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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

"Cabecilha dos atentados de Paris" em Portugal?

Fala-se de alguma inquietação social com a notícia de hoje do JN. No entanto, importa esclarecer que:

1- Portugal não é um alvo privilegiado de grupos terroristas, embora já tenha sido incluído em alguns discursos de grupos extremistas;

2- O facto de Portugal não ser um alvo privilegiado não afasta a hipótese de ser um alvo secundário ou colateral;

3- Por regra, os grupos extremistas tendem a definir como "alvos privilegiados" os países ou as entidades/organizações/pessoas que criam obstáculos à concretização da sua agenda (p.e.: através do combate directo ao terrorismo ou ao próprio grupo, da intervenção militar num determinado país, etc);

4- Os "alvos colaterais" são aqueles que, não tendo acção directa, têm ligações ou são aliados dos "alvos privilegiados" e acabam por ser vistos como uma forma de, indirectamente, causar danos ao "alvo privilegiado";

5- No entanto, importa referir que estes potenciais alvos colaterais podem servir, muitas vezes, de porto de abrigo para a instalação, organização e desenvolvimento de grupos ligados ao terrorismo (nacional ou transnacional), sendo nestes territórios que conseguem alguma tranquilidade que não conseguiriam obter nos países que definem como "alvos privilegiados", uma vez que os últimos mantêm os níveis de alerta no máximo e as forças e serviços de segurança tendem a ser mais proactivos que os restantes na procura por elementos ou células dos grupos terroristas;

6- Regra geral, países como Portugal, Bélgica, Holanda, Irlanda, Áustria, entre outros considerados periféricos ou "de segunda linha", têm mais importância para os grupos terroristas do ponto de vista organizacional (preferindo instalar-se e preparar-se nestes países) do que propriamente operacional (para realizar um ataque);

7- E esta preferência organizacional acaba por ser justificada, também, com o facto de, se realizarem um ataque num país periférico face aos alvos privilegiados, poderem automaticamente comprometer um território onde se podem instalar ou por onde podem circular temporariamente por automaticamente contribuírem para o aumento dos níveis de alerta nesse país.

Ninguém pode afastar a hipótese de ocorrência de um atentado terrorista em Portugal, mas, em abstracto, o território nacional tem mais interesse como plataforma de entrada, circulação e permanência temporária de elementos extremistas com vista à realização de um ataque num terceiro Estado com outra visibilidade, do que propriamente para se fazer do nosso país um palco de promoção do "espectáculo" de horror a que já nos vamos habituando em diversos países por esse mundo fora.

sábado, 14 de novembro de 2015

Sobre os atentados de França 11/13

As primeiras impressões foram:
- Os ataques são concertados, o que aponta para premeditação;
- A menos que as autoridades andassem a dormir, um ataque com esta magnitude demora tempo a ser preparado e não se prepara e executa em apenas um dia, pelo que é pouco provável a tese de retaliação pela morte de "Jihadi" John;
- Este ataque surge numa sexta-feira 13, o que pode ser importante para compreender a motivação dos agentes que, não raras vezes, tendem a escolher datas simbólicas para um país ou para uma sociedade;
- Este ataque dá-se numa semana em que se discute o reforço das medidas de segurança no espaço europeu fruto do ataque contra a aeronave russa no Monte Sinai;
- Este ataque ocorre pouco tempo depois de 14 activistas terem sido condenados em França pela sua oposição contra a acção de Israel na Palestina e numa semana em que Israel é alvo de sanções da União Europeia, mais concretamente ao nível da inserção de informação nos rótulos dos bens de consumo de origem nos territórios ocupados desde 1967;
- Este ataque regista-se numa altura em que vários países europeus estão a repensar a sua estratégia para os refugiados (incluindo Alemanha e França);
- Isto acontece na véspera da Cimeira do G20, onde se discutiria, entre outros assuntos, a segurança;
- Convém não esquecer que o Euro'2016 é em França. Alguma coisa muita gente retirará daqui. Alguém está a fazer um aviso?
- A combinação dos números que compõem a data. Os anglosaxónicos tendem a usar a data no formato mês/dia/ano (pensem que o 11 de Setembro é 9/11 e não 11/9). Se repararem, o atentado de ontem, que já é apelidado de "equivalente ao 11 de Setembro", tem a numerologia de 11/13. Coincidências ou simbolismo puro?

O facto de tudo isto acontecer num momento em que:
a) A Rússia conquista ascendente mundial aos EUA,
b) Assad estar a ganhar novo impulso no terreno contra todos os que o combatem (Estado Islâmico incluído),
c) A Turquia ter realizado eleições e Erdogan agravar o seu autoritarismo no país e o seu discurso na região,
d) Tudo acontecer em vésperas de um G20 que terá lugar, coincidentemente, na Turquia, onde se discutiria assuntos de segurança,
e) Obama já ter avisado que os ataques são "contra a Humanidade"…

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

José Sócrates na Europa em nome do Brasil e prejuízo de Portugal.

Noticia hoje o Correio da Manhã que o Instituto de Estudos Políticos de Paris recusou duas vezes a candidatura de José Sócrates, tendo sido necessária a intervenção do Embaixador Francisco Seixas da Costa para que o problema fosse desbloqueado - e, com uma simples cunha, uma instituição deita todo o seu prestígio por terra. Esperamos todos que o apoio do Embaixador aos alunos portugueses a estudar em Paris seja em tudo idêntico ao prestado ao antigo Primeiro-Ministro.

Porém, o que mais lança preocupações é saber que, em Junho passado, José Sócrates foi convidado por Lula da Silva e Dilma Rousseff para exercer funções como representante dos interesses do Brasil na Europa - cargo este que aceitou - e ter designado o seu ex-assessor de imprensa, Luís Bernardo, para as mesmas funções na África lusófona. Ou seja, o Brasil contrata cidadãos portugueses para fazerem lóbi em favor dos seus interesses, ainda que tal comprometa os interesses de Portugal. Não espantam, por isso, as recentes visitas a Madrid e Berlim, antes de Passos Coelho, para se encontrar com José Luis Zapatero e Angela Merkel. O terreno foi preparado para o que aí vem, sobretudo com a série de privatizações que aí vêm.

Espantoso, porém, é o facto de todos acharem normal este fenómeno de ter um ex-Primeiro-Ministro a ser contratado para defender os interesses de terceiros em mercados que deviam ser os nossos, sobretudo quando estes manifestam vontade de atacar em força. Afinal, o que é isso de interesses portugueses e de que forma se distinguem de interesses de uma pseudo-elite política?