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domingo, 7 de abril de 2013

As três saídas de Passos Coelho

Primeira: um aumento de impostos sobre o consumo nunca antes visto;

Segunda: o mesmo corte de subsídios de férias para trabalhadores do público e do privado;

Terceira: Chipre, aquela solução que se prometeu ser caso único e que possivelmente não o será.

Claro que renegociar a sério com a troika seria a melhor opção, mas nem a considero porque não vejo Passos Coelho e Vítor Gaspar capazes de o fazerem.

Sinceramente, talvez seja melhor começar a pensar em fazer o levantamento de dinheiro do banco.

terça-feira, 26 de março de 2013

Chipre: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Trabalho brilhante o da União Europeia e de Chipre - coitados, tomar decisões sob coacção não deve ser muito fácil - com o acordo relativamente à taxa de 30% sobre depósitos bancários superiores a €100.000.


Com a oficialização do saque, as classes média-alta, alta e empresarial ganharam um novo motivo para seguirem o exemplo de Soares dos Santos e transferirem sede, actividade e fundos para países como a Holanda. Já não apenas por motivos fiscais, mas também de liquidez.

Mais, a Holanda está a fazer um excelente trabalho. Jeroen Dijsselbloem conseguiu queimar Chipre, alguns outros paraísos fiscais e centros financeiros, procurando concentrar a credibilidade das offshores europeias na Holanda.

No entanto, importa perguntar: quem serão os próximos alvos? Basta pensar nos principais centros de lavagem de dinheiro que vivem uma situação já de si não muito confortável e que, com esta medida de Chipre e aviso descarado de alastramento, poderá por na linha de tiro Malta e, mais importante ainda, o Luxemburgo.

Mas não são os únicos. Até no Butão se conhece a dívida externa Suíça, assustadora, por sinal.

No meio disto tudo, há um destino que ainda oferece alguma confiança, pelos mais variados motivos, mas também por ter uma economia versátil e que não se centra na finança: a Noruega. Se Isaltino pudesse voltar atrás, talvez não tivesse sido má ideia enviar um sobrinho para a Noruega onde podia ser taxista em Oslo.

terça-feira, 19 de março de 2013

Um problema de gases


Ao contrário de Portugal, onde o Memorando de Entendimento é negociado e celebrado com a troika completamente à revelia do Parlamento, no Chipre, o Parlamento chumbou a taxa sobre os depósitos bancários.

Não tenho a menor dúvida que uma medida destas passaria em Portugal com os votos cegos da maioria. No Chipre, em sentido contrário, quem negociou o resgate com a troika podia disciplinar deputados suficientes - e são 20 os do Partido que apoiou o Presidente Nicos Anastasiades (DISY) - para, pelo menos, tomarem uma posição condizente com o Partido. Nem um votou a favor. Disciplina de voto em Portugal; bom senso no Chipre.

Porém, não se pense que isto ficará por aqui. Conhecendo a batoteira como a conhecemos, sabemos que o Chipre vai também conhecer a verdadeira democracia da União Europeia: mais ou menos maquilhada, a medida será votada tantas vezes quantas as necessárias para aprová-la.

Que fim para o Chipre? Não se sabe ainda, mas possivelmente acabará por ter parte da dívida perdoada ou o resgate assumido por uma Rússia com dois dedos de testa e que reconhece a importância de controlar um Chipre com tamanha importância estratégica.