Mostrar mensagens com a etiqueta 2014. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2014. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Personalidade do Ano de 2014: Vladimir Putin

À semelhança do que aconteceu no ano anterior, repito a iniciativa de eleger a Personalidade do Ano de 2014. Uma vez mais, volto a fugir às escolhas feitas pelas correntes dominantes que insistem em visitar alguns lugares comuns como que querendo dar outra cor ou maquilhar o mundo que nos rodeia.

Quem acredita que a TIME escolheu os insossos Ébola fighters e acredita, piamente, que são a Personalidade do Ano provavelmente anda a dormir - e eu bocejei quando li este anúncio. O entusiasmo em torno desta escolha foi tanto que a notícia da influente TIME nem sequer mereceu comentários, apenas notas de rodapé nos telejornais. O motivo é claro: o Ébola não estará, sequer, entre os 5 principais acontecimentos do ano.

Outras escolhas do género serão feitas, bem como outras politicamente correctas e elogiosas e só se voltarão para a escolha feita por mim se for para lhe juntar críticas severamente negativas. 

A Personalidade do Ano de 2014 parece-me, uma vez mais, não oferecer quaisquer dúvidas: Vladimir Putin.

Já me assumi por diversas vezes como «tendencialmente Putinista, essencialmente em política externa, mas não de forma incondicional». Faço-o novamente, mas, sem recorrer a elogios ou críticas, passo a justificar o porquê de Putin ser, de longe, a Personalidade do Ano de 2014:

Estou disponível por conhecer os argumentos em favor de alguém que melhor justifique ser Personalidade do Ano de 2014 do que Putin.

P.S.: Até ao lavar dos cestos é vindima e ao escrever este artigo 6 dias antes do final do ano corria o risco de não incluir importantes eventos ocorridos ainda em 2014, como a notícia hoje publicada sobre o anúncio da nova doutrina militar russa.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Malala Yousafzai e Kailash Satyarthi laureados com o Prémio Nobel da Paz 2014


Sou admirador de Malala e acredito que este Prémio fosse uma inevitabilidade mais ano menos ano - aliás, já o tinha dito quando defendi que devia ser reconhecida pelo Prémio Sakharov e que este prémio era uma antecâmara para um posterior Nobel. Já Kailash é um activista indiano que se destaca já há cerca de duas décadas.

O facto de um ser um ícone na defesa do direito das raparigas à educação e o outro uma personalidade que combate a mão-de-obra infantil demonstra que o júri quis reconhecer e dar um forte impulso à importância que revestem os direitos das crianças e dos jovens, no fundo, uma séria preocupação com aqueles que amanhã formarão a sociedade global e que ao serem privados de direitos elementares (como o acesso a uma infância, a uma juventude e à educação), poderão ser muito bem os futuros agentes de instabilidade e falta de desenvolvimento num continente (Ásia) marcado por conflitualidade e por graves desigualdades sociais.

Estava convicto que o Comité do Nobel pretenderia passar uma mensagem ao mundo contra o fenómeno do ISIL, mas julgo que o tema escolhido e as personalidades laureadas foram excelentes escolhas! O tema do direito de crianças e jovens ao seu desenvolvimento como pessoas tem sido sucessivamente negligenciado e esta escolha visa lembrar o mundo que o tema não pode ser esquecido!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Prémio Nobel da Paz 2014

Não tardará muito o anúncio do Prémio Nobel da Paz 2014. Ao contrário do ano anterior (apesar de mais uma escolha estranha), este promete ser um ano complicado por ninguém se ter verdadeiramente destacado.

No entanto, acredito que a escolha poderá recair em alguém ligado ao conflito no Iraque e na Síria, no âmbito do ISIL, podendo tratar-se de alguma figura ligada às minorias, senão mesmo estas minorias como um todo.

Na minha opinião, a iraquiana Samira Salih al-Nuaimi (de quem praticamente ninguém ouviu falar porque tem nacionalidade diferente da de James Folley) seria a melhor escolha por todo o simbolismo que carrega a sua morte.

P.S.1: Outra hipótese poderá ser algo que remeta para o centenário da I Guerra Mundial.
P.S.2: Relativamente ao Prémio Sakharov, já sabemos que é tendencioso, pelo que acredito ser provável que a escolha recaia sobre o movimento ucraniano Euromaidan que derrubou Viktor Yanukovych. Eu escolheria o ginecologista congolês Denis Mukwege.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Dilma Rousseff e a gestão do Executivo por si liderado: And Then There Were None.

222 dias de governação e três ministros afastados: António Palocci (Presidência), Alfredo Nascimento (Transportes) e Nelson Jobim (Defesa). Pelo meio, a demissão de, pelo menos, 20 funcionários da administração e de Milton Ortolan (n.º 2 do Ministério da Agricultura), a despromoção do Ministro Luiz Sérgio (da pasta das Relações Institucionais para as Pescas e Aquicultura) e, agora, a detenção de Frederico da Silva Costa, Secretário do Turismo. Se dúvidas houvesse acerca da sua independência relativamente a Lula da Silva, Dilma Rousseff levou a cabo uma autêntica razia, afastando os homens fortes do seu antecessor. Antes, já dera provas da sua emancipação ao (i) evidenciar maior abertura do Brasil à parceria com os Estados Unidos e (ii) tender a afastar-se da questão nuclear iraniana, na qual Lula da Silva havia conseguido progressos assinaláveis.
A estratégia da Presidente brasileira não tem sido pacífica, sobretudo pelos cortes com o passado, motivando algumas intervenções duras do ex-Chefe de Estado, ilustrativas da tensão entre ambos: apesar dos actuais índices de popularidade de Dilma Rousseff se manterem elevados, Lula da Silva já manifestou desconforto com as demissões de homens que lhe são próximos (i) contra-atacando-a com a «ameaça» de perda de apoio dos aliados, (ii) «pressionando-a» a apoiar Fernando Haddad (Ministro da Educação) para a Prefeitura de São Paulo - não só para não abrir uma nova frente de batalha entre os apoiantes de Lula da Silva, mas também como consequência pelo alegado envolvimento de Gilberto Kassab no caso Palocci - e (iii) anunciando um périplo pelo país sob o desígnio de promoção das causas sociais que poderá significar o regresso do ex-Chefe de Estado a uma corrida presidencial em detrimento de Dilma Rousseff.
Empenhada em deixar marca durante o seu mandato (2011-2014), a Presidente Dilma Rousseff poderá representar a célebre obra de Agatha Christie, «And Then There Were None», correndo o risco de terminar (?) o mandato isolada, sem uma base de apoio suficientemente sólida ao ponto de fazer esquecer Lula da Silva e recandidatar-se a Chefe de Estado, em 2014. A Presidente encontra-se assim num impasse: por um lado, as suas possibilidades poderão ser reduzidas caso Lula da Silva entenda que Rousseff constitui uma solução a curto prazo para viabilizar o seu acesso à repetição de mais oito anos no Planalto. Nesta hipótese, interessará a Rousseff manter o máximo de apoios possível se tiver aspirações à reeleição ou a algum outro cargo de prestígio com o beneplácito de Lula da Silva. Por outro lado, Dilma Rousseff tem ainda mais três anos de mandato pela frente - dois até à apresentação das candidaturas -, pelo que o afastamento de elementos envolvidos em escândalos de corrupção (ou outros moralmente censurados) poderá ter como significado o aumento da sua popularidade e a consolidação de uma imagem imaculada perante o eleitorado, algo que poderá gerar mais convulsão no seio do Governo que lidera, se este se mantiver nos moldes actuais.
Perante tal quadro de possibilidades, fica uma sugestão à Presidente Dilma Rousseff: se for para limpar os órgãos de poder político de todo o tipo de dependência de terceiros e influências negativas, faça a razia ontem: amanhã pode muito bem ser tarde demais para garantir a estabilidade governativa necessária para realizar um mandato em favor do povo que mais tarde lhe poderá garantir a reeleição. Tenho dito: a melhor maneira de se fazer política a pensar na reeleição é fazê-la em benefício do povo.