Como é sabido, o CDS-PP tem promovido a campanha de redução de aposta em propaganda de rua, tendo como princípio fundamental a redução de custos. Concordo com o fim que esta proposta visa atingir, mas também
já pude expressar algumas reservas, sobretudo no que diz respeito à utilização de tecnologias.
Assim sendo, em princípio, as candidaturas autárquicas do CDS-PP não terão cartazes nas ruas. Mas há outras, como a de Almada, que continuam convictas que a campanha e a conquista de votos se faz através de uma página de Facebook com 1.600 seguidores - num concelho com cerca de 170.000 habitantes -, dos quais cerca de 95% são militantes do partido de todos os pontos do País (excluindo os de Almada). Ir para as ruas, o principal meio de conquista de voto, está praticamente fora de questão, só a dois meses das eleições e a cada quinze dias, ao domingo à tarde, período durante o qual ainda se pode aproveitar para beber uma cerveja.
Questiona-se se acreditam mesmo que estão a fazer campanha para uma multidão de eleitores ou se utilizam a página apenas para afagar o ego. Não obstante, o CDS-PP Almada decidiu fazer outdoors digitais, ou cartazes que publicam no Facebook, acompanhados de algumas medidas que propõem. O resultado é, no mínimo, intrigante, senão vejamos:
Juntar letras brancas e azuis num fundo azul e branco não parece que seja a escolha mais feliz. Fica esteticamente pobre (e não apenas simples), o tamanho de letra é demasiado pequeno para todo o espaço disponível no outdoor e a mensagem é igualmente pobre e enigmática - quando devia ser clara.
O símbolo do Partido é bem visível, mas questiona-se o motivo de preencherem 25% do espaço disponível, no lado esquerdo, com a pessoa que dá a cara e com o símbolo do Partido, deixando 75% do espaço quase vazio. Mais, «Almada Autárquicas 2013» significa pouco ou nada. Seria melhor se fosse feita a referência a Câmara Municipal, Assembleia Municipal ou Assembleia de Freguesia.
Por outro lado, ninguém sabe se está perante um figurante ou perante um candidato (ao que quer que seja). Mais, não basta as cores predominantes serem o azul e o branco, o sujeito ainda tira fotografias com roupas praticamente claras. E, pior, não deixa de ser irónico que o outdoor diga respeito a mobilidade e o candidato, apesar de ter um casaco tão largo que parece o casaco de um avô com o triplo do seu peso, ainda tem os braços numa posição que parece que está preso por um colete de forças.
Um outro exemplo de amadorismo é evidente no seguinte outdoor:
Além de se manter o padrão de escolha de cores infeliz, é possível constatar que estes cartazes são feitos em cima do joelho pelo facto de terem uma dimensão completamente diferente da do primeiro e de, o tamanho e o tipo de letra serem também diferentes e, na parte inferior, já não aparece «Almada Autárquicas 2013» mas «CDS Almada 2013», também com outro tamanho de letra e numa zona do outdoor diferente da do outro. Não há rigor. E o que dizer de um buraco enorme sem qualquer tipo de preenchimento?
Gostava de afirmar que esta imagem foi produzida em Photoshop e, se foi, houve recurso às ferramentas mais básicas deste programa - como o degradé de fundo azul que se vai tornando branco e o sentido inverso da mesma combinação de cores na linha inferior onde está escrito «CDS-PP Almada 2013». Tudo isto demonstra falta de capacidade para fazer propaganda e, também, falta de conhecimentos mínimos para explorar as tais tecnologias que o próprio CDS-PP defende.
No entanto, importa ainda fazer uma referência a quem dá a cara por este
outdoor. Estamos perante uma candidata, uma médica que dá a cara, uma médica candidata ou mascararam uma moça com uma bata e um estetoscópio e tiraram a fotografia querendo fazer o destinatário crer que estamos perante uma médica? Se for a última hipótese, a criatividade e visão de quem comanda a campanha ainda é mais preocupante, de tão pueril que é.
Repare-se ainda no cartaz da candidata à Costa da Caparica. Novamente o problema das cores de fundo e das letras. Provavelmente leram o conteúdo desta peça e começaram a publicar os nomes de quem dá a cara e a identificar o órgão a que se candidatam. Não obstante a pobreza gráfica, que pode encontrar diversas justificações, será difícil de explicar um erro gramatical básico num
outdoor. Colocar uma vírgula entre o sujeito e o predicado é indesculpável e também passível de afectar a própria credibilidade de quem divulga um conteúdo de cariz político.
Apesar das fragilidades evidentes na tentativa de organização de uma campanha que demonstram que o CDS-PP Almada se encontra num nível abaixo do amador - e brevemente comentaremos neste espaço aquilo a que chamam de propostas -, não pode deixar de merecer estupefacção este terceiro outdoor digital:

Não fui eu que encolhi ou despixelizei o cartaz. Este é o tamanho original! O cabeça-de-cartaz, o peso-pesado de toda esta campanha, que é o candidato a Presidente de Câmara, tem direito a um rectângulo em formato nano! Ainda dá para perceber que o candidato tem cabelo e que está lá escrito «trazer Almada de volta!», mas a pobreza do cartaz é assinalável e lamentável. Ainda assim, parece ter mais potencial de seriedade do que os dois exemplos de cima. E o candidato a Presidente da Assembleia Municipal? Já perdeu o medo de tirar fotografias ou vai permanecer desconhecido?
* o artigo foi actualizado às 15h00 de 28 de Julho de 2013 para acrescentar o texto referente ao outdoor da Costa da Caparica.