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domingo, 7 de abril de 2013

José Sócrates: análise ao primeiro programa

Não assinei, nem assino, manifestos contra a presença de quem quer que seja em que canal de televisão, frequência de rádio ou capa de jornal for. Já expressei os motivos pelos quais não me oponho ao programa de opinião de José Sócrates na RTP. Acho que o maior exemplo de hipocrisia e demagogia é dado por aqueles que assinaram a petição pueril e acabam por ver o programa. Deviam calar-se e por muito tempo.

Posto isto, tive legitimidade para assistir à estreia de «Opinião de José Sócrates». E tenho algumas observações a fazer. A primeira delas é que José Sócrates sabe o que está a fazer - o que não é novidade para ninguém. Vem muito bem preparado e, mais importante, sabe ser assertivo e está bem informado. Faz parte do seu feitio não contar muitas histórias, não adormecer o destinatário e ir directo ao objectivo pretendido. É uma questão de feitio. Curiosamente, prefiro este estilo ao do narrador que se perde em pormenores insignificantes como que querendo demonstrar que é quase perito na matéria que aborda.

Contudo, nota-se que José Sócrates ainda não é comentador. É político. E tem de deixar esta pele se não quiser perder o embalo de todos aqueles que o vão ver no início, correndo o risco de cair no cansaço. O tom de voz de Sócrates é o claro tom de voz do político que tem um discurso articulado e dirigido às massas e denota ter sido escolhido e treinado. Com Sócrates não há oportunidade para a voz lhe fugir ou falhar. E isto é mau. É mau porque retira a genuinidade ao conteúdo e quem o oiça acredita que está a ouvir um discurso montado. Já todos sabemos que é assim e que todos fazem o mesmo. Ainda assim, as pessoas não precisam que lhes seja dito que está tudo preparado. Todos nós sabemos que todos os truques de ilusionismo têm um segredo. Mas torcemos o nariz ao ilusionista se este desvendar o segredo ao mesmo tempo que executa o truque. Sócrates não pode mostrar que treinou o discurso 50 vezes antes de chegar à televisão e expressar-se como se fosse um autómato. Sócrates tem de conseguir um ar mais natural e ter um discurso mais fluido com menos ar de ter sido preparado. O público prestará outra atenção e verá Sócrates comentador e não Sócrates político.

Neste mesmo sentido, Sócrates não se pode esquecer que, apesar de o programa ser o seu espaço de opinião, tem à sua frente alguém. Não é suposto o programa ser um monólogo. É suposto ser quase uma conversa com a jornalista - e digo quase porque se fosse uma conversa a jornalista daria a sua opinião e não é assim pois a jornalista está ali para tentar dar um ar mais natural ao programa. Sócrates não pode simplesmente ignorar algumas interpelações da jornalista e agir como se fosse uma entrevista em que pretende defender a sua honra. Tem de dar o ar de quase conversa e não ser tão implacável ao ponto de estar excessivamente concentrado numa resposta, a jornalista tentar fazer uma observação nesse mesmo tema e Sócrates insistir como se ninguém falasse com ele. Não gosto do estilo de Marcelo Rebelo de Sousa. É demasiado forçado e quase dá o ar que está ali alguém a falar como se estivesse a falar para ignorantes. Mas Marcelo tem uma qualidade no seu espaço de opinião: a conversa flui naturalmente com Júlio Magalhães, Judite de Sousa ou quem estiver consigo. E ninguém lhe tira o estrelato no seu programa de opinião.

Marcelo Rebelo de Sousa também não tem um programa pesado, sempre muito fechado e sisudo. Sócrates não foi tão cáustico e agressivo como na entrevista de regresso a Portugal mas entrou neste programa com um posição demasiado forte. Não é preciso sorrir. Aliás, por vezes será necessário sorrir - sem ser por ironia ou um sorriso forçado. Mas, se quiser agarrar o público, as pessoas têm de se identificar com ele e dificilmente o farão se mantiver o ar cinzentão e negro que caracteriza os programas de opinião... e que tanto afugentam os portugueses. Posto isto, Sócrates também não poderá ser o corvo negro que só comenta conteúdos de difícil digestão. José Sócrates não só não poderá dedicar os seus programas ao ataque como poderá considerar a apresentação de alternativas e terá até de fazer comentários a acontecimentos positivos que lhe permitam aligeirar o ambiente típico de um programa desta natureza. E por acontecimentos positivos digo os mais variados assuntos que não sejam apenas ou necessariamente política.

Esta é a minha análise ao primeiro programa de José Sócrates. Com o tempo veremos como será José Sócrates comentador. Mas tenho quase a certeza de uma coisa: se Sócrates não corrigir estas imperfeições (naturais para um estreante) dificilmente conseguirá chegar às massas e limitar-se-á a ser o ex-Primeiro-Ministro que será comentado pelos mais fervorosos apoiantes e por aqueles que pretenderão usá-lo como forma de disfarçar as suas próprias imperfeições. Se se mantiver no registo de hoje, vai cansar o espectador. Será que é isso que pretende?

sexta-feira, 22 de março de 2013

José Sócrates, Cátia Palhinha e o Adamastor


José Sócrates vai ter um programa na RTP. Muitos não hesitaram em mostrar publicamente o seu choque com tamanha notícia. Simultaneamente, mostraram-se contra o regresso de José Sócrates. Em particular, aqueles que num passado muito recente acusavam os governos socialistas de «pressões e ingerências» agora convocam directores da estação pública para esclarecimentos e subscrevem e promovem petições para impedir a ida de Sócrates para a RTP. Verdadeiros democratas, portanto, que se revêem nos valores constitucionais.

Foi difícil, mas conseguiu gerar-se consenso em torno da diabolização de José Sócrates. Tal ódio não foi gratuito. Sócrates fez por merecê-lo. É, provavelmente, um dos piores políticos da história de Portugal. No entanto, não só não foi o único a desgraçar o País como o mérito deve ser dado a Passos Coelho: se, após um exílio, Sócrates se sente em condições de regressar a Portugal, talvez seja porque o actual Governo conseguiu a (quase impossível) façanha de superá-lo em disparate e incompetência. E fê-lo em menos de 2 anos, o que é admirável!

Ao mesmo tempo, baralham-me aqueles que subscrevem a petição contra José Sócrates na RTP. Afinal, não querem privatizar a RTP e permitir que esta seja livremente gerida por privados, mas querem que não dê prejuízo estando sob o domínio público. Se querem que a RTP não dê prejuízo, é bom que a deixem actuar e ombrear de igual para igual com SIC e TVI. Se para não dar prejuízo tiver de garantir boas audiências, então talvez seja importante perceber que não é com o TV Rural que se chega lá. O que vende não é o pobre Zé Maria, é o Marco a dar um pontapé na Sónia. O que vende não é a palestra do Padre Vítor Melícias, são as bacoradas da Cátia Palhinha com a Teresa Guilherme e o sexo na Casa dos Segredos.

Posto isto, se alguém acredita que José Sócrates não arrastará audiências para a RTP, então certamente consegue perceber menos disto do que eu. A menos, claro, que ninguém queira prejudicar o monopólio social-democrata nas televisões privadas. E aqui entram os estrategas: uns estão confiantes que a presença de Sócrates serve para dividir os pelotões de fuzilamento entre este e o Governo; outros acham que poderá ser útil porque não se limitará a atacar o Governo e também vai disparar em direcção a António José Seguro. Eu acho que muita gente anda a dormir e esquece-se que Sócrates é um verdadeiro animal político que não brinca em serviço - talvez seja por isso que muitos o queiram impedir de regressar. E a prova está dada num pequeno pormenor: vem a custo zero, sem receber 1 cêntimo da televisão pública. O guião está preparado e acredito que Sócrates entrou em campanha para outros voos, sobretudo a pensar em reabilitar as suas fileiras e apostar nas Presidenciais. Depois do Adamastor, José Sócrates é, provavelmente, o nome que mais receios causa às elites (políticas) portuguesas.

No CDS, partido ao qual pertenço há já vários anos, é comum assistir-se à divulgação de uma frase poética como forma de reiterar que o partido defende a liberdade individual e o bom senso de cada um, a saber «quando um tipo de direita não gosta de armas, não as compra/quando um tipo de esquerda não gosta de armas, quer proibi-las». Sinceramente, tenho dificuldades em compreender porque motivo CDS e PSD não honram os valores que professam. Pela lógica, «quando um tipo de direita não gosta de um comentador, muda de canal/quando um tipo de esquerda não gosta de um comentador, quer proibi-lo». Não devia ser assim?

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Regresso do TV Rural: o momento TVWC da Esquerda


A mesma Esquerda que acusa as bancadas de PSD e CDS de «ingerência» na grelha da televisão pública - por sugerirem ao Governo o regresso de um programa semelhante ao TV Rural - é a mesma Esquerda que quer manter a RTP 100% nas mãos do Estado.


Afinal, quem se quer ingerir no quê? Já agora, como pretende a Esquerda ter uma televisão pública, do Estado, sem programação especificamente direccionada a sectores estratégicos, além da de interesse comum?

Esta acusação de ingerência (e outros delírios) é do mais acéfalo que se tem visto nos últimos tempos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O futuro da RTP, ou uma espécie de Parceria Público-Privada «alla António Borges»

Nem privatização, nem permanência no Estado. A solução encontrada para a RTP passa pelo encerramento da RTP2 e pela concessão da RTP1. Isto, se António Borges for, de facto, o «ministro sombra» do Governo e vincular o Executivo à solução que encontrou para a televisão pública - o que poderá muito bem ser verdade, considerando a reacção do gabinete de Miguel Relvas, ministro da tutela, isto apesar da indignação do CDS-PP.

O plano anunciado por António Borges é, no mínimo, sui generis e, se avançar, será mais um neomodelo de Parceria Público-Privada (PPP), que é exactamente aquilo de que precisamos nesta altura, do que propriamente uma solução para a televisão pública. O resultado final promete ser danoso para o Estado, como já nos habituaram as PPP, mas com algumas diferenças, senão vejamos:
  • Ao contrário das tradicionais PPP, a propriedade dos canais de televisão e de rádio mantém-se no Estado, mas os direitos de exploração são transferidos para o privado, por um período que poderá ir até 25 anos (!!);
  • O regime de exploração é um misto de locação com usufruto: o privado assume os riscos e os benefícios da exploração, mas, por um lado, é obrigado a prosseguir o «interesse público» (está limitado nos fins, logo, aproxima-se de um direito pessoal), e, por outro lado, pode despedir funcionários «se assim o entender» (estamos aqui perante um direito real);
  • Tanto quanto se conhece do modelo proposto, ao contrário das PPP (p.e., rodoviárias e transportes), o Estado não assume quaisquer encargos em caso de não cumprimento de objectivos mínimos resultantes da exploração, mas aqueles que tenham um contrato de fornecimento de electricidade continuam a pagar a «taxa de audiovisual», que vai reverter para o privado que explorar o negócio, isto apesar de muitos já pagarem a empresas de televisão por cabo para fornecerem esses mesmos canais - e acabar com esta «dupla tributação» seria um acto tremendamente reconhecido pelos portugueses. Ou seja, temos um privado (EDP) a financiar um privado que é privado no que interessa (RTP) através de Lei!: afinal, quem impõe a taxa de audiovisual? Esta é, provavelmente, a única taxa que se conhece cujas receitas não revertem para um fim directamente público. Com efeito, vai ser o valor de uma taxa que vai patrocinar os salários das celebridades cujo trabalho tem como fim... gerar lucros a um agente privado!

Além de se ter encontrado aqui uma boa desculpa para se fazer uma limpeza à casa através do despedimento de funcionários públicos - alguns dos quais ainda hoje desempenham funções através de falsos recibos verdes -, no fundo os contribuintes alimentam mais um «elefante branco» inventado por meia dúzia de governantes que recorrem à demagogia e à falácia para fazer passar projectos que beneficiam «interesses a instalar» ao inverterem o jogo e invocarem um qualquer dever patriótico para combaterem «interesses instalados» que tenho sérias dúvidas que existam. Aliás, seria importante que alguém se digne a informar o que acontecerá ao valor da «taxa de audiovisual» caso o negócio de exploração dê prejuízo para os privados ou estes pretendam fazer um investimento avultado em nome do «interesse público». Equaciona-se o aumento desta taxa em alguma circunstância?

Porém, o mais curioso nesta estratégia de querer fazer passar a nova «estratégia» para a RTP como viável é o recurso a soundbytes, já gastos, e que em nada correspondem à realidade. Alguém no seu perfeito juízo consegue acreditar que o privado «estará em melhores condições para gerir o negócio», como disse António Borges? Porque motivo está o privado em melhores condições? Será que um conselho de administração gere melhor uma empresa por estar no privado? Os neurónios e a capacidade de gestão são inferiores quando se está no público? É como a história de profissionalização dos árbitros de futebol: o que leva alguém a crer que um árbitro profissional vai passar a ver o penalty ou o fora-de-jogo que não consegue ver enquanto amador? A melhoria da visão é proporcional ao aumento salarial?

Finalmente, para terminar em beleza, António Borges diz que «o Estado não é bom gestor, muito menos de televisão». Aqui está mais um comentário completamente acéfalo e que constitui uma tentativa de convencer o público que o Estado é uma pessoa singular, autónoma, com vontade própria e independente daqueles que o gerem nos mais variados sectores e que, sempre que deixam um buraco bastante fundo no sector público ocorre sempre um de dois fenómenos (quando não mesmo os dois): (i) ao privatizar-se uma determinada empresa pública, o negócio passa a gerar lucros, apesar de funcionar com os mesmos profissionais e gestores; (ii) aquele que contribui para o buraco no sector público vê os seus feitos reconhecidos e passa a integrar a administração de uma qualquer empresa privada nacional ou internacional, onde vai passar a auferir um salário consideravelmente superior.

E assim segue o Estado. Estamos a oferecer património a «interesses a instalar». Quem puder, agarre um talento e capitalize-o: brevemente já não teremos nada para alienar!

sábado, 10 de setembro de 2011

A RTP, Márcia Rodrigues e a entrevista a Ahmadinejad.

Para aqueles que insistem na privatização da RTP, a passada quarta-feira deu mais um motivo para não o fazer: a entrevista da jornalista Márcia Rodrigues ao Presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad. Aqueles que assistiram deverão ter ficado com a sensação de que é possível fazer um trabalho jornalístico sério e competente, sem enveredar pela futilidade que caracteriza as outras estações ou sem precisar de reservar 15 a 20 minutos para declarações de treinadores e jogadores de futebol como forma de preencher o tempo e captar o telespectador.

Márcia Rodrigues é, na minha óptica, um excelente exemplo daquilo que um jornalista deve ser, dando o nome a uma série de reportagens muito interessantes sobre política internacional. Esta foi mais uma, na qual ficou patente o entusiasmo que sentia nas perguntas que fazia: muito bem escolhidas, a maioria delas difíceis para se fazer num ambiente que poderia revelar-se hostil, fez com que o entrevistado respondesse a todas elas e da forma mais completa possível. Ao contrário de alguns que repudiam a transmissão de uma entrevista deste género em horário nobre, imediatamente após o telejornal - alegando que a RTP faz propaganda a um ditador -, eu vejo o oposto: vejo uma oportunidade de dar a conhecer aos portugueses o outro lado da moeda, a visão e os argumentos daquela personalidade sobre quem tanta gente fala (muitas vezes de forma errada), mas cujos argumentos em defesa própria se desconhecem. Falta agora a prova de fogo à isenção de Márcia Rodrigues: uma entrevista no mesmo tom a Benjamin Netanyahu.

Não víamos uma entrevista assim há muito tempo e os resultados de um trabalho desta qualidade estão à vista: embora se desconheça o share obtido pela RTP nesta noite, a entrevista correu mundo, senão veja-se aqui, aqui, aqui e até aqui, em Israel. Isto é mais do que serviço público, é também serviço de prestígio. E não são só os estrangeiros que apreciam estes conteúdos, os portugueses também - importa recordar que na década de 1980, eram os programas de cultura geral, como os de Jacques Cousteau, que lideravam as audiências televisivas.

Assim sendo, para quê privatizar uma estação que tudo o que necessita é de reorientação e também de trocar as telenovelas e os programas de estupidificação matutina e vespertina em favor de programas de cultura ou de documentários sobre os mais diversos temas? A título de exemplo, olhem para a CBS e para o seu 60 Minutes, provavelmente, o melhor programa de entrevistas e investigação que temos actualmente: não temos Lesley Stahl, mas temos Sandra Felgueiras; não temos Lara Logan, mas temos Márcia Rodrigues. Só não temos um verdadeiro 60 Minutes, mas com orientação e vontade lá chegaremos.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Privatizações, ou seguir a via radical quando falta talento para redefinir o modelo de gestão.

A deputada social-democrata Ana Sofia Bettencourt deu hoje uma entrevista ao jornal I. Entre outras respostas curiosas - como o erro de justificar a rejeição do casamento entre pessoas do mesmo sexo com o facto de ser católica, correndo o risco de contribuir para que a opinião popular dependa da religiosidade -, quando indagada sobre se era favorável à privatização da RTP, Ana Sofia Bettencourt disse «O mais possível. A RTP, principalmente a RTP1, terá de ser privatizada porque o serviço público não está lá reflectido a maior parte das vezes».
A resposta da deputada reflecte a ideologia que reina na São Caetano e que passa por livrar-se de tudo o que possa dar algum trabalho a colocar no trilho certo. Este pensamento é em tudo semelhante ao da dona de casa que, não sabendo o que fazer aos cortinados da sala que deixaram de combinar com a mobília nova, decide deitá-los fora:
- Mas os cortinados ainda estão novos!
- Não interessa! Lixo!
Provavelmente, com um pouco de calma, estes cortinados podem até não combinar com a disposição da sala, mas quem sabe se não podem ser aproveitados para decorar um quarto ou, porque não, até acabam por combinar com a sala se se equilibrarem as cores das paredes?
Eu também cheguei a pensar como Ana Sofia Bettencourt. Entretanto, evoluí e oponho-me hoje à privatização da RTP. É a solução mais fácil, tipicamente defendida por quem não quer perder tempo a redefinir os objectivos e o modelo de gestão da televisão ou então por aqueles que não têm talento para fazê-lo. Ser a favor da privatização da RTP «porque o serviço público não está lá reflectido a maior parte das vezes» denota dificuldades gritantes da deputada para atribuir uma nova missão à televisão capaz de maximizar os recursos da televisão pública, o que até se torna factor irrelevante quando o potencial comprador já está escolhido e, curiosamente, até tem ligações e afinidades partidárias com quem toma a decisão. Qual é a solução para isto? Vender.
Sobre «serviço público», Sarkozy alterou este conceito no que à televisão diz respeito, a BBC tem vindo a fazer o mesmo e Portugal tem condições para avançar neste sentido. Para isso, basta haver vontade política e talento daqueles que tiverem esta missão não tão complexa quanto muitos querem fazer parecer. Porém, o actual PSD é um PSD com ideais opostos aos do CDS - crítico em matéria de privatizações - e disposto a obter receita, dê lá por onde der, sem que tenha propriamente definido um plano capaz de dar uma resposta eficaz à pergunta «e quando tudo já tiver sido vendido?».