Nem 1%, nem 2,2%. Sou capaz de apostar um salário em como vai andar mais perto dos 3%.
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terça-feira, 27 de novembro de 2012
Gaspar, we have a problem
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
É oficial: o fim da crise chega dentro de momentos! Será?
Ontem, Pedro Passos Coelho não parecia simplesmente o líder do PSD que inaugura a festa do Pontal. Ontem, Pedro Passos Coelho assemelhou-se a um típico Presidente de Câmara feito «corta-fitas» a inaugurar mais uma obra num qualquer concelho tal a forma como se prestou a anunciar «o fim da recessão em 2013», com direito a claque e fanfarra.
Ora, das duas uma: ou Passos Coelho acredita realmente no que diz (o que é preocupante) ou não acredita mas faz questão de injectar alguma ilusão nos portugueses (igualmente preocupante). Ambas as hipóteses merecem censura por dois motivos: demonstram que o Primeiro-Ministro está a tentar vender um país cuja realidade que descreve só existe nos manuais com que os sociais-democratas endoutrinam os jovens na Universidade de Verão do PSD.
Passos Coelho e o PSD estão completamente desorientados e não lhes resta outra coisa senão promover a ideia de um paraíso que está por chegar enquanto forma de convencer os portugueses que os actuais sacrifícios são justificáveis. A onda de alucinação vai mais longe. Não deixa de causar estupefacção que o mesmo Primeiro-Ministro que prometeu, em Junho de 2011, não usar a situação que herdou como desculpa do que teria de fazer é o mesmo que, constantemente, insiste em imputar responsabilidades em José Sócrates (que tem a sua culpa e não é pouca) sempre que algum indicador lhe é desfavorável.
Ora, 14 meses depois de ter começado a governar, não deixa de ser preocupante a forma como Sócrates continua tão presente no Governo, mesmo apesar de estar tão longe. Importa perguntar: até quando será José Sócrates o culpado de todas as medidas (desastrosas) que estão a ser tomadas, da alienação do país aos privados/exterior e da falta de um plano concreto para pôr o país a avançar definitivamente. Se bem me recordo, foi o próprio Passos Coelho quem afirmou, antes de tomar posse, que é fundamental «apresentar mais resultados do que palavras» e que «precisamos de surpreender, apostando na transparência e na abertura do País a uma economia global». 14 meses volvidos, pergunto: onde está tudo isto?!
14 meses volvidos, o que temos realmente é (i) uma taxa de desemprego que passou dos 12,6% para os 15% - algo que só consegue surpreender Passos Coelho -, (ii) a economia regista o pior recuo (3,3%) desde 2009, (iii) o aumento da dívida pública - apesar de o PM dizer o contrário -, (iv) o descontrolo das insolvências das pessoas singulares e colectivas, (v) a queda na recolha de receita fiscal resultante de impostos indirectos e (vi) gerações jovens sem esperança no país e empurradas pelos próprios governantes a fazerem vida no exterior.
Ademais, não deixa de ser surreal a coragem de Passos Coelho para fazer a seguinte afirmação: «No que é importante, não falhámos. Era importante controlar o défice e fizemo-lo. O país não está a aumentar a dívida, não estamos a endividar-nos mais do que podemos pagar.» Não? Conforme referido na ponto iii), a dívida pública está, de facto, a aumentar, se considerarmos o facto de que temos cada vez menos PIB para fazer face às dívidas. Relativamente ao controlo do défice, não sei a que país se referia Passos Coelho, dado que o objectivo traçado para 2012 era de 4,5%, já vamos em 7,9% e corremos o risco de não saber se os números ficam por aqui.
Passos Coelho foi mais longe no seu discurso, afirmando que «2013 será o ano da estabilização económica e preparação da recuperação». Estas promessas dificilmente corresponderão à realidade por um único motivo: estamos a pouco mais de 4 meses de chegar a 2013 e continuamos, não só sem um plano de estímulo económico, como vamos aprovando sentenças de condenação à economia nacional. O novo Código do Trabalho é o mais recente exemplo disso. Depois existe uma grande confusão, que no meu entendimento é provocada conscientemente: por um lado, o Governo diz que é necessário cumprir o acordo com a troika porque o Estado gastava demais. Mas, por outro lado, alteram-se as regras laborais do sector privado, faz-se disparar o preço nos transportes e nos bens essenciais, revêem-se as regras do arrendamento.
Ora, o que tem tudo isto a ver com os gastos excessivos do Estado? Garantidamente, alguém está a usar o Memorando de Entendimento para justificar a aprovação de medidas extraordinárias, muitas delas lesivas para a população. Da mesma forma causa estranheza que se fale em poupança do Estado, cortes na despesa, contenção das contas públicas e... se permitam incorporações de 4.000 novos militares e se descongelem as promoções na Defesa apenas porque existe dotação orçamental. Mais militares? Mais aumento de salários nas Forças Armadas? Pelo meio, os funcionários públicos continuam a ser os maus da fita, os principais responsáveis pelo descalabro nas contas do Estado e os alvos privilegiados dos ataques sectários do Governo. Na verdade, tal só demonstra que, tal como qualquer país africano, Passos Coelho teme os militares e não quer sequer equacionar a hipótese de perder o seu apoio abrindo os cordões à bolsa para os saciar ao mesmo tempo que aperta o cinto a todos aqueles que não têm armas ao seu dispor.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Portugal deverá ter a maior recessão em 2012: não há pior, nem mesmo a Grécia!
De acordo com a Comissão Europeia, Portugal deverá registar uma recessão de 3% do PIB em 2012, o pior registo da zona Euro. Não há pior, nem mesmo a desgraçada Grécia com os seus 2,8%. Não sei o que entende o Governo português, mas esta notícia é preocupante por dois motivos: o primeiro, porque normalmente estes valores são meramente indicativos e daqui a um ano estaremos, muito possivelmente, a confirmar que o número agora avançado, afinal, ainda é pior; o segundo, porque os gregos têm uma dívida consideravelmente maior do que a portuguesa, enfrentam convulsão política constante e em crescendo, mas, ainda assim, conseguem ter uma economia mais resistente do que a nossa.
Se dúvidas houver, estas notícias esclarecem-nas: o Governo português não tem um plano para estimular a economia nacional e incide as medidas de «crescimento» apenas em cortes na despesa e aumento de impostos, esperando, em vão, que as omeletas apareçam feitas sem ovos. Este Orçamento do Estado é, efectivamente, uma desgraça e ilustra a incapacidade de quem é suposto dirigir-nos: estamos à deriva, a ver para onde o vento nos leva, o Governo não tem soluções, não faz a mínima ideia de quais elas possam ser e só tenta adiar um fim inevitável: a rendição definitiva e controlo total dos nossos destinos por terceiros.
Preparem-se, pois não tarda teremos uma forte campanha de desinformação, segundo a qual nos será dito que temos de caminhar para um projecto de federalismo europeu para poder sair da crise. É falso, não precisamos! «Só» precisamos de políticos capazes e com vontade de fazer política para os portugueses. Somos pouco mais de 10 milhões, temos história, qualificação e os recursos necessários para fazer deste pequeno país um Estado verdadeiramente independente, com uma economia forte, à semelhança do que acontece com países como Singapura. Temos os meios, mas também temos uma população fraca que prefere resguardar-se na «zona de conforto», dando o seu voto aos sujeitos do costume, em vez de mostrar que o verdadeiro poder reside na população.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
À atenção de Portugal e da União Europeia: Dilma Rousseff dá lições de governação.
De visita a Bruxelas, a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, declarou que a «austeridade não é solução para a crise». Mais acrescentou dizendo aquilo que já tem sido dito por mim tanto aqui como noutros espaços: é muito pouco provável que um país saia da crise se seguir políticas que tenham como consequência a estagnação ou a redução do consumo e o investimento interno. Certamente saberá do que fala, pois, como a própria recordou, o Brasil passou por políticas de extrema austeridade durante as décadas de 1980 e 1990, as quais só provocaram desemprego, desigualdades sociais, miséria e recessão económica. Hoje exorta-nos a olhar para o que aconteceu com o Brasil de então e para o que o tirou da crise.
Portugal tinha a obrigação de aprender alguma coisa com o exemplo dado pelo Brasil enquanto parceiro lusófono, e fica a sensação de que antigos políticos do Estado Novo tinham motivos para se oporem à descolonização: na verdade, sabiam que no dia em que Portugal seguisse por esta via, o país ficaria imediatamente refém da integração europeia, devido à falta de soluções, perdendo soberania: importa recordar que já não somos um Estado independente desde Maastricht (1992)!
O que temos actualmente é exactamente o oposto daquilo que o país precisa para se reerguer: (i) assistimos, diariamente, à fuga de mão-de-obra qualificada para o exterior - ou seja, permanecemos dependentes dos cerca de 90% de empresários com baixos estudos que não fazem a mínima ideia do que é gerir uma empresa e evidenciam maior resistência na adaptação à evolução dos tempos, permanecendo presos aos velhos métodos -; (ii) manutenção de um nível de vida elevado para os salários praticados - reduzindo, drasticamente, o poder de compra do consumidor, o que tem como consequência o estrangulamento dos pequenos agentes económicos, sejam famílias, sejam empresas -; (iii) uma fraca aposta no desenvolvimento dos vários sectores da economia, consentindo com a prossecução de uma política de salários baixos; e (iv) uma parca aposta na investigação e desenvolvimento próprio, verificando-se, antes, uma forte dependência do investimento externo para sobreviver - dando muito jeito os referidos salários baixos e a precariedade laboral -, deixando Portugal de ser dono e senhor do seu destino.
Assim sendo, e num momento em que podemos aprender com os erros dos outros, porque insiste o Governo em seguir a via mais segura, mas mais desastrosa, de abertura do país à colonização por terceiros a anos luz de ter a riqueza de história que nós temos? Apelo a alguém com sentido de Estado que coloque os olhos no exemplo brasileiro e siga o mesmo exemplo. Dilma Rousseff pode ter alguns defeitos, mas está a fazer política para os brasileiros e não para franceses, alemães, europeus ou norte-americanos. Prova disso mesmo é outro exemplo daquilo que por cá não se faz, mas que já era tempo de ser feito: a capacidade de sacrificar alianças políticas e interesses pessoais, em nome do povo. Já são 5 os ministros afastados pela Presidente e outros mais se seguirão se for essa a única forma de o país avançar.
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