sábado, 28 de dezembro de 2013

E a Personalidade do Ano de 2013 é...

Com o ano a acabar, sucedem-se as nomeações para Personalidade do Ano. Seguindo o exemplo de outros espaços, decidi designar aquela que considero ser a Personalidade do Ano de 2013, ate para evitar as politicamente correctas e viciadas escolhas do costume que já demonstraram que fazem referências pífias e manifestamente forçadas.

Assim, a Personalidade do Ano de 2013 é… Vladimir Putin.

Já sei que vão começar os comentários do costume: «Putin é um ditador», «persegue minorias e a oposição», «a Rússia de Putin é um antro de corrupção», «Putin deteve activistas e puniu homossexuais» ou «isto é uma fantochada». Permitam-me defender a minha dama e apresentar os meus argumentos.


Já o tinha escolhido para Prémio Nobel da Paz 2013, mas era uma escolha politicamente incorrecta para os padrões ocidentais. Muita gente derrete-se com os selfies de Barack Obama e com as cenas de ciúmes da Primeira Dama norte-americana. No entanto, são muitas dessas mesmas pessoas que também ignoram o papel de Vladimir Putin - com o seu incansável MNE, Sergei Lavrov, no terreno - na forma como impediu os EUA de avançarem com uma intervenção militar na Síria - a qual, como também já aqui disse, legitimaria um conjunto de precedentes iniciados em 1999 e comprometeria a confiança global nas instituições internacionais (e no próprio Direito).

Uma ofensiva desta natureza, a concretizar-se, não se limitaria a afastar Bashar al-Assad do poder, mas mergulharia a Síria num caos semelhante ao que já se verifica no Iraque, no Egipto e na Líbia, com uma acesa disputa pelo poder entre um conjunto de jihadistas apoiados pelos EUA e por Israel e mandatados pela Arábia Saudita para desestabilizarem um País próximo do Líbano e do Irão. Basicamente, pretendia-se a fragilização do eixo xiita.

Posteriormente, foi ainda Putin que conseguiu a assinalável vitória de garantir a celebração do acordo Kerry-Lavrov que garantiu relativo equilíbrio entre as forças em conflito na Síria, o desarmamento químico deste País (um dos raros que ainda tinha armas químicas) e a aprovação da Resolução 2118(2013), que gera ainda mais dificuldades aos EUA caso o poder político norte-americano ouse ponderar nova hipótese de intervenção militar na Síria. Se nada disto tivesse acontecido, dificilmente teríamos Netanyahu encurralado, sem apoios para agredir o eixo xiita, e uma Arábia Saudita a perder o pudor perante o mundo inteiro (por exemplo, com a recusa do assento no Conselho de Segurança e a carta do seu Embaixador ao New York Times) e o Ocidente a olhar para o conflito na Síria com outros olhos.

Paralelamente, veja-se a forma como Putin resistiu às pressões externas relativamente à detenção de activistas subversivos (p.e.: Pussy Riot) e até mesmo à questão dos homossexuais - não podendo deixar de se referir que esta questão foi instrumentalizada por quem pretendia fragilizar Moscovo e que não me lembro de nenhum evento de peso organizado pela Rússia que não tenha estado envolto em polémica.

Finalmente, não deixa de ser assinalável a vitória de Putin contra a viciada e tremendamente lobizada (é um neologismo, eu sei) União Europeia. Com maior ou menor legitimidade do poder político ucraniano, a Ucrânia resistiu à ofensiva europeia e virou-se para Moscovo. Viktor Yanukovych resumiu a motivação em aproximar-se da Rússia numa só frase: «a UE não tem nada para oferecer». Pois não, além de exigir que Kiev faça investimentos estruturais, económicos e sociais profundos à responsabilidade da própria Ucrânia. A Rússia apoiará a Ucrânia, pois a expansão da UE até às fronteiras russas talvez seja ir longe demais. E, apesar de tudo, não deixa de ser curiosa a agenda subversiva de alguns agentes europeus no sentido de instigarem a população a opor-se à decisão do poder ucraniano, entre os quais se encontra o Deputado Duarte Marques, do PSD, que discursou em Kiev. Se fosse em Portugal, Duarte Marques provavelmente seguiria a ideologia que tem sido professada contra manifestantes e defenderia carga policial neles, queixando-se que eram apenas um conjunto de sindicalistas que se opõem ao progresso do País e ao que o Governo decide em favor do bem comum.

Por tudo isto, não tenho a menor dúvida de que Vladimir Putin é a Personalidade do Ano de 2013 (e deveria ter sido Nobel da Paz se este Prémio fosse atribuído com total seriedade). A Rússia tornou-se mais forte em 2013, mas, com ela, também o Mundo ficou a ganhar.


P.S.: Se tivesse de eleger outras personalidades, sem dúvida que faria uma menção a Hassan Rouhani (mas acho que ainda é cedo e que se continuar na linha que tem seguido até ao momento será um sério candidato à vitória, embora a aproximação entre Irão e EUA seja um dos marcos do ano) e ao Papa Francisco (que tem sido uma agradável surpresa e tem sabido dar resposta aos 10 desafios que identifiquei na revista Papel).

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A falta de rigor da comunicação social - o caso da Síria

Em Portugal, devemos lamentar o facto de a comunicação social dedicar, com frequência, tempo de antena ao que vem das habituais fontes de informação sem que seja feito o recorte do que se difunde e sem que se exerça o contraditório. Com efeito, não me cansei de ver, ao longo do último fim-de-semana, pseudo-reportagens com "imagens chocantes" (sic) de um ataque dos militares sírios a uma escola em Aleppo. As imagens não só não eram nada de extraordinário como ainda se instrumentalizaram crianças para fazer discursos anti-regime.

E não deixa de ser incómodo o facto de se fazer uma notícia de tamanhas dimensões do referido ataque, mas não se dedicar 1 único segundo ou linha de jornal para denunciar o atentado suicida cometido pelos islamistas junto a uma escola primária xiita em Homs, no mesmo dia do ataque a Aleppo e que provocou, pelo menos, 12 mortes. Nem ninguém denuncia a recente execução de mais de 80 cristãos em Adra (a norte de Damasco), por opositores de Bashar al-Assad e crimes de guerra e contra a humanidade resultantes de ataques deliberados dos rebeldes contra civis. E também ninguém denuncia a recente carta do Embaixador da Arábia Saudita em Londres, na qual declara que o seu País fará tudo ao seu alcance para fazer cair a influência xiita na região - com as consequências daí decorrentes -, nem tão pouco ninguém informa sobre a batalha entre as forças do Governo e os islamistas em Homs, no final da passada semana, na qual os militares tentavam impedir o acesso dos rebeldes a armas químicas que já estavam preparadas para serem destruídas e com as quais os rebeldes pretendiam comprometer os esforços sírios em cumprir o acordo Kerry-Lavrov ou sequer houve notícia de ter sido conquistado um hospital em Aleppo através de um atentado suicida de grandes proporções.

Enfim, salvo muito raras excepções, a nossa comunicação social limita-se a seguir o rebanho dominante, viciando opiniões e permitindo que terroristas cheguem ao poder.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Sessão da Assembleia Municipal de Almada - JF Feijó

Decorre ainda a sessão da Assembleia Municipal de Almada, a ter lugar na Junta de Freguesia do Feijó hoje, amanhã e sexta-feira.

O período reservado à participação dos munícipes foi praticamente monopolizado pelos incidentes ocorridos hoje na Escola Secundária Emídio Navarrro. Com ânimos relativamente exaltados, em boa parte pela presença de alguns professores e simpatizantes com a sua causa que ou aplaudiam/apupavam intervenções ou tentavam trocar galhardetes com alguns deputados municipais - como Ana Catarina Mendes ou, de forma mais veemente, Nuno Matias - não deixa de ser notório o aproveitamento político desta causa pelo PCP e também pelo BE.

Da minha parte, insisto na opinião que tenho difundido junto do CDS e também publicamente para o público em geral: este exame é um atentado à inteligência e à dignidade de qualquer pessoa com mais de 10 anos de idade! Não é mais do que um pretexto para o Ministério da Educação angariar receita resultante da imposição de uma taxa administrativa no valor de €20. Oponho-me e continuarei a opor-me à realização deste exame. Estou solidário com os professores. Tal como estou incondicionalmente solidário com a defesa da escola pública. Isto não é uma questão ideológica ou de esquerda vs direita, é apenas uma questão de honestidade intelectual e respeito. Sempre frequentei a escola pública e nunca tive um professor que necessitasse de fazer um exame que é uma humilhação e que em nada atesta que ele está capacitado para leccionar.

Sou ainda acérrimo defensor da escola pública e os últimos resultados do PISA demonstram as virtudes do ensino público e, olhando para a Suécia, podemos perceber o impacto negativo que a privatização do ensino pode ter no desenvolvimento dos alunos. Tudo isto para dizer que apoio a causa dos professores e apoio incondicionalmente a escola pública e o fim das subvenções a estabelecimentos de ensino privado.

Relativamente à minha intervenção na Assembleia Municipal de Almada, não deixa de ser curioso o comentário do sr. Presidente da Assembleia ao alertar-me para o facto de na mesma já terem sido aprovados votos em favor de um Julgado de Paz de Almada, não perdendo oportunidade para recorrer ao argumento ideológico como que querendo imputar no CDS a responsabilidade de o Julgado de Paz ainda não ter sido constituído em Almada.

Simultaneamente, o Presidente da Câmara Municipal de Almada alerta para o facto de o Julgado de Paz estar previsto nas Grandes Opções do Plano para 2014. Sucede que ambos esquecem-se (ou fingem esquecer-se) que não basta aprovar uma resolução se não houver nenhum encontro, nenhuma reunião, nenhuma proposta concreta, nenhum local disponibilizado pelo município para criar as condições de constituição do Julgado de Paz. E isto, efectivamente, não acontece. E não basta colocar nas Grandes Opções do Plano exactamente o mesmo parágrafo ano após ano, até porque, mesmo sem ter tido ainda acesso às Opções para 2014, já sei qual será o texto inscrito (pois é o mesmo todos os anos sem qualquer acção útil daí decorrente). Querem apostar que será isto:
Assegurar todas as diligências para que a criação de um “Julgado de Paz” em Almada seja viabilizada pelo Governo.
Prosseguir as diligências junto do Governo no sentido de garantir a criação de um “Julgado de Paz” em Almada.

Já a minha intervenção foi a seguinte:
«Os Julgados de Paz são tribunais extra-judiciais que operam, primordialmente, como meio extra-judicial de resolução de litígios nas áreas cível e criminal. Graças aos Julgados de Paz tem sido possível descongestionar o movimento processual dos tribunais e permitir que estes se concentrem em causas mais complexas, permitindo-lhes decidir mais rapidamente e melhor.

Simultaneamente, os números dos Julgados de Paz demonstram as vantagens que estes tribunais podem trazer ao nível da resolução de litígios com causas até ao valor da alçada da 1.ª instância (€5.000): de acordo com dados disponibilizados pela Direcção-Geral de Política de Justiça, em 2012, deram entrada 11.291 processos nos Julgados de Paz de todo o País, dos quais 10.971 foram findos. O tempo médio de resolução de um conflito num Julgado de Paz é inferior a 3 meses.

Dado o sucesso alcançado, entrou em vigor a 01SET13 uma alteração legislativa à Lei de Organização, Competência e Funcionamento dos Julgados de Paz que amplia a competência destes para questões cujo valor não exceda €15.000.

Em Almada, o Tribunal de Comarca e de Família e Menores registou, em 2012, a entrada de 723 acções declarativas e manteve pendentes 1.225 processos. Lamentavelmente, Almada é caso raro entre os concelhos com maior densidade populacional no País que não têm um Julgado de Paz. E, como sabemos, muita gente não recorre à justiça por ser demasiado onerosa. O recurso aos Julgados de Paz implica o pagamento de uma taxa de justiça que, na pior das hipóteses, terá o custo de 70 euros. Isto permitiria resolver questões de condomínios, dívidas de menor valor, entre outras que ou entopem os tribunais judiciais ou então não dão entrada pela onerosidade do sistema de justiça português.

Ao mesmo tempo, poderia ser estendida a competência do Julgado de Paz de Almada a outros concelhos, aumentando o volume de trabalho e criando, também, mais postos de trabalho para darem resposta ao movimente processual.

Neste sentido, venho apelar a que esta Assembleia discuta a votação de uma proposta de resolução que vincule a Câmara Municipal a criar uma infra-estrutura e negociar com o Governo a constituição de um Julgado de Paz para Almada. Garantir um Julgado de Paz é aproximar a justiça dos cidadãos.»

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Bashar al-Assad, o ditador bestial!


Ainda em Outubro tive oportunidade de apontar alguns cenários passíveis de se concretizarem, nomeadamente:
  • A redução de apoio militar dos EUA e dos parceiros ocidentais aos grupos rebeldes activos na Síria - sobretudo para poderem demarcar-se do jihadismo neste País -;
  • A aposta no apoio a Damasco para combater os islamistas, em eventuais sinergias entre Assad e os rebeldes moderados para prosseguirem este plano;
  • E ainda na integração dos opositores moderados na estrutura militar síria para poderem, juntos, combater os islamistas e, igualmente e muito importante,
  • Nos órgãos de poder político, de modo a garantir mais poder à oposição a Assad.

Ora bem, alguns destes cenários já se concretizaram, senão vejamos:

Há coisas do destino e o que está a acontecer é uma valente bofetada em todos aqueles que sempre acharam que Assada cairia, que os EUA jamais apoiariam Assad e também para aqueles que deviam hoje ser responsabilizados pela grave situação humanitária na Síria e instabilidade regional ao terem apoiado a rebelião contra Damasco.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Porque defende tanto o PCP o poder local?

O Partido Comunista muito gosta de se assumir como justiceiro do poder local. Não é por acaso que defende mais freguesias e mais municípios. O interesse são as pessoas, certo, mas as suas pessoas. E voltou a fazer prova disso mesmo, em Almada, na reunião do passado dia 4 de Dezembro de 2013 quando aprovou a eleição de Fernanda Nunes de Oliveira Gaspar para o cargo de Vogal Executivo do Conselho de Administração da ECALMA. Pena é que as deliberações não sejam publicadas na forma como efectivamente decorreram, uma vez que, apesar de a Acta dar a entender que esta proposta foi aprovada por unanimidade, PS e PSD opuseram-se à nomeação de mais uma girl sem lugar no mapa do poder local gerido pelos comunistas.

Já é a segunda vez que acontece em menos de 2 anos, pois não nos podemos esquecer da nomeação de Paulo Jorge Piteira Leão, chegado de Loures. Estes são apenas dois exemplos de como enxameia o Partido Comunista a Câmara Municipal de Almada com os seus camaradas. Aliás, não é surpresa para ninguém a forma como o Município se transforma numa espécie de centro de emprego local e as despesas com pessoal (€27.302.739,47) constituam quase 50% do total das despesas correntes e mais de 1/3 do total do Orçamento Municipal para 2013.

O problema aqui é que a culpa não morre solteira e se o Partido Comunista enxameia o Município de boys e girls - imagine-se como seria se algum dia o Partido formasse Governo - a responsabilidade também terá de ser assumida pela oposição municipal, cuja intervenção é tão boa, tão boa, tão boa... que a CDU conquistou em Setembro passado maioria absoluta.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

PSP e veículos aéreos não tripulados (drones)


Se olharmos para a empresa em si percebemos que tem sede em Óbidos, capital social no valor de 1 milhão de euros, 1 vogal (Ricardo João Rodrigues de Fonseca Mendes) e como Presidente do Conselho de Administração Pedro Libório Sinogas. Quem é Pedro Libório Sinogas? O seu perfil de Linkedin diz pouco. Mas o seu perfil de Facebook já diz mais qualquer coisa. Diz-nos, por exemplo, que 2 dos grupos em que está presente têm como nome «PSD - Distrital de Lisboa» e «Partido Social Democrata - PPD/PSD». Coincidências, claro.

Mas olhemos para a empresa que tem 9 subsidiárias:


Sabemos também que tem algumas acções em tribunal (uma delas contra a PT Prime e outra contra o CF Estrela da Amadora):


No entanto, não deixa de ser curioso que o Director Financeiro do Tekever Group seja Rodrigo Adão da Fonseca, que, além de participar no blogue O Insurgente, já foi assessor do grupo parlamentar do PSD e nunca escondeu as ligações a este Partido, nem sequer na blogosfera.

Claro que eu podia continuar a escavar este assunto, mas como Rodrigo Adão da Fonseca refere no seu perfil de Linkedin que só é CFO do Tekever Group desde Setembro de 2013, o mês anterior a este negócio dos drones, talvez seja melhor ficar-me por aqui.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Do «comunismo» à CDS (Almada)

A seriedade e isenção com que foram organizadas as eleições de Delegados para o XXV Congresso Nacional do CDS-PP, no passado sábado, em Almada, fica patente em exemplos como aqueles em que elementos afectos à Lista A (da Concelhia) difundiram a falsa ideia de eu ter «desviado a lista de contactos dos militantes» (sic), o que é manifestamente falso.

Além de terem feito esta grave acusação em pleno acto eleitoral, perante outros militantes e membros da mesa, membros desta lista voltaram à carga no Facebook, através de duas formas:

Adolfo Noronha de forma directa

O Presidente da Concelhia de Almada de forma indirecta depois de ter
alimentado esta polémica durante a votação
(não deixa de ser curioso o envolvimento do grande personagem Graça Moura)

Por sua vez, o que mais se lamenta no meio de todo este processo é que, depois de eu ter denunciado à Comissão Organizadora do Congresso (COC) o facto de o Presidente da Concelhia de Almada estar a desviar eleitores para a sua sala, o "representante da COC" que me devolveu a chamada, Diogo Moura, despacha o assunto dizendo para juntarmos «à acta o ocorrido que depois a COC decide».

Eu até gostaria de acreditar numa boa resolução deste processo, mas é difícil acreditar na isenção da COC quando já não é a primeira vez que manifesta o apoio claro ao Presidente da Concelhia de Almada e volta a fazê-lo na campanha de difamação de que eu teria «desviado a lista de contactos de militantes», senão vejamos quem gostou desta publicação:


Não é agradável jogar contra 14. Assim se vê a força PC, ou, como gosta de dizer o Presidente da Concelhia de Almada: é o comunismo à CDS!

P.S.: Aos apoiantes da Lista A e respectivo Presidente da Concelhia de Almada, em vez de me difamarem desafio-vos a formalizarem uma queixa contra mim através da Comissão Nacional de Protecção de Dados através do link directo (http://www.cnpd.pt/bin/duvidas/queixas_frm.aspx); por carta para Rua de São Bento n.º 148-3º 1200-821 Lisboa; por fax (213976832); ou por e-mail (geral@cnpd.pt). Terei todo o gosto em esclarecer as entidades competentes sobre como tive acesso à lista que tenho (com poucos contactos) e através de quem. Formalizem a queixa. É mais honesto do que atentarem contra a honra de terceiros.

domingo, 8 de dezembro de 2013

As eleições e a África aqui tão próxima

Era uma vez um Estado africano onde se realizou hoje um acto eleitoral. Como bom País africano que é, tem uma bandeira com azul. Sim, os africanos gostam dos azuis. E também dos amarelos, mas já menos. Descobriram que o branco dá um ar mais ocidentalizado, mais humanista, mais puro. E também tem Democrático no nome. Dizem que quanto mais ditatorial é o Estado mais tem necessidade de recorrer à palavra Democrático para tentar mitigar a verdadeira forma de Estado e iludir alguns crentes mais fervorosos.

Este Estado africano é tão democrático que elege o seu líder indirectamente, não vá acontecer alguma surpresa - como já aconteceu no passado. Neste Estado africano, a Comissão Eleitoral e tão transparente que permite recenseamentos de eleitores em áreas de residência às quais não têm qualquer afinidade. Vale tudo para evitar surpresas.

Este Estado africano só confirma as candidaturas das listas da oposição a 2 dias e meio do acto eleitoral, já para haver pouco tempo de campanha e ser praticamente impossível a estas listas contactarem os eleitores. Este Estado africano disponibiliza os meios de contacto a quem está no poder e lhe é favorável mas impede a oposição de ter acesso a eles. O objectivo é, uma vez mais, tornar praticamente impossível o contacto da oposição com os eleitores.

Este Estado africano é confrontado com denúncias de comportamentos deploráveis e criminosos de agentes que são favoráveis ao regime central e, perante o escândalo, o melhor que fazem é tomar decisões salomónicas para ficarem bem na fotografia e castigarem também a vítima. Este Estado africano vira as costas quando um dos seus que está à frente de um órgão responsável por um concelho leva eleitores para uma sala antes de estes votarem. É o mesmo Estado onde os elementos favoráveis ao poder convocam capangas para intimidarem, exercerem pressão sobre o adversário - que para eles é inimigo - e o hostilizarem e tentarem humilhar.

Neste Estado africano lançam-se acusações de fraude e desvio de contactos contra a oposição e difundem-se falsas notícias com o intuito de difamar terceiros e lançarem a confusão. Neste Estado africano, as decisões são tomadas por 1 único sujeito ao nível do poder local, mesmo apesar de os regulamentos serem claros ao exigirem decisões colegiais e devidamente fundamentadas. Quando o sujeito é apanhado em falso e o prejudicado exibe as provas de incumprimento dos regulamentos, quem decide permanece em silêncio para não ser obrigado a dar razão à oposição.

Neste Estado africano, quem vive numa cidade não pode votar nela porque o representante local do regime o vê como uma ameaça - mas já permite a votação por pessoas que residem a km de distância e nem sequer trabalham naquele concelho.

Diz-se que temos muitos Estados africanos como este por aí fora, mas só posso falar da realidade que conheço. Este Estado africano chama-se Centro Democrático Social - Partido Popular e os casos que relato ocorreram em Almada até há instantes. Acredito que só não tenha ocorrido noutros concelhos porque a esmagadora maioria das concelhias tem listas únicas. As pessoas já nem se esforçam em concorrer porque sabem o que lhes espera: reflexos de um Estado africano. Não vale a pena concorrer quando já está tudo viciado.

Quando vejo exemplos destes fico com um sentimento de culpa relativamente aos Estados africanos. Afinal, tanto se diz que a corrupção e violação dos valores democráticos são uma realidade neste continente, mas acredito que se calhar os africanos são como são porque foram estes os exemplos que aprenderam com europeus como estes do CDS.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A Ucrânia e a divisão UE-Rússia

Ninguém consegue ficar indiferente aos acontecimentos na Ucrânia. De um lado, europeístas e nacionalistas (ucranianos); do outro lado, os seguidores da corrente pró-Rússia (não necessariamente anti-Europa/Ocidente). 

Segundo algumas fontes credíveis, entre os primeiros não estarão apenas ucranianos a manifestar-se nas ruas, mas também manifestantes de países dos Balcãs e da Polónia. Basicamente, é seguir a estratégia de outros palcos para aparecer nos telejornais que são «os ucranianos» contra o Presidente Viktor Yanukovich.

Yanukovich não é conhecido por prosseguir os valores democráticos - e o caso de Yulia Timochenko, que tem apelado à resistência a partir da prisão, é apenas um exemplo disso -, mas convém que a oposição não recorra às armas do inimigo, como a batota de querer fazer crer que a sua posição é uma posição de todo um País, quando não se sabe se assim é. E quem fica também mal na fotografia é o Prémio Nobel da Paz 2012, a União Europeia, completamente indiferente às atrocidades dos manifestantes e das forças de segurança, apenas se interessando em ganhar influência política e económica na Europa Oriental. Afinal, apesar de se tratar de um acordo de associação, este acordo poderá preparar uma futura adesão da Ucrânia à UE. E, a ser assim, queremos Estados-Membros que não estão minimamente em sintonia os valores defendidos nos valores que levaram à criação da União?

Uma vez que estamos perante uma decisão de tremenda importância para o futuro da Ucrânia e a fim de avaliarmos a legitimidade do poder político para tomar a decisão de não celebrar um acordo de associação com a UE e aproximar-se da Rússia, temos de começar por saber se por altura das eleições foi apresentada ao povo alguma posição de cada protagonista político relativamente ao tema.

Assim, eis que temos duas soluções possíveis:
• Se os vencedores manifestaram claramente a sua posição relativamente à UE e/ou à Rússia, temos duas sub-soluções:
- Se a posição era favorável à Rússia e/ou oposta à UE, não pode ser dada qualquer razão aos manifestantes, pois quem venceu cumpre o programa que propôs aos eleitores;
- Se a posição era favorável à UE e/ou oposta à Rússia, estamos perante a violação de um compromisso assumido, pelo que Yanukovich deve cumprir o prometido o mais rapidamente possível;
• Se os vencedores não manifestaram claramente (ou de todo) a sua posição face à UE e/ou à Rússia, deveria ter sido realizado um referendo para que os eleitores se pronunciassem sobre a matéria. Aliás, é para isto que servem os referendos: não para que os cidadãos se pronunciem sobre trivialidades mas para que tenham uma palavra a dizer sobre um tema específico num momento único no País. O problema é que agora a opinião pública poderá ter mudado com os últimos acontecimentos e é provável que o sentido de voto esteja condicionado face ao que seria de esperar inicialmente, havendo motivos para acreditar que, neste momento, dificilmente um referendo expressaria a vontade popular sem reservas mentais dos actores políticos.