Ao contrário de Portugal, onde o Memorando de Entendimento é negociado e celebrado com a troika completamente à revelia do Parlamento, no Chipre, o Parlamento chumbou a taxa sobre os depósitos bancários.
Não tenho a menor dúvida que uma medida destas passaria em Portugal com os votos cegos da maioria. No Chipre, em sentido contrário, quem negociou o resgate com a troika podia disciplinar deputados suficientes - e são 20 os do Partido que apoiou o Presidente Nicos Anastasiades (DISY) - para, pelo menos, tomarem uma posição condizente com o Partido. Nem um votou a favor. Disciplina de voto em Portugal; bom senso no Chipre.
Porém, não se pense que isto ficará por aqui. Conhecendo a batoteira como a conhecemos, sabemos que o Chipre vai também conhecer a verdadeira democracia da União Europeia: mais ou menos maquilhada, a medida será votada tantas vezes quantas as necessárias para aprová-la.
Que fim para o Chipre? Não se sabe ainda, mas possivelmente acabará por ter parte da dívida perdoada ou o resgate assumido por uma Rússia com dois dedos de testa e que reconhece a importância de controlar um Chipre com tamanha importância estratégica.
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