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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Recordar o 9/11

Cumprem-se hoje 14 anos desde o "ataque às Torres Gémeas".

Mas o que devíamos celebrar era a forma como o mundo evoluiu com a resposta norte-americana após o 9/11:
- Os EUA multiplicaram o investimento público no sector da Defesa;
- O Afeganistão praticamente inexiste;
- O Iraque, o Iémen e a Síria estão desfeitos;
- A Al-Qaeda já é um "movimento moderado" com o qual devemos colaborar;
- Desenvolveu-se um terceiro modelo aplicável aos conflitos armados totalmente contrário às Convenções de Genebra de 1949 que priva potenciais terroristas de todos os seus direitos enquanto Seres Humanos (nem as tropas nazis tiveram semelhante tratamento);
- Banalizou-se a tortura e condicionou-se significativamente a liberdade de expressão;
- Vivemos paranóicos com o terrorismo;
- Aumentou significativamente a política de execuções selectivas (targeted killings) contra pessoas que são assassinadas sem serem julgadas e sem autorização dos tribunais por serem suspeitas de quererem praticar actos de terrorismo;
- As aeronaves não tripuladas (drones) são o novo brinquedo de guerra que traz menos exposição humana, apresenta maior eficácia e banaliza as eliminações de pessoas ao assemelhar a experiência da participação em guerra a um jogo de computador.

Obrigado, EUA, por tudo o que têm feito a bem da Humanidade!

P.S.: Assusta-me ver a forma como se banalizam os drones, procurando dar uma imagem, à boa maneira de Hollywood, de que se tratam de instrumentos giros e modernos que nos facilitam a vida. Ninguém pensa na caixa de Pandora que está a abrir.

Imagem: Sputnik News

domingo, 11 de setembro de 2011

A propósito do 11 de Setembro.

Não há paciência para televisões e jornais desde há uma semana até ao dia de hoje: esta é a melhor altura para lançar medidas impopulares pois os órgãos de comunicação social adormecem os portugueses com não notícias e recordações de acontecimentos ocorridos há 10 anos.

Sim, a morte de seres humanos - sobretudo inocentes - é de lamentar e de evitar. Porém, para aqueles que choram e lamentam os cerca de 3.000 mortos do 9/11 como se este fosse o único acto de agressão internacional ocorrido da última década, gostaria de recordar os números das guerras do Iraque, do Afeganistão/Paquistão, publicado pelo Grupo de Estudo Eisenhower, em Junho de 2011:
- 31.741 militares mortos: 9.922 forças de segurança iraquianos, 8.756 afegãos, 3.520 paquistaneses, 1.192 tropas aliadas e os restantes norte-americanos;
- 172.300 (sim, cento e setenta e dois mil e trezentos) civis mortos: 11.700 afegãos, 125.000 iraquianos e 35.600 paquistaneses;
- 168 jornalistas mortos: 18 afegãos, 143 iraquianos e 7 paquistaneses;
- 266 funcionários de ONG mortos: 172 afegãos e 94 iraquianos;
- 7.815.000 (sim, sete milhões oitocentos e quinze mil) refugiados e deslocados internos: 3.315.000 afegãos, 3.500.000 iraquianos e 1.000.000 paquistaneses;

Total: 224.475 mortos, números «conservadores».

Quem chora estas perdas? Quem repara estes danos?