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sábado, 5 de setembro de 2015

Soltem o #44

Ora então parece que os acólitos de José Sócrates queixam-se que a libertação do seu guru é demasiado próxima das eleições - não querendo mencionar que foi o #44 que há algumas semanas recusou ser libertado com pulseira para não se perder da justiça - e que a dedução da acusação poderá coincidir com o acto eleitoral.

O que sugerem? Um Código de Processo Penal especial para os políticos que lhes convêm?

Ou Carlos Alexandre devia antes convocar os líderes dos principais partidos e chegar a acordo sobre a data de libertação e da dedução da acusação? Já agora, com ou sem Paulo Portas e Heloísa Apolónia?

Pode ser antes das Presidenciais ou também vai influenciar o resultado dos 3 ou 5 candidatos do PS?

Se calhar é melhor esperar para depois das Autárquicas...ou vêm mais 300 habeas corpus a caminho, os quais serão todos chumbados por dezenas de juízes que não percebem nada de Direito?

É uma cabala, senhores!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Mais um livro presidenciável?

Depois de Pedro Santana Lopes e José Sócrates, chegou a vez de António Guterres apalpar terreno para a Presidência através do livro «Os Segredos do Poder». O lançamento de livros não significa, necessariamente, que os autores ou biografados vão ser candidatos, mas são sempre um medidor inicial de popularidade que pode ajudar a abrir caminho a outras iniciativas mais sólidas (espaços de opinião na televisão, presença em eventos destinados a promover o convidado, etc) que reforcem a sua imagem junto do eleitorado.

E Durão Barroso, quando lança o seu livro, seja ele uma biografia ou sobre a sua liderança da Comissão Europeia?

sábado, 26 de outubro de 2013

Sócrates is in the building

Sempre desconfiei de pessoas que precisam de inferiorizar ou responsabilizar terceiros para se destacarem. Sempre vi este tipo de comportamento como uma forma de o mau tentar desviar as atenções da sua fraca qualidade, procurando fazer crer, não que o mau é bom, mas que o adversário é que é pior.

Quando alguém tem qualidade ou faz um bom trabalho não precisa de atacar nem diabolizar ninguém. Quando assim é, o bom trabalho e as virtudes destacam-se por si e ajudam os destinatários a olharem para o presente com alívio porque o passado ficou lá atrás e trazem esperança para o futuro. O que se passa na actual coligação é em tudo semelhante ao mau namorado que, para disfarçar o seu péssimo comportamento, precisa de repetir à companheira que o ex dela é que era mau.

Por mais que se assista a um esforço da coligação para diabolizar Sócrates, com insistentes campanhas a recordar (ainda por cima mal) o que nos levou ao actual programa de assistência financeira, com muito folclore pelo meio, o desempenho de PSD e CDS não pode ser maquilhado de tão mau que tem sido: afinal, as promessas eleitorais continuam por cumprir, a economia continua a caminho da desgraça e o único crescimento que temos é o da dívida pública mesmo apesar dos sucessivos cortes que têm sido aprovados.

Curioso no meio disto é que cada vez mais pessoas dão por si a pensar que José Sócrates, afinal, talvez não fosse assim tão mau Primeiro-Ministro como muitos o pintaram. Mais, Sócrates está mais vivo do que nunca sem ter de fazer muito por isso. Basta dar uma entrevista e apresentar um livro e logo a casa de madeira da coligação abana por todo o lado. Ele ainda não voltou a sério e já faz estragos. Muita gente perdeu o sono desde que Sócrates regressou a Portugal. Ainda assim, ninguém aprendeu a lição e continuam todos a dar tiros nos pés. O mau namorado treme porque receia que o seu lugar esteja em risco, mas continua a maltratar a companheira. Assim, não há relação que resista - nem mesmo a de Bárbara Guimarães com Manuel Maria Carrilho.

No meio de tudo o que tem acontecido, Passos Coelho insiste em desmentir o convite que Sócrates diz que lhe fez. Há quem aborde esta questão - «Resgatados» é um exemplo disso - e, sinceramente, acredito que Sócrates esteja a falar a verdade: endereçou um convite a Passos por ser muito difícil, como se comprovou, governar sem maioria desde 2009. Aliás, foi exactamente por isso que Cavaco Silva condicionou a indigitação do novo Primeiro-Ministro à formação de uma maioria absoluta no Parlamento. Passos recusou, não só por querer puxar o tapete a Sócrates como também por querer ter ele o protagonismo e não ver com bons olhos o PSD embarcar num projecto arriscado liderado pelo PS. Portas também viria a rejeitar apenas após Miguel Relvas o ter conseguido aliciar para formar maioria após a queda de um já desgastado Sócrates. End of story. Quem quiser que acredite nos desmentidos de Passos Coelho.

domingo, 7 de abril de 2013

José Sócrates: análise ao primeiro programa

Não assinei, nem assino, manifestos contra a presença de quem quer que seja em que canal de televisão, frequência de rádio ou capa de jornal for. Já expressei os motivos pelos quais não me oponho ao programa de opinião de José Sócrates na RTP. Acho que o maior exemplo de hipocrisia e demagogia é dado por aqueles que assinaram a petição pueril e acabam por ver o programa. Deviam calar-se e por muito tempo.

Posto isto, tive legitimidade para assistir à estreia de «Opinião de José Sócrates». E tenho algumas observações a fazer. A primeira delas é que José Sócrates sabe o que está a fazer - o que não é novidade para ninguém. Vem muito bem preparado e, mais importante, sabe ser assertivo e está bem informado. Faz parte do seu feitio não contar muitas histórias, não adormecer o destinatário e ir directo ao objectivo pretendido. É uma questão de feitio. Curiosamente, prefiro este estilo ao do narrador que se perde em pormenores insignificantes como que querendo demonstrar que é quase perito na matéria que aborda.

Contudo, nota-se que José Sócrates ainda não é comentador. É político. E tem de deixar esta pele se não quiser perder o embalo de todos aqueles que o vão ver no início, correndo o risco de cair no cansaço. O tom de voz de Sócrates é o claro tom de voz do político que tem um discurso articulado e dirigido às massas e denota ter sido escolhido e treinado. Com Sócrates não há oportunidade para a voz lhe fugir ou falhar. E isto é mau. É mau porque retira a genuinidade ao conteúdo e quem o oiça acredita que está a ouvir um discurso montado. Já todos sabemos que é assim e que todos fazem o mesmo. Ainda assim, as pessoas não precisam que lhes seja dito que está tudo preparado. Todos nós sabemos que todos os truques de ilusionismo têm um segredo. Mas torcemos o nariz ao ilusionista se este desvendar o segredo ao mesmo tempo que executa o truque. Sócrates não pode mostrar que treinou o discurso 50 vezes antes de chegar à televisão e expressar-se como se fosse um autómato. Sócrates tem de conseguir um ar mais natural e ter um discurso mais fluido com menos ar de ter sido preparado. O público prestará outra atenção e verá Sócrates comentador e não Sócrates político.

Neste mesmo sentido, Sócrates não se pode esquecer que, apesar de o programa ser o seu espaço de opinião, tem à sua frente alguém. Não é suposto o programa ser um monólogo. É suposto ser quase uma conversa com a jornalista - e digo quase porque se fosse uma conversa a jornalista daria a sua opinião e não é assim pois a jornalista está ali para tentar dar um ar mais natural ao programa. Sócrates não pode simplesmente ignorar algumas interpelações da jornalista e agir como se fosse uma entrevista em que pretende defender a sua honra. Tem de dar o ar de quase conversa e não ser tão implacável ao ponto de estar excessivamente concentrado numa resposta, a jornalista tentar fazer uma observação nesse mesmo tema e Sócrates insistir como se ninguém falasse com ele. Não gosto do estilo de Marcelo Rebelo de Sousa. É demasiado forçado e quase dá o ar que está ali alguém a falar como se estivesse a falar para ignorantes. Mas Marcelo tem uma qualidade no seu espaço de opinião: a conversa flui naturalmente com Júlio Magalhães, Judite de Sousa ou quem estiver consigo. E ninguém lhe tira o estrelato no seu programa de opinião.

Marcelo Rebelo de Sousa também não tem um programa pesado, sempre muito fechado e sisudo. Sócrates não foi tão cáustico e agressivo como na entrevista de regresso a Portugal mas entrou neste programa com um posição demasiado forte. Não é preciso sorrir. Aliás, por vezes será necessário sorrir - sem ser por ironia ou um sorriso forçado. Mas, se quiser agarrar o público, as pessoas têm de se identificar com ele e dificilmente o farão se mantiver o ar cinzentão e negro que caracteriza os programas de opinião... e que tanto afugentam os portugueses. Posto isto, Sócrates também não poderá ser o corvo negro que só comenta conteúdos de difícil digestão. José Sócrates não só não poderá dedicar os seus programas ao ataque como poderá considerar a apresentação de alternativas e terá até de fazer comentários a acontecimentos positivos que lhe permitam aligeirar o ambiente típico de um programa desta natureza. E por acontecimentos positivos digo os mais variados assuntos que não sejam apenas ou necessariamente política.

Esta é a minha análise ao primeiro programa de José Sócrates. Com o tempo veremos como será José Sócrates comentador. Mas tenho quase a certeza de uma coisa: se Sócrates não corrigir estas imperfeições (naturais para um estreante) dificilmente conseguirá chegar às massas e limitar-se-á a ser o ex-Primeiro-Ministro que será comentado pelos mais fervorosos apoiantes e por aqueles que pretenderão usá-lo como forma de disfarçar as suas próprias imperfeições. Se se mantiver no registo de hoje, vai cansar o espectador. Será que é isso que pretende?

quinta-feira, 28 de março de 2013

Sócrates está de volta... e a oposição também

Em pouco mais de 1h30, José Sócrates fez mais do que António José Seguro em quase 2 anos. Arrasou, do princípio ao fim. Um verdadeiro animal político que disparou (com um considerável grau de eficácia) contra todos aqueles que com ele se cruzaram durante a entrevista.

Sócrates continua igual a si próprio: muito profissional, prepara-se até ao mais ínfimo pormenor - ao contrário dos entrevistadores. Não facilita. E brilhou. Depois de quase 2 anos em silêncio, soube regressar.

A boa notícia no meio disto tudo, é que Passos Coelho vai finalmente contar com oposição. E Seguro bem poderá agradecer a Sócrates o tremendo favor que vai fazer ao Partido. O PS está de volta. Resta saber se Sócrates consegue capitalizar a sua presença televisiva no médio prazo ou se terá regressado demasiado cedo.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Pires de Lima e José Sócrates

António Pires de Lima teve declarações curiosas à Antena 1. Dias após praticamente se ter oferecido para suceder a Álvaro Santos Pereira, como Ministro da Economia, Pires de Lima eliminou publicamente todas as dúvidas relativamente à forma como CDS olha para a actual coligação com o PSD: o casamento com os sociais-democratas não tem qualquer valor e, antes da formalização do divórcio, o CDS corteja uma terceira entidade para com ela se unir no futuro. Foi o que fez Pires de Lima quando diz «o grande risco político é que António José Seguro, que é uma pessoa bem intencionada e séria, fique refém de Sócrates». Resta saber se a futura união será a dois ou um ménage a trois. O CDS parece disponível para qualquer uma das duas... desde que sustentem o seu modo de vida.

Para garantir que o futuro cônjuge é a irmã mais nova, ainda virgem e influenciável (como é o caso de António José Seguro) e não a irmã mais velha mandona e inteligente que não se importa de ficar para tia desde que mande (como é o caso de José Sócrates), Pires de Lima não perdeu a oportunidade de espicaçar Seguro de forma singela ao deixar no ar as suas dúvidas de «como é que Seguro vai resistir a mais este assalto à sua liderança» e, pior, afinal, Sócrates não pretende a Presidência, onde poderia conviver com Seguro Primeiro-Ministro, antes, quer mesmo destruir as ambições deste último. O CDS não quer é ficar muito mais tempo com a matrafona desbocada que não sabe sequer lavar um prato ou passar uma roupa a ferro (o PSD de Passos Coelho)!

Boa iniciativa de António Pires de Lima. Fica sempre bem a um rival (se o for) preocupar-se com o funcionamento interno e com o futuro do adversário. Veja-se que Pires de Lima até saúda uma alternativa ao actual Governo PSD/CDS. Convém é que António José Seguro leia as letras pequenas: o CDS já se revê numa alternativa a si próprio enquanto parte do PSD/CDS. E Pires de Lima lá estará na linha da frente para ver se à 4.ª tentativa chega a Ministro da Economia.

sexta-feira, 22 de março de 2013

José Sócrates, Cátia Palhinha e o Adamastor


José Sócrates vai ter um programa na RTP. Muitos não hesitaram em mostrar publicamente o seu choque com tamanha notícia. Simultaneamente, mostraram-se contra o regresso de José Sócrates. Em particular, aqueles que num passado muito recente acusavam os governos socialistas de «pressões e ingerências» agora convocam directores da estação pública para esclarecimentos e subscrevem e promovem petições para impedir a ida de Sócrates para a RTP. Verdadeiros democratas, portanto, que se revêem nos valores constitucionais.

Foi difícil, mas conseguiu gerar-se consenso em torno da diabolização de José Sócrates. Tal ódio não foi gratuito. Sócrates fez por merecê-lo. É, provavelmente, um dos piores políticos da história de Portugal. No entanto, não só não foi o único a desgraçar o País como o mérito deve ser dado a Passos Coelho: se, após um exílio, Sócrates se sente em condições de regressar a Portugal, talvez seja porque o actual Governo conseguiu a (quase impossível) façanha de superá-lo em disparate e incompetência. E fê-lo em menos de 2 anos, o que é admirável!

Ao mesmo tempo, baralham-me aqueles que subscrevem a petição contra José Sócrates na RTP. Afinal, não querem privatizar a RTP e permitir que esta seja livremente gerida por privados, mas querem que não dê prejuízo estando sob o domínio público. Se querem que a RTP não dê prejuízo, é bom que a deixem actuar e ombrear de igual para igual com SIC e TVI. Se para não dar prejuízo tiver de garantir boas audiências, então talvez seja importante perceber que não é com o TV Rural que se chega lá. O que vende não é o pobre Zé Maria, é o Marco a dar um pontapé na Sónia. O que vende não é a palestra do Padre Vítor Melícias, são as bacoradas da Cátia Palhinha com a Teresa Guilherme e o sexo na Casa dos Segredos.

Posto isto, se alguém acredita que José Sócrates não arrastará audiências para a RTP, então certamente consegue perceber menos disto do que eu. A menos, claro, que ninguém queira prejudicar o monopólio social-democrata nas televisões privadas. E aqui entram os estrategas: uns estão confiantes que a presença de Sócrates serve para dividir os pelotões de fuzilamento entre este e o Governo; outros acham que poderá ser útil porque não se limitará a atacar o Governo e também vai disparar em direcção a António José Seguro. Eu acho que muita gente anda a dormir e esquece-se que Sócrates é um verdadeiro animal político que não brinca em serviço - talvez seja por isso que muitos o queiram impedir de regressar. E a prova está dada num pequeno pormenor: vem a custo zero, sem receber 1 cêntimo da televisão pública. O guião está preparado e acredito que Sócrates entrou em campanha para outros voos, sobretudo a pensar em reabilitar as suas fileiras e apostar nas Presidenciais. Depois do Adamastor, José Sócrates é, provavelmente, o nome que mais receios causa às elites (políticas) portuguesas.

No CDS, partido ao qual pertenço há já vários anos, é comum assistir-se à divulgação de uma frase poética como forma de reiterar que o partido defende a liberdade individual e o bom senso de cada um, a saber «quando um tipo de direita não gosta de armas, não as compra/quando um tipo de esquerda não gosta de armas, quer proibi-las». Sinceramente, tenho dificuldades em compreender porque motivo CDS e PSD não honram os valores que professam. Pela lógica, «quando um tipo de direita não gosta de um comentador, muda de canal/quando um tipo de esquerda não gosta de um comentador, quer proibi-lo». Não devia ser assim?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

José Sócrates na Europa em nome do Brasil e prejuízo de Portugal.

Noticia hoje o Correio da Manhã que o Instituto de Estudos Políticos de Paris recusou duas vezes a candidatura de José Sócrates, tendo sido necessária a intervenção do Embaixador Francisco Seixas da Costa para que o problema fosse desbloqueado - e, com uma simples cunha, uma instituição deita todo o seu prestígio por terra. Esperamos todos que o apoio do Embaixador aos alunos portugueses a estudar em Paris seja em tudo idêntico ao prestado ao antigo Primeiro-Ministro.

Porém, o que mais lança preocupações é saber que, em Junho passado, José Sócrates foi convidado por Lula da Silva e Dilma Rousseff para exercer funções como representante dos interesses do Brasil na Europa - cargo este que aceitou - e ter designado o seu ex-assessor de imprensa, Luís Bernardo, para as mesmas funções na África lusófona. Ou seja, o Brasil contrata cidadãos portugueses para fazerem lóbi em favor dos seus interesses, ainda que tal comprometa os interesses de Portugal. Não espantam, por isso, as recentes visitas a Madrid e Berlim, antes de Passos Coelho, para se encontrar com José Luis Zapatero e Angela Merkel. O terreno foi preparado para o que aí vem, sobretudo com a série de privatizações que aí vêm.

Espantoso, porém, é o facto de todos acharem normal este fenómeno de ter um ex-Primeiro-Ministro a ser contratado para defender os interesses de terceiros em mercados que deviam ser os nossos, sobretudo quando estes manifestam vontade de atacar em força. Afinal, o que é isso de interesses portugueses e de que forma se distinguem de interesses de uma pseudo-elite política?