O Alto Comissariado das Nações
Unidas para os Direitos Humanos emitiu um
comunicado onde disse: "Multiple sources have reports that tens of
civilians were shot dead yesterday in al-Ahrar Square in al-Kallaseh
neighbourhood, and also in Bustan al-Qasr, by Government forces and their
allies, including allegedly the Iraqi al-Nujabaa armed group".
Ou seja, o ACNUDH:
1- Dá conta de múltiplas fontes,
sem precisar de que fontes de tratam - tanto pela sua tipologia, como pelos
seus acessos;
2- Apenas alertou que recebeu
informações, não que as recolheu;
3- De modo a garantir que abusos
desta natureza não se verificam e conseguir ter a certeza do que se passa no
terreno, apelou a que haja verificação do que se passa no terreno. Para evitar
boatos e rumores, claro.
E a Euronews não só traduz "reports"
para "relatórios" - dando a entender que estamos perante documentos
devidamente tratados -, quando devia ter traduzido para "denúncias"
ou "relatos", como ainda afirma que o Alto Comissariado declarou que
civis estão a ser assassinados pelo exército sírio e seus aliados.
O exercício de lógica da Euronews
(e outros do género) é:
A: Se as Nações Unidas recolherem
informações sobre execuções de civis na Síria, é porque aconteceu.
B: Há notícia de supostas
execuções de civis na Síria, por parte de fontes desconhecidas.
C: Logo, as Nações Unidas estão a
afirmar que aconteceu e que o responsável é Bashar al-Assad.
Isto não é notícia, é
desonestidade pura - e desonestidade é um eufemismo.