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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Almada | Autárquicas'2017: os cartazes do Partido Socialista

Desde o final de Julho que o Partido Socialista (PS) revelou os seus primeiros cartazes para as eleições autárquicas, em Almada, que traz Inês de Medeiros como candidata à Presidência da Câmara Municipal.
Imagem retirada do perfil de Facebook de Inês de Medeiros
É difícil perceber o que se pretende exactamente com esta espécie de cartaz. Em alguns aspectos parece muito bem conseguido, noutros parece que se excede na desordem.
Exemplar de cartaz retirado da página de Facebook do PS Almada

Em primeiro lugar, há que saudar a diversidade. Os cartazes da candidatura "Almada Pode" não se resumem a uma única imagem reproduzida em massa e espalhada pelo concelho, como sucede, por exemplo, com os do Bloco de Esquerda, que exibem sempre a mesma imagem, independentemente do local onde se encontrem.
Os cartazes do PS apresentam uma série de reflexões e questões - as quais não são especificamente direccionadas ao local onde se encontram, como se verifica, por exemplo, com alguns do PSD -, questões abstractas de quem vive no concelho.
Também alternam estes cartazes entre mostrar apenas o rosto da candidata e seguir um modelo Bloco de Esquerda e PSD, que apresenta em grande plano, tanto o rosto da candidata à Câmara Municipal como o do cabeça-de-lista à Assembleia Municipal de Almada.

Todavia, os cartazes do PS Almada também parecem ser uma espécie de sushi de fusão criado com as sobras que estão no frigorífico: juntam-se vários estilos (do clássico e conservador ao moderno), alguns em estado cru, sem grande tratamento ou rigor, e está feito um cartaz. O resultado não é de todo consensual, pode cansar o destinatário e, em suma, a beleza estará sempre nos olhos de quem a vê.
E, se a isto juntarmos algumas mensagens completamente vagas ou sem nexo - "Almada não pode ser a margem que todos preferem?" é um autêntico tiro no pé que reflecte uma visão típica de quem não tem afinidade com Almada e faz a sua vida tradicionalmente em Lisboa -, então a empatia com o cartaz, por mais sorridente que esteja a candidata, diminui ainda mais.

Mais um cartaz com uma pergunta/reflexão sem nexo

Neste contexto, importa fazer as seguintes observações:
Pontos fortes:
  • A forte presença da identidade da candidata à Câmara Municipal. Percebe-se que Inês de Medeiros é a estrela da campanha, em quem se depositam todas as esperanças, e é-lhe dado todo o destaque possível. O seu rosto está em todo o lado e ocupa uma proporção considerável do cartaz. É arriscado, sobretudo se não for houver empatia com a candidata, mas compreende-se uma aposta desta natureza.
  • Dois fundos. No de base, o branco ou o cinzento claro como cor de fundo não assenta mal num cartaz quando não é a cor predominante, servindo até para destacar outras cores, como é o caso do encarnado, escolhido para fazer de fundo principal para destacar a mensagem.
  • Diversidade de mensagens, fazendo com que cada cartaz seja passível de suscitar curiosidade.
  • Mensagens curtas e simples.
  • Identificação dos meios de acesso ao perfil de Facebook e à página electrónica da campanha.
  • Utilização de etiquetas digitais e escolha de uma etiqueta simples e inspiradora que, mesmo que escrita em letras minúsculas, permite a separação das duas palavras e, consequentemente, a sua compreensão (#almadapode).
  • A identidade do partido está presente. Qualquer pessoa fica a perceber que para votar em Inês de Medeiros tem de votar no PS.
  • Ousadia na forma como se recorre a um estilo moderno e jovem em parte do cartaz, nomeadamente, no fundo encarnado que sustenta a mensagem, que não se limita a assumir uma forma geométrica rígida, e tanto no texto inclinado como no tipo de letra da etiqueta digital, como que dando um ar de graffiti, típica arte urbana.
Pontos fracos:
  • Sobrepor o fundo principal que sustenta a mensagem à foto com a imagem da candidata, remetendo-a para segundo plano.
  • Não são apresentadas propostas. Os temas de reflexão na mensagem não podem ser vagos e acompanhados de um "Connosco pode. Almada pode" ou ficarem sem resposta sequer. Seria extremamente importante que o PS aproveitasse estas mensagens para seguir o exemplo do PSD e apresentar propostas. Só assim é possível a qualquer candidato demarcar-se da CDU. Caso contrário, trata-se apenas de um rosto ou de um conjunto de pessoas que não vêm acrescentar nada aos que já cá estão e dos quais já se sabe o que esperar.
  • O não recurso a outros meios digitais além do Facebook e da página. Como se pretende explorar a etiqueta digital? No Facebook, onde se recorre a um formato de texto corrido e ainda se está bastante longe de estar implantada a cultura de conteúdos curtos e com palavras com o símbolo cardinal como prefixo? Há uma qualquer alergia ou incapacidade para aproveitar meios como o Twitter, o Instagram ou o WhatsApp.


Uma nota final para a página "Almada Pode". De momento, contém apenas uma ligação para a página de Facebook do PS Almada, mas a imagem de entrada funciona, parecendo o cartaz com o elenco de um filme. É uma forma arrojada e diferente de apresentar conteúdos. Mas, a meu ver, funciona plenamente. Saúda-se igualmente o domínio .pt no endereço do cartaz. Cá estaremos para ver o conteúdo que surgir. Faltam menos de 2 meses para as eleições. Não faria sentido já estar tudo pronto?
Imagem de entrada na página da candidatura "Almada Pode"

sábado, 1 de agosto de 2015

Os cartazes das Legislativas: Partido Socialista (PS)

No seguimento do que iniciei ontem, segue a análise para os cartazes do Partido Socialista.

Partido Socialista

Já se viram por aí estes cartazes (devidamente identificado). Este cartaz tem como principal virtude uma característica que é uma tendência nos cartazes do Partido Socialista e funciona, a meu ver, muito bem: apresenta o principal candidato (nas Autárquicas e nas Presidenciais tendem a fazer o mesmo), o que, para o destinatário, tende a ser visto com bons olhos pois é possível estabelecer uma empatia com o candidato desde cedo. Para o bem ou para o mal, é como se ele estivesse ali há muito tempo e aproxima a pessoa do principal candidato do eleitorado (ao contrário das listas cujos líderes nem sequer aparecem, tornando-os incógnitos, ou surgem no final da campanha, por vezes tarde demais).

Pessoalizar a campanha tem as suas vantagens, mais ainda quando no caso deste cartaz de António Costa o candidato a Primeiro-Ministro surge com indumentária irrepreensível e com uma pose natural - não há pior do que um sorriso forçado ou um olhar sisudo que elimina qualquer empatia com o eleitor.

Mas este cartaz tem pontos contra: não se compreende o fundo (parece uma casa vazia pronta a mobilar) e a mensagem revela fragilidades. Comecemos pelas cores: o vermelho é a cor utilizada como fundo pelas cadeias de restauração que apelam ao consumo rápido (fast food ou chineses) com relativa eficácia. Não é bom para quem pretende captar o eleitor. O branco e o amarelo são duas cores pouco aguerridas e o vermelho nem chega a ser bem vermelho, é quase a caminhar para o laranja. Isto tudo junto acaba por não convidar à leitura e à reflexão.

O tipo e o tamanho da letra é manifestamente infeliz - ao contrário da escolha da Coligação Portugal à Frente que revela um tipo e tamanho de letra categórico e firme e contribui para que a mensagem seja o centro do cartaz. Quanto à mensagem, não entusiasma: trabalhar com rigor para as pessoas é demasiado insosso. Desde logo a palavra "rigor". Alguém fica motivado com isto? Existem problemas mais graves no país e o PS escolhe uma palavra fria e pouco dinâmica para se aproximar da população? E sublinham "rigor" com uma cor neutra como o branco? A mensagem tem de ser mais contundente quer na substância, quer na forma.


Antes, o PS tinha-se lançado neste formato. Pouco há a dizer face ao nível básico deste género de cartaz: o mesmo tipo de letra com um fundo que, apesar de lançado no ano de 2015, podia muito bem ser o primeiro ensaio num Paintbrush de 1995 por um aluno de 10.º ano. Compreende-se a intenção de ligar a candidatura do PS ao país e, desta forma, apelar ao patriotismo. Mas a forma como foi concebido nem se compara com o da Coligação Portugal à Frente (cujas curvas dão dinâmica ao cartaz) e a forma como as cores (sem variação de tons ou sombras como se de uma bandeira se tratasse) estão quase sobrepostas fazem perceber o tremendo erro que é esta opção (juntar verde e vermelho, vermelho e azul ou azul e verde desta forma é um tiro no pé porque fere a vista).

Percebe-se ainda que a tendência vai ser para apostar no branco e no amarelo (duas cores que quase se confundem) e destaco outro erro crasso: o O de Costa está metade preenchido a amarelo e metade não. Ao mesmo tempo é traçada uma linha a amarelo que risca o nome Costa, deixando só o António. O que é isto? Um recado subliminar do líder da campanha de querer riscar António Costa e deixar a vaga para um qualquer António, quem sabe Seguro? A mensagem permanece insossa.


Não satisfeitos com o que haviam feito - e o PS já vai em, pelo menos, 3 cartazes, o que representa algum investimento -, os socialistas decidem fazer um cartaz que, quando o vi pela primeira vez, parecia uma versão da capa da revista Sentinela das Testemunhas de Jeová em formato 8mx3m. Até a senhora que vira a página é desenhada da mesma forma que a famosa revista que nos é distribuída à porta por pares de fiéis desta confissão. Mas mesmo a aparência consegue ser a de alguém… banal. No limite, que fosse o candidato a Primeiro-Ministro a virar a página da tempestade para a bonança, afinal, é ele quem se compromete a fazê-lo. Agora, uma mulher (em que até a camisola branca é má), que não é ninguém, a fazê-lo, não se compreende.

Compreende-se, isso sim, que o candidato queira dar confiança ao eleitor, mas a forma como tudo está concebido e até a própria mensagem mais parecem dar seguimento ao discurso de António Costa quando este propôs aos chineses que investissem em Portugal porque o pior já tinha passado e os tempos são propícios ao investimento.

O pior é que nem sequer do ponto de vista motivacional ou religioso este cartaz funciona como mote de auto-ajuda. E o nome do candidato no mesmo tipo de letra infeliz que se perde no fundo é, a todos os níveis, lamentável. As pessoas ainda lêem que "é tempo de confiança". Mas não percebem porque motivo. E ver o sol a surgir sem mais nada a acompanhar (como uma medida ou o próprio candidato) faz com que o eleitor mais facilmente despreze o cartaz e pense que se trata de um anúncio religioso do que o fará sentir proximidade ao PS e votar no partido.

Não sei o que se passa com a organização de campanha do PS, mas António Costa tem muito para mudar se quiser causar impacto visual no eleitor.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Autárquicas'2013: análise ao programa eleitoral do PS Almada


A escassos dias do acto eleitoral, o Partido Socialista acrescentou um elemento novo aos outdoors de campanha: acrescentou um círculo amarelo grande no canto superior esquerdo (como seria de esperar) e, finalmente, apela directamente ao voto com o discurso imperativo «Chegou a hora! Votar é útil - Domingo vote PS». Como já havíamos referido anteriormente, o não apelo ao voto era uma lacuna que fragilizava um outdoor com potencial e, acrescentamos agora, a forma como este apelo acaba por ser feito favorece, na nossa opinião, a propaganda socialista. Uma vez que a esmagadora maioria de quem recorre a cartazes publicitários só conhece a forma quadrada/rectangular para transmitir a sua mensagem, saúda-se que a candidatura de Joaquim Barbosa tenha ousado, literalmente, sair da caixa (think outside the box) e tenha optado por uma forma circular que sai para além do perímetro habitualmente reservado aos outdoors.


Relativamente ao programa eleitoral, este está disponível através de uma dropbox criada pelo PS Almada e pode ser acedido aqui. É um programa muito vasto (com posto por 40 páginas) que inclui também propostas para cada uma das freguesias. Começamos por fazer uma crítica: dada a impossibilidade de produzir e distribuir programas eleitorais completos a um universo de mais de 140.000 eleitores, talvez o valor investido no jornal de campanha pudesse ter sido canalizado para panfletos que concentrassem cerca de 10 ideias-chave desta candidatura, de forma resumida, e fossem distribuídos nas caixas do correio, como, aliás, fez a CDU. De outro modo, dificilmente o eleitor tem conhecimento das propostas de Joaquim Barbosa, uma vez que, ao contrário do PSD, os outdoors nunca foram utilizados para dar a conhecer uma única proposta ao Município.

O programa eleitoral propriamente dito começa com uma mensagem inteligente do candidato, que funciona como quebra-gelo para quem tem reservas sobre Joaquim Barbosa: nela, tentam identificar-se os laços de afinidade entre o candidato e o Município, informando-se o eleitor do tempo de ligação ao concelho e do que motiva a candidatura. A justificação é bem conseguida: retribuir tudo o que Almada lhe deu ao longo dos últimos 35 anos, uma vez que o candidato declara «trabalho para servir os outros».

São definidas neste programa duas áreas estratégicas: a resposta «rápida e eficazmente aos efeitos da crise» e a enfatização da «centralidade que Almada pode ter se for bem gerida e planeada». Relativamente à primeira área, Joaquim Barbosa propõe medidas ambiciosas, tais como a redução do Imposto Municipal sobre Imóveis (actualmente de 0,70% e 0,40%), adequando-o às taxas praticadas em concelhos como a Amadora (0,60% e 0,37%); a atribuição de manuais escolares de 1.º ciclo e o apoio alimentar a crianças carenciadas do pré-escolar e do 1.º ciclo, incluindo em período de férias.

Em matéria de educação, o programa eleitoral do PS mantém-se ambicioso. Com efeito, propõe-se a construir salas de aula necessárias para assegurar a escola a todos os alunos do 1.º ciclo do ensino básico, a garantir que todas as crianças dos 6 aos 12 anos terão uma estrutura de apoio entre as 7 e as 19 horas, a alargar a oferta pública de Educação Pré-Escolar e aumentar a disponibilidade de recursos de transporte ao serviço dos estabelecimentos educativos. Causam alguma estranheza, no entanto, propostas (?) enigmáticas como «colmatar as dificuldades sentidas por muitas famílias que recorrem ao transporte individual para as deslocações dos seus filhos às escolas do concelho». O que se pretende com isto? Já no capítulo reservado ao Ensino Superior, investigação e desenvolvimento, o PS insiste nas propostas vagas apoiadas pelos verbos «promover», «incentivar» e «contribuir», sem entrar em detalhes, acabando por fazer alusão às consequências e não às acções e medidas que levam ao resultado. Muito pouco para quem faz um enquadramento correcto da situação no terreno.

No que diz respeito à acção social, o PS Almada pretende estimular o alargamento de Centros de Dia e Serviços de Ajuda Domiciliária durante 12 horas e 7 dias por semana; promover um serviço gratuito de pequenas reparações domésticas para idosos e pessoas com deficiência - o que já existe em algumas Juntas de Freguesia em parceria com a Santa Casa da Misericórdia -; e reforçar os instrumentos ao serviço dos imigrantes. E, em matéria do que chama «desenvolvimento económico e emprego», propõe medidas que deixam muito a desejar, designadamente: «elaborar um plano estratégico para o comércio local», definir «taxas competitivas» (seja lá isso o que for) para captar investimento, criar um projecto de animação urbana, apoiar eventos desportivos internacionais e promover a «Escola das Empresas».

Paralelamente, e entre algumas clichés sem grande concretização, Joaquim Barbosa propõe ainda um novo conceito para Almada, que a eleve à qualidade de «cidade das duas margens» (norte e sul do Tejo), pretendendo, para este efeito, desenvolver acções conjuntas - e, no nosso entender, excessivas - com a Câmara Municipal de Lisboa. Acrescenta ainda, tal como o PSD, um Festival de Verão, pretende promover o turismo rural, ambiental, religioso e ainda potenciar a prática de desportos aquáticos, propondo-se ainda a construir um anfiteatro ao ar livre que possa receber eventos sazonais uma piscina oceânica que funcione o ano inteiro e a reabilitar Cacilhas e o Ginjal. No mais, pretende «estimular a arte nas ruas», criar circuitos de arte e aumentar o programa de exposições.

Na área da cultura, sucedem-se algumas medidas genéricas sem muita profundidade sustentadas nas expressões «estimular», «promover» e «apoiar», sem se conseguir saber de que forma pretende concretizá-las  ao mesmo tempo que promove, enfim, medidas concretas como a recuperação de zonas emblemáticas no Monte da Caparica e na Trafaria, elaborar roteiros culturais e promover a história do concelho na investigação, educação, entre outros. E, no referente à mobilidade e ordenamento do território, o programa é demasiado banal, propondo-se o candidato a melhorar a sinalização, a remover barreiras arquitectónicas que dificultem a circulação e a criar uma rede de ciclovias, ao mesmo tempo que se propõe a reforçar os transportes públicos (sem concretizar como), embora não deixe de ser importante o facto de defender o prolongamento da linha do Metro Sul do Tejo até à Costa da Caparica e se propor a construir o túnel do Brejo e a criar um novo nó na A2 próximo de Corroios.

Relativamente às relações entre a autarquia e os cidadãos, apesar de alguns chavões sem conteúdo prático, como «contribuir para o reforço da cidadania» e «simplificação dos serviços municipais», o candidato é define como prioridade mudanças na forma de funcionamento da ECALMA e, segundo conseguimos apurar, o candidato não se opõe totalmente à colocação de parquímetros em determinadas zonas do concelho, incluindo na Costa da Caparica. No mais, destaca-se a proposta de criação de canais de atendimento ao munícipe 24 horas por dia em vez de um horário de funcionamento mais alargado do que o habitual e promoverá a implementação do orçamento participativo, embora dúvida subsistam sobre o que entende o candidato por «5% da verba de investimento [qual investimento?] para esse fim [qual fim?]» e como pretende concretizar esta proposta.


Em suma, o PS devia ter aproveitado para difundir as suas propostas - algumas delas interessantes e com potencial para serem bem acolhidas pelo eleitorado -, permitindo que as atenções se centrassem nas propostas da candidatura de Joaquim Barbosa e não se reservasse a campanha a questões pessoais ou de apenas apontar defeitos à gestão CDU - como sucede com algumas candidaturas. A verdade é que muito poucos (ou quase ninguém) têm conhecimento de propostas concretas do PS Almada e, como tal, numa análise fria, dificilmente têm algo que os motive a votar PS, em vez de CDU, além da mera possibilidade de arriscar e mudar de algo que conhecem para o que pode ser uma surpresa. Como bem se sabe, o eleitor português comum aprecia muito pouco o risco.

Embora se saúde a colocação do PS Almada numa posição de vanguarda para apresentar soluções para a crise, sendo esta uma área na qual o candidato revela experiência pessoal e profissional e que lhe permite ter uma boa percepção da dimensão do problema, a resposta à crise não parece visar o estímulo económico - área muito mal explorada pela candidatura de Joaquim Barbosa -, antes centra-se na acção social, ou na forma de mitigar os efeitos da crise, sem a combater verdadeiramente. Outra área mal explorada é a segurança, na qual o candidato pouco propõe além de «melhorar a iluminação pública e introduzir a video-vigilância», mesmo sabendo que os órgãos municipais não têm competência exclusiva para fazê-lo, ou «estimular a actividade dos guardas-nocturnos».

Finalmente, este programa revela traços distintos: por um lado, demonstra ter sido preparado com consciência e noção de realidade, o que se retira do facto de se prometer o que se sente que se pode prometer (como a questão do IMI) e manter reservas à devolução do IRS, fazendo-o depender de um factor importantíssimo: não se prejudicarem os fins prosseguidos pela Câmara Municipal. Contudo, por outro lado, o candidato não revela como reduz o IMI e reduz taxas ao mesmo tempo que se propõe a construir infra-estruturas e a fazer uma aposta forte na educação e na acção social, áreas de fundo perdido, como se sabe, por apenas tenderem a gerar despesa.

No mais, o programa eleitoral do PS Almada tem um grave problema: promove boa parte dos resultados que pretende atingir, quando o que se pede é o meio com que pretende chegar ao fim. Será este programa suficiente para derrubar a CDU no próximo domingo? Cabe ao eleitor responder. Mas acreditamos que o PS não pode limitar-se a seguir à boleia do valor que a marca «PS» tem e precisa de revelar propostas concretas, em todas as áreas. Até lá, boa parte do que temos são meras promessas de resultados.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Os Deputados do PS sabem de algo que mais ninguém sabe?


Até aqui, tudo bem. A pergunta é pertinente e justifica-se até para saber de que lado da barricada estamos. O problema é que na pergunta os Deputados subscritores dizem «particularmente depois da utilização de armas químicas em larga escala, no sentido de condenar e de contribuir para que as atrocidades que o povo sírio está a viver tenham um fim» e acrescentam «utilização de armas químicas em larga escala na Síria, que terão feito mais de 1.300 vítimas mortais», «país que já há várias décadas tem programas de produção e armazenamento deste tipo de armas de destruição» e «a linha vermelha desta guerra hedionda (...) já há muito foi ultrapassada, mas agora foi para além de tudo aquilo que se podia imaginar».

Perante todas estas afirmações, constatações e tamanhas conclusões e acusações, atrevo-me a perguntar se os Deputados subscritores do documento sabem de alguma coisa que mais ninguém sabe... incluindo os inspectores da ONU. Se sabem, partilhem, mas não tirem ilacções de notícias que não foram recortadas, são contraditórias e cuja verosimilhança e fiabilidade são praticamente nulas! Antes de se porem nos bicos dos pés, ponham os assessores a procurar informação honesta que revele que quem anda aqui a perpetrar uma campanha contra o regime de Bashar Al-Assad são os EUA, o Reino Unido e a França.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O outdoor do PS em Almada (Joaquim Barbosa)


Este é o cartaz do Partido Socialista (PS) em Almada, tendo em vista as autárquicas de Setembro ou Outubro próximo. É um cartaz que faz parte de um início de campanha muito curioso e que justifica algumas considerações.

Pontos fortes:
  • Apostar no preto como cor de fundo é arriscado, no entanto, acaba por ser uma cor que contrasta bem com o cor-de-rosa do PS e destaca o próprio branco com o nome do candidato. Quem está à distância pode não conseguir ver o rosto do candidato, mas vê uma mancha negra com o nome Joaquim Barbosa e essa é a mensagem que fica.
  • O outdoor é do mais simples que pode haver e não se dispersa: tem uma cara e um nome. Há uma forte aposta no candidato.
  • Os cartazes do candidato do PS estão por todo o concelho. É quase impossível não esbarrar num tal é a invasão de imagens do candidato. Todos estes cartazes são de considerável dimensão permitindo ser vistos ao longe.

Pontos fracos:
  • É difícil justificar uma aposta tão forte nos outdoors quando ainda há pouco mais de 3 meses o Presidente da Comissão Política Concelhia de Almada desafiou os partidos a não utilizarem cartazes de propaganda nas ruas. Fica o mau exemplo.
  • A invasão de cartazes acaba por ver alguns deles mal colocados. Dou dois exemplos: no IC20, o cartaz está colocado de lado, o que significa que quem conduz tem de olhar para o lado e não aborda o cartaz de frente, sendo obrigado a desligar-se da estrada se quiser ver o cartaz; rotunda de quem desce o Alto do Índio e quer seguir para o Monte da Caparica ou para o Almada Fórum, o cartaz está tapado por uma árvore e só é possível vê-lo como deve ser quando se está na rotunda, ou seja, quando a situação de trânsito exige concentração máxima.
  • O preto acaba por ser uma faca de dois gumes: ora constitui um ponto forte, conforme acima descrito, ora fragiliza o próprio cartaz. Neste último caso, o preto é uma cor infeliz para exibir fotografias. As sombras naturais do rosto do candidato e as próprias cores da fotografia acabam por tornar imperceptível parte do rosto do candidato na totalidade, bem como o cabelo, destacando-se pontos centrais como a boca, os olhos e o nariz. O rosto não se devia perder na cor de fundo.
  • O desenho, no canto inferior direito, só é perceptível quando nos aproximamos do cartaz.
  • Compreende-se a aposta na pessoa do candidato e a simplicidade da propaganda, mas não só seria aconselhável destacar mais o logotipo da candidatura e o nome do Partido - até porque os eleitores vão pôr uma cruz numa lista e não no nome do candidato - como também não seria demais acrescentar «Candidato a Presidente da Câmara Municipal de Almada», como está num folheto que o Partido publicou no Facebook. Em suma, a mensagem está demasiado simplista.


Apesar de tudo, acho muito interessante este início de campanha do PS em Almada: teve a sorte de apostar num candidato da cidade, com experiência e ligações às áreas sociais e tem difundido bem a sua mensagem quer nas redes sociais quer no trabalho feito nas visitas ao terreno. Apostaram cedo na candidatura e a difusão de cartazes e visitas pela cidade demonstram que estão a jogar tudo, e talvez da melhor forma, na saída da actual edil e na saturação provocada pela CDU.