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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

União Europeia e os «Merkozy»: casal sem amor decide ter um filho para salvar o casamento.


Não há como esconder a crise e todas as soluções que vierem a ser sugeridas não são mais do que uma fuga para a frente: estamos à beira do abismo e vamos dar o passo em frente na esperança de iniciar uma nova etapa. A ideia de continuar a avançar em alto mar com um barco completamente furado é em tudo semelhante à do casal que está em fase de ruptura irreversível, cujo amor acabou, e, em vez de avançar para o divórcio e sair a bem enquanto é tempo, decide ter um filho para salvar a relação. Em vez de um problema, passa a ter dois para resolver.

Assim é a União Europeia e os «Merkozy»: não contente com um casamento fundado na falta de amor (celebrado com a população) e no filho que seguram nos braços (o Euro), o casal decide agora ter mais um filho (integração política) para salvar o casamento. Não há amor, não há identidade, não há afinidade, não há nada nesta relação a não ser um filho em comum e algumas dezenas de políticos com vontade de segurar uma posição privilegiada na estrutura de poder supra-estadual. Já nem sequer se pode falar em casamento, mas sim de uma espécie de bunga-bunga, com direito a promiscuidades diversas e com italianos e gregos à mistura.

O resultado deste desastre tende a ser um no curto/médio prazo: com a incapacidade dos «centristas»  para dar uma resposta adequada aos problemas internos resultantes da cooperação internacional, afigura-se muito provável a emergência dos extremismos (sobretudo de direita) com os quais mais se identificarão os defensores das causas nacionalistas em oposição à globalização que gera austeridade, uma administração supra-estadual ditatorial e perda de identidade e soberania.

Ao contrário do que muitos julgam, a jogada de George Papandreou não foi um encostar da arma carregada à cabeça, foi, isso sim, um lavar de mãos sustentado na necessidade de devolver os poderes à população. Conforme já aqui referido, esta opção devia ter sido feita antes do pedido de ajuda externa, mas agora também seria a altura ideal para nova consulta popular. Assim o mesmo se passará noutros países: a população quererá sentir-se responsável pelas opções que toma e não pelas que lhe são alheias. Será esta a motivação subjacente para a procura de entidades que defendam causas nacionalistas que privilegiem o poder exercido pela população. E é este o principal desafio dos partidos centristas da Europa: aceder à vontade popular ou perder eleitorado para os extremistas. A História mostra-nos que tal já aconteceu e que se verifica actualmente e até na Europa. Aliás, não é por acaso que o CDS-PP tem mantido posições tão sólidas em Portugal: é um partido de centro-direita, não de extrema-direita, mas que reúne muitos adeptos da causa nacionalista que visa defender a Pátria antes de qualquer outra entidade. Será, assim, de evitar a perda de identidade nesta coligação com o PSD, sob pena de comprometer a oportunidade histórica que surgirá no futuro.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

À atenção de Portugal e da União Europeia: Dilma Rousseff dá lições de governação.

De visita a Bruxelas, a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, declarou que a «austeridade não é solução para a crise». Mais acrescentou dizendo aquilo que já tem sido dito por mim tanto aqui como noutros espaços: é muito pouco provável que um país saia da crise se seguir políticas que tenham como consequência a estagnação ou a redução do consumo e o investimento interno. Certamente saberá do que fala, pois, como a própria recordou, o Brasil passou por políticas de extrema austeridade durante as décadas de 1980 e 1990, as quais só provocaram desemprego, desigualdades sociais, miséria e recessão económica. Hoje exorta-nos a olhar para o que aconteceu com o Brasil de então e para o que o tirou da crise.

Portugal tinha a obrigação de aprender alguma coisa com o exemplo dado pelo Brasil enquanto parceiro lusófono, e fica a sensação de que antigos políticos do Estado Novo tinham motivos para se oporem à descolonização: na verdade, sabiam que no dia em que Portugal seguisse por esta via, o país ficaria imediatamente refém da integração europeia, devido à falta de soluções, perdendo soberania: importa recordar que já não somos um Estado independente desde Maastricht (1992)!

O que temos actualmente é exactamente o oposto daquilo que o país precisa para se reerguer: (i) assistimos, diariamente, à fuga de mão-de-obra qualificada para o exterior - ou seja, permanecemos dependentes dos cerca de 90% de empresários com baixos estudos que não fazem a mínima ideia do que é gerir uma empresa e evidenciam maior resistência na adaptação à evolução dos tempos, permanecendo presos aos velhos métodos -; (ii) manutenção de um nível de vida elevado para os salários praticados - reduzindo, drasticamente, o poder de compra do consumidor, o que tem como consequência o estrangulamento dos pequenos agentes económicos, sejam famílias, sejam empresas -; (iii) uma fraca aposta no desenvolvimento dos vários sectores da economia, consentindo com a prossecução de uma política de salários baixos; e (iv) uma parca aposta na investigação e desenvolvimento próprio, verificando-se, antes, uma forte dependência do investimento externo para sobreviver - dando muito jeito os referidos salários baixos e a precariedade laboral -, deixando Portugal de ser dono e senhor do seu destino.

Assim sendo, e num momento em que podemos aprender com os erros dos outros, porque insiste o Governo em seguir a via mais segura, mas mais desastrosa, de abertura do país à colonização por terceiros a anos luz de ter a riqueza de história que nós temos? Apelo a alguém com sentido de Estado que coloque os olhos no exemplo brasileiro e siga o mesmo exemplo. Dilma Rousseff pode ter alguns defeitos, mas está a fazer política para os brasileiros e não para franceses, alemães, europeus ou norte-americanos. Prova disso mesmo é outro exemplo daquilo que por cá não se faz, mas que já era tempo de ser feito: a capacidade de sacrificar alianças políticas e interesses pessoais, em nome do povo. Já são 5 os ministros afastados pela Presidente e outros mais se seguirão se for essa a única forma de o país avançar.