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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Sentir Lisboa (Belém): nem Freud explica.


Nada tenho contra o candidato (que desconheço), nem contra a candidatura em si.

Talvez seja eu que sou básico e evidencio dificuldades em atingir mensagens metafísicas, mas confesso que não compreendo que raio de slogan é «BELÉM a soma de todos»!

Ainda alguém me vai explicar como é possível que dois partidos deste calibre, coligados e na maior cidade do País, consigam ter propaganda tão infeliz.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O outdoor da coligação PSD/CDS/MPT em Lisboa (Fernando Seara)

Sinto-me no dever de criar um à parte na quase exclusividade dada às autárquicas em Almada, para me pronunciar sobre o cartaz da coligação liderada por Fernando Seara à Câmara Municipal de Lisboa. E sinto-me neste dever porque me cruzo inúmeras vezes com ele e não resisto a partilhar a minha opinião.


Este é o cartaz já «instalado» em várias zonas da capital. E, na minha opinião, uma das vantagens em fazer o cartaz chegar tarde assenta no facto de se ter mais tempo para analisar os dos restantes candidatos e tentar fazer melhor.

Neste sentido, julgo que o modelo de cartaz de Fernando Seara é o ideal para uma candidatura às legislativas - sendo este um cartaz semelhante, p.e., aos de José Sócrates - ou, mais ainda, à Presidência da República. Na verdade, este cartaz parece uma cópia das candidaturas de Cavaco Silva e de Manuel Alegre às Presidenciais.

Não será, no entanto, o formato ideal para umas eleições autárquicas. Aliás, até as cores das duas riscas ao pé da palavra Lisboa denotam um desfasamento com o fim do escrutínio a que será sujeito o candidato. Verde e vermelho, com o nome do candidato a amarelo, sob fundo verde são as cores da bandeira nacional. O que é certo é que nem um símbolo da cidade encontramos nestes cartazes. Rigorosamente nada que estabeleça um elemento de afinidade entre o cartaz da candidatura e o município. No limite, até poderíamos aceitar o verde de fundo se os riscos verde e vermelho fossem branco e preto, as cores do município a que se candidata. Talvez fizesse mais sentido acentuar estas duas cores e, bem conjugadas com o verde de fundo, estabeleceriam a associação entre os interesses do município e o interesse nacional.

Paralelamente, se, por outro lado, as dimensões do nome do candidato e do mote serão adequados, por outro lado, não se compreende o lema «Em Lisboa com os dois pés». O que pretende Fernando Seara? Responder aos que o acusam de estar envolvido em Sintra e nos programas televisivos, afirmando o candidato que estará exclusivamente dedicado à capital?  Ou pretende atacar António Costa por ser um possível candidato à liderança do Partido o que, consequentemente, o fará estar mais envolvido na agenda nacional? Se for algum destes casos, fará sentido utilizar um outdoor para «responder» ou «atacar» em vez de o aproveitar para propor medidas para a cidade? Ainda por cima, com a gestão de António Costa, custa a acreditar que o espaço do cartaz seja desperdiçado com guerrilhas e não com propostas que o permitam distanciar-se de um modelo de gestão que deixou muito a desejar e facilmente podia ser combatido. Vou mais longe. Fernando Seara podia pegar em medidas simples como a limpeza das ruas, a mobilidade, as obras municipais. São temas quase clichés mas que o destacavam de outra maneira que não «Em Lisboa com os dois pés».

Finalmente, um último reparo. A imagem do candidato também ocupa um espaço considerável - e, na minha opinião, ideal - no cartaz. Sublinha-se ainda como positivo o facto de estar numa pose descontraída e alheio ao formalismo de utilização de botões abotoados até ao pescoço, casaco e gravata, deixando ainda à mostra as mangas arregaçadas, procurando transmitir a mensagem de que haverá muito trabalho da sua parte. Contudo, a pose escolhida, apesar de descontraída, parece uma pose retirada do álbum de casamento, misturada entre as fotografias do candidato a segurar um telefone ou a mãe a dar-lhe um beijinho na bochecha.

Em suma, o cartaz podia ser mais feliz e até havia condições para isso. Quem chega tarde tem de surpreender. Pela positiva, se for possível.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

CDS vai ao beija-mão a Fernando Seara


Não consigo olhar com confiança para candidaturas que antes de o serem definem como principal missão a destruição dos planos de uma outra e, em vez de se apresentarem como alternativa e prepararem uma campanha nesse sentido, definem como plano A a colagem a terceiros como forma de chegar ao poder custe o que custar. Estas são as linhas gerais que conseguimos retirar da entrevista de João Gonçalves Pereira, Presidente da Comissão Política Concelhia de Lisboa do CDS-PP.

Esta entrevista é elucidativa, até porque ficamos a saber que, afinal, (i) Fernando Seara é «da área política do CDS», (ii) o mérito é uma questão secundária pois «temos de ter um candidato com notoriedade e que seja reconhecido pelos lisboetas» e, finalmente, (iii) já pouco falta para vermos o CDS de joelhos a implorar por uma coligação com Seara. Fica patente que o importante é tirar António Costa do poder e o CDS está disposto a fazer tudo para atingir esse fim, contentando-se mesmo em servir cafés aos vereadores do PSD - que é o que vai acontecer, excepto a João Gonçalves Pereira, que, caso a coligação vença as eleições, será vereador - desde que os dois juntos consigam derrotar o PS.

Se este é o discurso a 10 meses das eleições, dentro de no máximo 2 ou 3 meses veremos o CDS a assinar de cruz qualquer coisa que o PSD lhe proponha e que não exclua João Gonçalves Pereira do Executivo. Sempre pelo bem de Lisboa, pois claro. A sede de poder fala mais alto, a possibilidade de lá chegar é a verdadeira prioridade e o Partido perde personalidade. A começar desta maneira, não será surpresa se o PSD conseguir fazer gato-sapato do CDS... para não variar. Ainda ninguém aprendeu a lição ou já a terão aprendido mas resignaram-se. Lutar por ser uma verdadeira alternativa dá trabalho, exige vontade e competência e é mais fácil ir à boleia dos outros para conseguir cumprir objectivos de carreira pessoais. À volta, o harém vai aplaudindo e agitando as bandeiras. Acabam por fazer uma campanha em favor do homem e não do colectivo.

No fundo, é por estas e por outras que o CDS dificilmente conseguirá ultrapassar a linha dos 12% e será, para sempre, o partido muleta, dos barões subalternos, que dá maiorias para os outros governarem. E temo que muita gente se contente com este quadro, até porque, enquanto o Partido for pequeno, maiores serão as possibilidades de uma pequena elite garantir que é a corrente dominante que controla uma filial do PSD mascarada de CDS.

Esta forma de estar na política e na sociedade envergonha-me e alguns dos mais ilustres homens e mulheres que este País já conheceu ao longo da sua história devem estar a dar voltas aos respectivos túmulos com esta prova de subserviência e derrotismo. Afinal, se a linha seguida pelo actual CDS fosse a seguida pelos que marcaram a nossa história, provavelmente a esta hora falaríamos todos castelhano ou árabe.