do BE congrega medidas propostas pelo PS (as destinadas à acção social e a redução do Imposto Municipal sobre Imóveis) e da CDU (defesa dos serviços públicos essenciais) e defende o reforço do Programa de Emergência Social e a requalificação da habitação municipal (PS, PSD e CDU defendem o mesmo).

Simultaneamente, faz associações de ideias no mínimo estranha ao defender, a seco, que reabilitar o Cais do Ginjal, a Mutela, as zonas ribeirinhas e outros espaços abandonados é uma forma de criar emprego e, para estimular a economia, sugere... a criação de redes de apoio com as escolas e com as associações para combater a pobreza e a exclusão social. No mínimo, difícil de entender a visão do BE para Almada.

Excluindo raras medidas concretas como o estacionamento gratuito para quem utiliza os transportes públicos e a reposição dos cacilheiros nocturnos e dos horários do Porto Brandão e da Trafaria, até o alargamento da rede Flexibus e o prolongamento da linha do Metro Sul do Tejo são vagos. Afinal, até onde pretende o BE expandir estas redes? Nada se diz, apenas se pretende aumentar e os pormenores logo se vêem. Também não se percebe o que tem «o fim dos lucros ganhos pelos privados com as portagens da Ponte 25 de Abril» a ver com as autárquicas e como é que a Câmara Municipal, a Assembleia Municipal ou as Juntas de Freguesia podem ter intervenção neste processo.

E mesmo na cultura e no ambiente, áreas que o BE tanto gosta de reivindicar como suas, a candidatura de Joana Mortágua propõe a «dinamização dos espaços» e a «aposta na diversidade», bem como a «ocupação das ruas para actividades culturais», «garantir o acesso universal» à água e «a promoção de espaços e corredores verdes», seja lá isso o que for.

Neste quadro, o BE concentra um conjunto de ideais defendidos por qualquer cor política e tenta disfarçá-los de medidas propostas pelo Partido para Almada, quando de propostas nada têm. Na verdade, o BE muito pouco ou nada propõe, resumindo o seu curto programa eleitoral a criticar a actual situação do País, o que revela uma incapacidade gritante para ajudar (pelo menos) a dinamizar o concelho de Almada no que quer que seja. O programa eleitoral do BE tem pouco de programa eleitoral e pode resumir-se a duas palavras: confusão e desordem. Fica a sensação que este (pseudo)programa foi feito em cima do joelho para desenrascar de tão fraco que é e mal feito que foi. É assim que o BE pretende melhorar a votação de 2009?