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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Recordar o 9/11

Cumprem-se hoje 14 anos desde o "ataque às Torres Gémeas".

Mas o que devíamos celebrar era a forma como o mundo evoluiu com a resposta norte-americana após o 9/11:
- Os EUA multiplicaram o investimento público no sector da Defesa;
- O Afeganistão praticamente inexiste;
- O Iraque, o Iémen e a Síria estão desfeitos;
- A Al-Qaeda já é um "movimento moderado" com o qual devemos colaborar;
- Desenvolveu-se um terceiro modelo aplicável aos conflitos armados totalmente contrário às Convenções de Genebra de 1949 que priva potenciais terroristas de todos os seus direitos enquanto Seres Humanos (nem as tropas nazis tiveram semelhante tratamento);
- Banalizou-se a tortura e condicionou-se significativamente a liberdade de expressão;
- Vivemos paranóicos com o terrorismo;
- Aumentou significativamente a política de execuções selectivas (targeted killings) contra pessoas que são assassinadas sem serem julgadas e sem autorização dos tribunais por serem suspeitas de quererem praticar actos de terrorismo;
- As aeronaves não tripuladas (drones) são o novo brinquedo de guerra que traz menos exposição humana, apresenta maior eficácia e banaliza as eliminações de pessoas ao assemelhar a experiência da participação em guerra a um jogo de computador.

Obrigado, EUA, por tudo o que têm feito a bem da Humanidade!

P.S.: Assusta-me ver a forma como se banalizam os drones, procurando dar uma imagem, à boa maneira de Hollywood, de que se tratam de instrumentos giros e modernos que nos facilitam a vida. Ninguém pensa na caixa de Pandora que está a abrir.

Imagem: Sputnik News

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Atacar a causa: refugiados são apenas consequência das políticas ocidentais no Médio Oriente

São cada vez mais os sírios que tentam chegar à Europa.

As pessoas acham que temos de acolher toda esta gente sem avançar com medidas que estanquem a causa de tudo isto.

Entretanto, os EUA, França, Reino Unido e Alemanha insistem em continuar a apoiar grupos rebeldes contra Bashar al-Assad.

E os EUA até já confessam que querem apoiar a Al-Qaeda (!!!) na região para combater o Estado Islâmico e o próprio Assad - que, juntamente com os curdos que são chacinados pelos turcos, são os únicos (juntamente com o Irão) a combater o terrorismo na Síria e no Iraque.

Pensem nisto antes de andarem a apelar à lágrima - pensem com a cabeça, não com o coração - com imagens de crianças em sofrimento e a exigirem que acolhamos esta gente toda.

Tudo pode ser evitado... se EUA e UE deixarem de se ingerir nos assuntos internos da Síria - o que, por si só, constitui uma violação do Direito Internacional.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Como criar, diabolizar e revitalizar um grupo terrorista: a Al-Qaeda


Eu acho que não consigo ler bem e agradeço que alguém me ajude. Estará a Reuters (e não a RT) a afirmar que «fontes de e próximas da Al-Nusra [grupo filiado à Al-Qaeda] dizem que o Qatar [parceiro privilegiado do Ocidente] goza de boas relações com o grupo»? Que sugeriram que “o nome Nusra seja abandonado” para tentar dar novo estímulo ao grupo? E dizem também que existem encontros entre a Al-Nusra e países da Península Arábica? O objectivo é claro: apoiar, oficialmente, a Al-Nusra para derrubar Bashar al-Assad – esse ditador com o qual muitos já reconhecem ter de negociar, mas se o puderem evitar, fragilizando-o, melhor.

E o que dizer de David Roberts, do Kings College e conhecido embaixador do poder qatari, ter publicado um artigo de opinião na BBC, a 6 de Março passado, no qual apoia a iniciativa do Qatar – alegando que se trata da «opção menos má» – e avança que um plano desta natureza conta com o apoio de EUA e Reino Unido.

Não me digam que, afinal, se chegou à conclusão que os países da Península Arábica e outros ocidentais apoiam e financiam grupos filiados à Al-Qaeda!

E por falar em Al-Qaeda, essa organização que tanto investimento na guerra tem provocado e tanto sangue inocente tem derramado, Barak Mendlesohn publicou um artigo na Foreign Affairs, a 9 de Março, cujo título é «Accepting Al-Qaeda», no qual sustenta que a actual situação no Médio Oriente «exige que Washington reformule a sua política em relação à Al-Qaeda», pelo que «desestabilizar a Al-Qaeda neste momento poderá comprometer os esforços dos EUA para derrotar o Estado Islâmico».

Barak Mendlesohn é israelita, Professor do Haverford College e antigo membro e dirigente da divisão de análise de assuntos externos e estratégia… das Forças Armadas israelitas.

O pior cego é o que não quer ver.

P.S.: A título de curiosidade, a Al-Qaeda combate as milícias xiitas no Iémen, sendo estas últimas apoiadas pelo Irão. Claro que à Arábia Saudita, aos EAU, ao Qatar e a Israel não dá jeito nenhum assistir ao reforço do poder xiita na região e à crescente emergência do Irão como potência regional (ao mesmo tempo que Assad consolida o seu poder).
Talvez por isso dê jeito a alguns revitalizar a imagem da Al-Qaeda e desenvolver alianças anti-Irão - que têm sido promovidas pelo novo Rei saudita junto do Egipto, da Turquia e de terceiros.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Bashar al-Assad e a Al-Qaeda

Já o tinha dito por mais de uma vez em alguns fóruns, incluindo em Dezembro de 2012, na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa: a União Europeia e os EUA estão a apoiar grupos rebeldes sírios, alguns dos quais com ligações à Al-Qaeda.

Com efeito, mantêm cooperação técnico-militar aos rebeldes que combatem contra Bashar al-Assad. É preciso derrubar o regime sírio, dizem.




Continuem a apoiar os rebeldes sírios. Bashar al-Assad não é o melhor exemplo de democracia, mas recordo que lidera um país com um índice de desenvolvimento humano invejável, se analisado globalmente. É um ditador, sim, mas será mesmo um imperativo derrubá-lo?