Mostrar mensagens com a etiqueta António Neves. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Neves. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Quem foi eleito para a Câmara Municipal de Almada?

Por aplicação do art. 57.º, n.º 2, al. c) da Lei das Autarquias Locais, o Executivo camarário de Almada, concelho com mais de 100.000 eleitores, é composto pelo Presidente e mais 10 vereadores. Como é sabido, a CDU conquistou maioria absoluta por 59 votos, tendo agora o Presidente e 5 vereadores, o PS mantém 3 assentos e o PSD 2.

A composição final da Câmara Municipal de Almada será a seguinte para os próximos 4 anos:

 Joaquim Judas (CDU)

 José Gonçalves (CDU)

 Amélia Pardal (CDU)

 António Matos (CDU)

 Rui Jorge Martins (CDU)

 Mara Figueiredo (CDU)

 Joaquim Barbosa (PS)

Francisca Parreira (PS) 

Vítor Castanheira (PS) 

António Neves (PSD)

Miguel Cardina (PSD)

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Autárquicas'2013: a propaganda de guerrilha e o programa eleitoral do PSD Almada

Eis que tomava um copo com uns amigos na Costa da Caparica quando ao regressar ao meu automóvel tinha isto no pára-brisas:


O choque demorou 2 segundos a passar e só passou porque lembrei-me imediatamente que não é este o formato de depósito das coimas nas viaturas. Ainda assim, obedeci e segui as instruções da parte infra da «multa» e ao virar (símbolo que é apresentado) vejo que a «minha multa» é esta:


A menos que se tratasse de propaganda da CDU ou do PS - o que não fazia sentido - pareceu-me que havia ali algo que não batia certo, uma vez que era claramente propaganda do PSD e sendo uma multa uma sanção, logo, um facto negativo, não fazia sentido que a «multa» fosse António Neves. Tentei ver se tinha algo mais e constato que a «multa» estava quase colada e, afinal, o sinal que indicava para virar devia antes indicar «abrir» para se aceder ao conteúdo que interessava e que é este:


Apesar da legenda infeliz - o que pode prejudicar a campanha nos casos dos condutores que vejam a frente e o verso e ignorem que o conteúdo é, afinal desdobrável -, saúda-se o facto de haver um pontapé no marasmo, pelo PSD Almada, na forma de chegar ao destinatário, fugindo aos habituais panfletos, com muitos chavões à mistura e «cadernetas de cromos» para ilustrar o espaço que sobra.

Na verdade, a ideia de «multar» condutores está bem feita, dado que é concretizada em espaços onde a ECALMA está activa e a «varrer» tudo o que se lhe atravesse no caminho, o que permite criar uma afinidade entre os condutores/eleitores e a candidatura que se propõe a extinguir o «mal». Peca, no meu entender, além da questão do sinal de virar, no facto de não apelar ao voto directo no PSD. O folheto é claro ao dizer «no próximo dia 29 de Setembro acabe com a ECALMA» e só falta o resto «vote PSD» ou «vote António Neves». Se se opta por uma abordagem agressiva e se se convida o eleitor a acabar com a ECALMA, tem de se terminar dizendo como se pode fazê-lo, mesmo que pareça evidente quem está a pedir o voto.

Ainda assim, sublinhe-se a originalidade da ideia e a forma quase perfeita de concepção. Bem sei que não é consensual a abordagem agressiva/de choque. Afinal, é um risco que pode não ter o impacto pretendido no destinatário. No nosso caso, somos favoráveis à surpresa, à abordagem agressiva, desde que não se torne uma agressividade de tal forma saturante, exaustiva ou chocante que produza um impacto negativo no eleitor. Ao contrário de alguns, achamos que a filosofia «falem bem ou falem mal o importante é falarem» não pode ser uma opção, sobretudo em actos eleitorais.

No entanto, apoiamos este tipo de propaganda do PSD Almada, a qual podemos apelidar de guerrilha, uma vez que se aproxima do conceito «marketing de guerrilha», ou iniciativa publicitária que envolve um investimento baixo, decorre num curto espaço de tempo e visa causar a surpresa no destinatário e chamar à atenção do maior número de pessoas possível. Talvez este exemplo pudesse ter inspirado outras acções nas 5 ou 6 ideias que caracterizam a candidatura de António Neves à Câmara Municipal de Almada e que têm sido apresentadas nos outdoors. Afinal, insistimos que a originalidade tende a dar frutos.


Paralelamente, devemos olhar para o programa eleitoral do PSD Almada para as autárquicas'2013. Começamos por referir que a grande lacuna desta campanha é a não exploração do sítio de internet da concelhia, que continua meio abandonado. No entanto, as funcionalidades do Facebook têm sido bem aproveitadas. De facto, o PSD Almada optou por criar uma aplicação através da qual os utilizadores podem visualizar as listas completas a todos os órgãos de poder local do concelho, aos programa eleitorais para a Câmara Municipal e para cada uma das freguesias e, muito interessante, uma secção dedicada aos jovens, que é explorada pela JSD, identifica os candidatos da Jota aos órgãos sujeitos a escrutínio e ainda apresenta a visão da JSD sobre as mais diversas áreas. Muito positiva esta iniciativa que não identificámos em mais nenhuma campanha, embora a vejamos como uma espécie de «programa eleitoral anotado», onde consta a explicação das medidas que se propõem no programa.

O programa eleitoral do PSD Almada é extremamente simples e composto por duas páginas: uma, onde apresenta os candidatos à Câmara Municipal e à Assembleia Municipal, a outra, onde apresenta as propostas imediatamente, sob o formato de tópicos, após um preâmbulo de enquadramento. Por um lado, não fará sentido cansar o (e)leitor com um programa exaustivo, em texto corrido, de inúmeras páginas. Até porque nem tudo o que é feito pela actual gestão é mal feito, pelo contrário, e existe um número indeterminado de actos que são para manter, sendo escusada a repetição saturante de cada um desses actos. No entanto, resumir um programa eleitoral para um município desta dimensão a alguns tópicos que ocupam dois terços de uma página parece manifestamente pouco.

Não obstante, propõe o PSD a aposta no voluntariado, na requalificação de bairros camarários - e vai mais além do que a proposta da CDU ao propôr, p.e., a criação de estruturas de convivência comunitária - e na eliminação das barracas e reconversão das AUGI (Áreas Urbanas de Génese Ilegal). Propõe ainda o PSD Almada, como é sabido, a extinção da ECALMA, tarifários de estacionamento mais favoráveis em função de características específicas e a gratuitidade do estacionamento em determinadas áreas (conforme consta no programa para a União de Freguesias de Laranjeiro e Feijó).

Simultaneamente, lamenta-se a pobreza de propostas para ambiente, ordenamento do território e segurança, limitando-se a propor pouco mais do que a revisão do Plano Director Municipal (PDM) e a melhorar a iluminação pública nas ruas. Resumir a segurança à iluminação e de forma indirecta, é demasiado redutor e desilude qualquer eleitor teoricamente disponível para votar PSD - mais ainda desiludirá os indecisos.

Relativamente à juventude, apenas se conseguem destacar a criação do Festival dos Talentos e a abertura de um centro de estudos. Pouco mais é dito (ou mesmo nada) em matéria de escolas, ensino superior, centro de investigação científica, permanência e formas de atrair os jovens a permanecerem no concelho, etc. Por outro lado, ninguém pode ficar indiferente à excelente proposta de abertura de uma loja do munícipe em cada freguesia. Eis uma medida concreta, muito positiva e útil e que precisa de poucas palavras para ser apresentada.

Finalmente, outro factor a favor de António Neves passa pela apresentação de um conjunto de medidas para a Economia, tema fundamental para o Município e ao qual a CDU, actualmente no poder, passa completamente ao lado - com os prejuízos visíveis para o concelho. E aqui é muito importante o PSD propôr a redução da derrama e a diminuição de taxas, tarifas e licenças para projectos que constituam mais-valias e agilizar os processos de licenciamento. O PSD pretende ainda apostar no comércio local e lançar um portal que divulgue o comércio e as campanhas que os comerciantes realizem. Ademais, propõe a criação de um festival de verão, o Festival do Mar e, tal como a CDU, promover o prolongamento do Metro Sul do Tejo à Costa da Caparica.

A síntese é de salutar, mas o programa eleitoral do PSD é grosseiramente sintético. Por mais estranho que possa parecer, a JSD propõe um programa mais completo e pormenorizado que o do Partido. Uma situação seria a de ter de comprimir um programa numa folha que constituísse um folheto em formato físico a distribuir aos eleitores. Outra situação completamente diferente é disponibilizar o programa em formato digital e condensar a visão para um Município desta dimensão em cerca de duas dezenas de propostas. Afinal, onde estão a cultura, o desporto, a saúde e o urbanismo? E o turismo, onde fica? Resumido a uma frase vaga de manifestação de vontade em dinamizar o turismo e explorar o potencial do Cristo-Rei? De que forma se pretende fazer isso? E a requalificação de zonas importantes como Cacilhas e o Ginjal?

Em suma, é por demais evidente, pelo exemplo dado pelo PSD Almada, que é possível dizer muito com poucas palavras e abranger todas as áreas, desde que se tenha 1 ou 2 propostas, em cada um dos sectores, que gerem agitação e estabeleçam a diferença (positiva) para as restantes candidaturas. Os efeitos perversos resultantes do risco em recorrer ao abuso de síntese fica patente no silêncio sobre como se pretende implementar cada uma das poucas medidas que o PSD Almada propõe e ainda na ausência de outras, vitais para o Município. A candidatura liderada por António Neves demonstra alguma criatividade, interesse, noção dos problemas do concelho e capacidade para imprimir a mudança em algumas áreas mas, no fim, fica a sensação de que passa ao lado de matérias que não podem ser ignoradas, atenuando o potencial de exploração que esta candidatura pode ter em Almada. É só isto que o PSD tem a propor? Caberá ao PSD Almada demonstrar que se propõe a fazer muito mais neste concelho.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Autárquicas'2013: mais propaganda nas ruas de Almada (PSD, CDU, CDS-PP e PCTP/MRPP)

Mantém-se a aposta dos candidatos às autárquicas na propaganda de rua, em Almada. Novos outdoors, mais MUPI e mais propaganda em postes de iluminação. O primeiro desses exemplos é o novo cartaz do PSD:


Mais um bom cartaz da candidatura do PSD a Almada. Cores claras, Almada como pano de fundo e o ar natural do candidato, sem retoques de imagem - se houve alguma modificação, está bem feita. Os responsáveis pela comunicação e imagem de António Neves fizeram um excelente trabalho ao insistirem na tendência do outdoor anterior de destacarem medidas concretas para o município. São, aliás, os únicos que o fazem. Mantêm-se fiéis à identidade do Partido e exibem o logótipo do PSD e ainda o do mote de campanha e o slogan «Um futuro para todos», o código QR e o endereço de Facebook. O «Estamos juntos» também beneficia este cartaz, pois cria uma ligação entre o candidato e o eleitor.

Como pontos contra destaco o facto de não ser feito o apelo ao voto e de se colocar cartazes com a proposta de extinção da ECALMA fora da área de jurisdição desta entidade, não sendo, portanto, uma ameaça directa (por exemplo, na Cova da Piedade, junto à REPSOL). Ainda assim, mais um bom exemplo de propaganda.


No que respeita aos MUPI, repare-se nos da CDU:


Já estão disponíveis em todas as freguesias, atacando uma rotunda ou uma curva perto de si. Na verdade, a CDU tem uma estratégia muito interessante em matéria de propaganda eleitoral: outdoor 8x3 e 2x1,5 para o candidato à Câmara Municipal, propaganda em postes de iluminação com o nome e as cores da CDU, MUPI para os candidatos às Juntas de Freguesia e panfletos nas caixas do correio com os candidatos à Câmara Municipal e à Junta respectiva. Pelo meio, uma revista de 8 páginas, a cores, bem concebida, com o programa para cada freguesia e apresentação de todos os candidatos, que é inserido nas caixas de correio. Basicamente, a CDU está em todo o lado. Uma estratégia, no nosso entender, francamente boa.


Seguem-se os MUPI da candidatura do PCTP/MRPP:


Saúda-se a presença significativa dos MUPI da candidatura de Domingos Bulhão. Ainda só tive oportunidade de me cruzar com estes MUPI (vários) nas freguesias de Laranjeiro e Feijó, mas estes MUPI destacam-se. Seguem um modelo muito semelhante ao do primeiro outdoor do MRPP, com a vantagem de ter sido eliminado aquele rebordo vermelho que era fiel à identidade do Partido mas dava um ar muito pesado e antiquado à propaganda. Por outro lado, assinala-se também o facto de haver um apelo claro ao voto com a indicação da designação do Partido, ser incluído o logótipo como estará visível no boletim de voto e ainda a cruz assinalada no quadrado que valida o voto. A palavra «VOTA» está bem destacada, a fotografia do candidato também e saúda-se a inclusão do sítio de internet do PCTP/MRPP e também de um e-mail de contacto. Todas estas alterações face ao primeiro outdoor constam agora do cartaz visível na rotunda do Centro Sul. No nosso entendimento, jogam favoravelmente com a candidatura.

Como ponto negativo desta propaganda apenas (i) a ausência de referência à página de Facebook da candidatura e (ii) a colocação dos outdoors. Com efeito, parece ser evidente a tendência de se colocarem MUPI entre duas saídas das rotundas, de costas voltadas para os transeuntes e a apostarem claramente em quem circula de automóvel. O problema é que quem sai da rotunda acelera e quem entra nela é que tem de abrandar, pelo que talvez fosse melhor apostar nos MUPI nas principais entradas das rotundas e/ou, eventualmente, também viradas para o passeio onde os transeuntes a possam ver. Apesar de tudo, denota-se o esforço em querer chegar aos eleitores, o que se saúda.


Um outro destaque é dado à propaganda do CDS-PP afixada nos postes de iluminação:


A qualidade não é a melhor, mas a candidatura tenta estar presente. É bem visível o rosto do candidato à Junta de Freguesia e o logótipo do Partido. Como sabemos, o excessivo amadorismo na campanha do CDS-PP em Almada é mais do que patente, pelo que o slogan inscrito é o possível tendo em conta as limitações da concelhia - todos eles, em geral, são demasiado toscos. Como ponto negativo, assinale-se o facto de um pequeno Partido como o CDS-PP concorrer com os maiores (PS e CDU) em espaços comuns - como se pode ver nesta imagem e nos vários pontos das ruas de Feijó e Laranjeiro, deixando, inacreditavelmente, espaços vazios de ruas e avenidas sem um único cartaz - uma vez que não está neste espaço nenhum afixado de qualquer um dos adversário. É, porém, a única lista a afixar propaganda mesmo à porta da Junta de Freguesia do Feijó.

Finalmente, estranha-se que apenas esteja afixada propaganda no Feijó e no Laranjeiro, o que permite chegar a uma de duas conclusões: ou vão afixar o que falta nos próximos dias - e se assim for será em cima das eleições perdendo a propaganda a sua utilidade - ou então será o candidato à Junta de Freguesia ou alguém ligado a ele a financiar estes cartazes. No mais, nem um outdoor, nem um MUPI. Apenas os «outdoors digitais» que já aqui comentámos e que são de tão baixa qualidade que nos fazem interrogar se o Partido que recebeu mais de €14.000 em subvenções do Estado nas eleições autárquicas de 2009 não consegue encontrar uma única pessoa, minimamente criativa e com bom senso, no Partido ou fora dele, que ajude a fazer cartazes minimamente decentes.


Como é que alguém permite que o Partido se promova e promova um candidato desta maneira? Recorte da imagem à pedrada - até as orelhas cortaram ao rapaz, que parece ter sido dopado antes de tirar a fotografia (ou então acabou de acordar) - e colagem a cuspo num fundo criado num slide de Powerpoint. O nome do candidato nem sequer aparece, se é que seja este o candidato, não há qualquer disciplina no tipo de letra e na disposição de uma frase tão simples - repare-se que «nova» é escrito em letra minúscula mas «Novo» já começa por maiúscula -, no lema mais básico possível.


Uma vez mais os erros gramaticais, com uma vírgula entre o sujeito e o predicado. Tipo de letra desarmonizado relativamente aos restantes «outdoors» - a indisciplina é a ordem nesta concelhia - e um lema também ele muito tosco.


Não foi por acaso que esta triste imagem teve direito a uma referência na página dos Tesourinhos das Autárquicas 2013. É demasiado má para ser verdade. Estamos a falar de Almada, no século XXI, e o candidato publica uma imagem altamente pixelizada, do século passado (literalmente), estreita-a para parecer menos cheio do que é na realidade e acaba a benzer o eleitorado com um «Em Nome de Todos». Não se fazem slides de Powerpoint deste calibre desde que o Windows 3.11 chegou ao mercado. Um «outdoor» destes, afixado nas ruas de Almada, ou é alvo de chacota geral ou só conquista votos por pena, dado o modo de concepção tão franciscano.

domingo, 28 de julho de 2013

Os outdoors do PSD em Almada (António Neves)


Este é o cartaz oficial da candidatura do PSD à Câmara Municipal de Almada, encabeçada por António Neves, ainda Presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica. Depois de algumas peripécias com o cartaz inicial - com uma imagem mais pobre do que o actual e com a imagem do Cristo Redentor em vez do Cristo-Rei -, a candidatura social-democrata segue um modelo de cartaz genérico parcialmente semelhante à do candidato do PS, a saber:
  • O rosto do candidato ocupa uma parcela significativa do espaço disponível, sendo bem visível;
  • O candidato sorri, transmitindo uma imagem de receptividade e simpatia junto dos destinatários;
  • Escolhe uma única cor de fundo - embora menos arriscada que a do candidato socialista (azul vs preto);
  • O nome do candidato exibido num tipo de letra simples e na dimensão ideal para possibilitar a sua leitura a qualquer distância;
  • Um desenho de fundo sem grande pormenor com símbolo da cidade (o Cristo-Rei e a Ponte 25 de Abril vs Câmara «velha»);
  • Disponibiliza uma via de internet através da qual o podem encontrar (António Neves escolheu a página de Facebook e Joaquim Barbosa o site do PS Almada);
  • O logótipo da campanha (Viver Almada vs Almada tem força) e o símbolo do Partido.

Não podemos ainda esquecer que António Neves prossegue a mesma estratégia de Joaquim Barbosa ao colocar cartazes por toda a cidade e, em muitos casos, em locais bastante próximos dos do candidato do PS. Os pontos estratégicos da cidade têm cartazes dos dois candidatos. Ainda assim, julgo que António Neves melhorou a posição de alguns dos seus cartazes, quando comparado com Joaquim Barbosa, ao colocá-los em posições mais frontais, para quem circula de carro, e menos escondidos.
Finalmente, o candidato social-democrata logrou ainda ter alguns cartazes tremendamente apelativos, como o da rotunda no fim da Rua 1.º de Maio (Costa da Caparica) ou o da rotunda que dá para a entrada na Charneca da Caparica.

No entanto, tem algumas diferenças face ao outdoor do PS, que, no meu entender, funcionam para melhor:
  • Disponibiliza cartazes com mensagens diversas que variam em função do local onde é colocado o outdoor. Vai mais de encontro à população do local onde se encontra do que o cartaz de Joaquim Barbosa, apenas com o seu nome inscrito. Já aqui havíamos dito que seria interessante se o candidato socialista colocasse algumas ideias chave. Neves fê-lo e, no nosso entendimento, esta opção favorece-o;
  • A cor de fundo do cartaz. O preto é arriscado e até funciona relativamente bem com Joaquim Barbosa. António Neves abandona o cor-de-laranja, numa altura crítica para o Partido - o que muito poderia prejudicar (se é que não vá prejudicar) a sua candidatura -, para ser o menos confundido possível com as políticas do Governo. Ainda assim, tem o mérito de, ao contrário de outros, deixar o símbolo do PSD bastante visível. Contudo, o azul transmite calma, é uma cor menos pesada, permite destacar melhor o rosto do candidato e poderá piscar o olho, eventualmente, a simpatizantes do CDS, cuja cor tradicional é o azul.

Como já foi referido, um dos pontos fortes deste cartaz é a mensagem que transmite em função do local onde é colocado o cartaz. Populistas ou não, as ideias estão lá e são inteligentemente escolhidas para causar impacto e empatia do eleitorado. Exemplo disso é dar entrada na Costa da Caparica e ser praticamente impossível não dar de caras com o outdoor onde o candidato propõe, de forma clara, extinguir a ECALMA. Neste momento, não há entidade que cause maior ódio em quem visita a cidade da Costa da Caparica, ou circula em Almada, do que a ECALMA - cujo comportamento tem sido deplorável. Sim, temos o turismo, entre outros aspectos, mas dificilmente existe maior factor de união entre muitos almadenses do que a questão da ECALMA.

Finalmente, e porque nem tudo é positivo, há lugar a reparos. A dois meses das eleições, ainda não se vê o rosto dos candidatos à Assembleia Municipal e às Juntas de Freguesia. Poderá ser uma questão meramente de estratégia e poderão estar a guardar estes cartazes para outra altura. No entanto, subsistem as dúvidas.

Um outro reparo diz respeito ao cartaz de entrada na Charneca da Caparica, onde o candidato se propõe a resolver o problema das «AUGI's». O acrónimo de Área Urbana de Génese Ilegal é AUGI e não há lugar a flexão em número, pelo que o plural de AUGI é «as AUGI» e não «as AUGI's» - da mesma forma que o plural de CD é CD e o plural de EUA é EUA. Um erro ortográfico fica sempre mal num cartaz.

Em suma, estamos perante mais um exemplo interessante de um cartaz autárquico. Apesar de também prosseguir uma estratégia invasiva do espaço, acreditar que o candidato conseguirá contactar directamente com 174.000 munícipes durante a campanha é utópico, pelo que não se vê outra alternativa para se conseguir abranger o maior número possível de eleitores sem ser através do recurso a outdoors e de forma bastante presente nos mais variados locais. Saúda-se ainda a escolha do PSD por um homem do concelho, apesar de todas as polémicas relacionadas com o período durante o qual esteve à frente da Junta de Freguesia. Mantêm-se as dúvidas sobre se esta candidatura causará surpresa, mas conseguimos apurar que mesmo algumas pessoas de outras cores políticas estarão na disposição de votar em António Neves.