Estes números não significam que os alunos portugueses são pouco inteligentes ou que os do ensino público são mais burros que os do privado. Estes números também não significam que o ensino privado é melhor que o ensino público. No meu entendimento, estes números revelam (i) que os programas a leccionar aos estudantes e/ou os métodos de ensino provavelmente não serão os mais adequados à generalidade dos alunos, (ii) que as condições que as escolas têm são distintas e (iii) que as condições sócio-económicas dos alunos podem ter influência sobre os resultados.
Afinal, considerando os dois últimos factores, regra geral, é completamente diferente viver num meio pacífico, com os pais bem integrados profissionalmente e estudar em colégios com condições fabulosas, do que ser oriundo de um bairro social, ter pais desempregados e/ou estudar em escolas com más condições ou com alunos nas mesmas circunstâncias. Não é por acaso que os directores dos colégios não têm qualquer interesse em ter nas suas instituições alunos das classes mais baixas, pois sabem que as condições sócio-económicas dos alunos podem ter influência nos resultados, o que, num mercado tão competitivo como o da educação, poderá comprometer uma boa posição nestes ranking que depois afaste o interesse dos pais e os leve a escolher outros colégios. A tudo isto há ainda que considerar que é diferente estudar em turmas com 15 alunos de estudar em turmas com mais de 30.
O que estes colégios não conseguem nem pretendem fazer é integrar e recuperar alunos em condições desfavoráveis e reduzirem, deste modo, as desigualdades entre as diferentes classes sociais, dando a todos as mesmas oportunidades. E aqui reside um dos grandes méritos do ensino público: congrega alunos de todos os estratos sociais e consegue ficar quase ao nível do ensino privado, mesmo apesar da gritante falta de condições que muitas vezes têm as escolas. Ainda assim, o ensino público forma (como sempre formou) excelentes alunos. Imaginem como seria se, em vez de financiar os privados, o Estado melhorasse as condições da escola pública.