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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Crimes sexuais na Alemanha: são mesmo cometidos por refugiados?

Continuam a ser difundidas notícias nos orgãos de comunicação social, tanto portugueses como estrangeiros, que qualificam como "refugiados" todos os estrangeiros oriundos do Médio Oriente e de alguns países africanos.

Um desses exemplos é o dos casos que recentemente tiveram lugar na Alemanha (abusos sexuais) constatando-se que automaticamente se chama "refugiados" a cidadãos que, alegadamente, têm nacionalidade síria.

Nada mais falso!

A bem da verdade e de não se promover falsas campanhas sensibilizadoras de que as autoridades e as sociedades europeias são xenófobas e recusam ajudar quem precisa, importa esclarecer que:
1- Um estrangeiro que entre num território e manifeste vontade em obter protecção internacional desse país alegando ser perseguido não é um refugiado, é um "requerente de asilo";
2- Após ser formalizado o seu pedido de protecção, este é analisado pelas autoridades competentes e é entregue um comprovativo do pedido ao estrangeiro.
3- Ainda que seja admitido o pedido inicial, no final, pode não ser concedida protecção. Esta decisão demora, na melhor das hipóteses, 7 a 8 meses.
4- Durante este período, o estrangeiro não fica detido, goza de liberdade, mas não é refugiado, como praticamente toda a gente lhes chama: é um estrangeiro requerente de asilo.
5- Só se o pedido de protecção for deferido é que o estrangeiro passa a ser refugiado. Se se tratar de um migrante económico (alguém que quer permanecer num país estrangeiro para aceder a melhores condições de vida), o pedido de protecção é (justamente) recusado;
6- E mesmo esse estatuto de refugiado não é eterno, é suposto ser temporário, para que quando as causas de perseguição cessem (como por exemplo uma guerra), o refugiado possa voltar ao seu território de origem;
7- Segundo consta, a maioria dos indivíduos envolvidos nos incidentes da Alemanha são meros "estrangeiros requerentes de asilo" com o processo em fase de apreciação, não são refugiados.

O asilo não serve para "importar" mão-de-obra barata, nem para resolver os problemas de natalidade de nenhuma sociedade. Menos ainda serve para concretizar ideais de sociedades sem fronteiras.

O instituto do asilo serve para conceder protecção temporária a quem dela efectivamente necessite.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Por falar em bandeiras de países devedores a meia haste.

Acho curiosa a ideia proposta pelo comissário alemão Gunther Oettinger de colocar a bandeira dos países endividados a meia haste. Acho a sugestão curiosa porque a própria Alemanha devia dar o exemplo e colocar a sua bandeira a meia haste pelo que ainda deve aos Estados Unidos e à Europa pelas duas Grandes Guerras que causou no século XX - a última das quais com uma invasão do Eixo que arrasou a Grécia.

Afinal, o perdão de dívidas dá jeito... não deu?

sábado, 23 de julho de 2011

O croquete na UE e a súbita penetração de agentes económicos nos Estados vulneráveis.

Nunca tive dúvidas sobre o papel desempenhado pelas agências de notação financeira, ressalvando sempre a questão de deixarem «os respectivos governos sem outra solução que não (i) adoptar políticas que interessam aos agentes económicos dos países que coordenam, ainda que indirectamente, estas campanhas - abdicando os visados da respectiva soberania ao permitirem, p.e., a tomada de controlo de sectores estratégicos por terceiros».
Também nunca hesitei relativamente ao facto de que a Alemanha só actuará no momento em que os seus interesses estiverem verdadeiramente em causa. A notícia de que o Estado pretenderá alienar 20,9% das acções da EDP à alemã RWE só comprova os dois raciocínios anteriores: quando Pedro Passos Coelho se desloca a Bruxelas não o faz para conviver e fazer novos amigos, antes a sua presença é aproveitada por outros líderes europeus para negociarem, informalmente, as concessões de Portugal em troca de ajuda externa, o mesmo acontecendo com Grécia, Irlanda e qualquer outro que vier a pedir auxílio.
Deste modo, acabam por surgir, com perfeita naturalidade, as notícias de potencial entrada de agentes económicos alemães em sectores estratégicos dos referidos países.

domingo, 17 de julho de 2011

Teoria da conspiração contra a Alemanha?

Após o desprezo manifestado pela Alemanha face aos ataques de que são alvo os seus colegas de Euro, Angela Merkel defendeu, hoje, a criação de uma agência de notação financeira europeia, embora tenha ficado patente que tal não é uma prioridade por se tratar de uma questão «importante, a médio prazo». Se mais provas fossem necessárias para estabelecer ligações entre a actual situação de agressão às soberanias de países europeus mais vulneráveis e à moeda europeia e as vantagens (presentes e futuras) conferidas à Alemanha, graças à sua postura passiva, tolerante e nada solidária, Klaus Regling, Presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, veio hoje a público garantir isso mesmo.
Ainda acham que estão a desenvolver-se teorias da conspiração contra Berlim?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Alemanha: o que mudou entre Julho de 1940 e a actualidade?

Relata-nos Filipe Ribeiro de Meneses que «em Julho de 1940, numa feira comercial em Königsberg, o ministro da Economia alemão, Walther Funk, falou sobre a necessidade de consolidação política da Europa, o único meio de gerar uma "intensificação de toda a vida económica no espaço vital europeu"». Mais o autor acrescenta que «alguns dias depois (...) Funk afirmou: "A política económica alemã tem por objectivo acabar com a atomização económica da Europa, considerando uma loucura a autarcia excessiva na qual todo o país pequeno deseja fabricar tudo, desde o botão até à locomotiva pesada"» e ainda «Rheinbaben afirmou (...) "A Alemanha sabe que a força e o carácter da Europa consistem na sua pluralidade. Não se tratará de a eliminar, mas apenas de a orientar numa modalidade de defesa económica e social comum: fazer a Europa europeia"»1.
Falava-se num conceito de Nova Ordem e Salazar demonstrara preocupação perante a situação que se vivia na Europa, tendo escrito «não falando em que, além da organização ou ordenação económica da Europa, há muitas outras coisas de tanto ou maior valor - a independência, a personalidade nacional, a cultura, a liberdade, a religião - e restringindo-nos apenas ao plano económico, eu tenho muito receio de que esta nova Europa não seja mais do que a exploração organizada dos países agrícolas pelos países super-industrializados, na hipótese, principalmente a Alemanha», acrescentando que «a perda de independência política, o desconhecimento da cultura de cada país, a fusão das nações europeias numa criação política de que Berlim seria o centro, faria perder à Europa o seu carácter e a sua influência extra-europeia e porventura o seu potencial de civilização»2.
Todos conhecem os acontecimentos que antecedem o período entre Julho de 1940 e Março de 1942 - altura em que Salazar escreveu a última frase citada -, o mesmo sucedendo relativamente ao resto da história. Contudo, não deixa de ser dramático constatar que as ambições da Alemanha nacional-socialista - e capaz de liderar a Nova Ordem e disciplinar a restante Europa -, que dariam origem à II Guerra Mundial, são exactamente as mesmas da actual Alemanha: assumir o controlo do continente e uniformizá-lo com o argumento de torná-lo mais forte.
Importa recordar que, antes da II Guerra Mundial, a I Grande Guerra já havia acontecido graças à materialização dos ímpetos imperialistas da Alemanha de Guilherme II, cuja derrota e consequentes sanções viriam a impulsionar a ascensão de Hitler ao poder. O mesmo sucede em pleno século XXI de forma deliberada, ainda que a evolução da Europa nas formas de integração económica e política tivesse sido aproveitada, discretamente, pela Alemanha, estando a entrada no Euro na origem da «era da falta de vergonha na cara» que coloca, actualmente, meia dúzia de Europa à beira do colapso, ficando a restante em estado de alerta.
A grande diferença entre as primeira e segunda tentativas (frustradas) de domínio da Europa e a terceira (em curso) reside no facto de aquelas terem sido desencadeadas com recurso aos meios militares e a última incidir com base na economia e do Direito Comunitário. O meio de ataque às soberanias, no séc. XXI, terá como base as duas últimas áreas referidas, mantendo, como sempre, ao longo da história, a pedagogia como fundamento primordial: não se atacam soberanias para reforço do poder, mas para se ensinarem terceiros sobre como devem viver! Os problemas destas ideologias imperialistas e as nossas preocupações, enquanto portugueses, escusado será dizer que são exactamente as descritas por Salazar há 70 anos!
Se ainda necessitássemos de mais provas relativamente ao renascimento da ideologia alemã referente a controlo da Europa, da década de 1940, em pleno século XXI, os recentes acontecimentos limitam-se a confirmar exactamente o raciocínio desenvolvido até aqui: numa altura em que se discutem formas de combater os ataques dos credores das dívidas soberanas e das agências de notação financeira e num momento em que a terceira maior economia europeia ameaça falir, Angela Merkel não só se reserva ao silêncio como ainda negligencia todos estes acontecimentos, apostando, isso sim, numa viagem a Luanda, entre 12 e 13 de Julho, para negociar acordos bilaterais com o Chefe de Estado angolano. Interessa à Alemanha este ataque temporário ao Euro e os ataques às dívidas soberanas: afinal, enquanto uns deitam as mãos à cabeça, Berlim continua (i) a ignorar as relações privilegiadas e os laços históricos que alguns países mantêm com as suas antigas colónias e ainda (ii) aposta do controlo de sectores estratégicos dos seus parceiros europeus. Brevemente reemergirá a eterna questão do lugar de cargo permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, uma ambição rejeitada até então à Alemanha por questões políticas - a sua história dos últimos 100 anos continua a constituir um obstáculo a tal pretensão -, mas nada que não se ultrapasse com alguma negociação.
Independentemente do quadro em que nos encontramos, não tenhamos dúvidas do seguinte: é imperativo, para o futuro da Europa, que se coloque um travão à Alemanha, da mesma forma que foi parada em 1919 e 1945.



1- Cfr. Filipe Ribeiro de Meneses, Salazar - Uma Biografia Política, Alfragide, D. Quixote, pp. 259 e 260.
2- Cfr. fonte anterior, pp. 261 e 262.