sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A Ucrânia é um jogo de 11 contra 11 e no fim ganha o Putin

Celebrado o cessar-fogo na Ucrânia, Obama e a Europa voltam a ter as voltas trocadas pela Rússia.

A solução bélica pela qual Washington já esfregava as mãos para dinamizar a sua indústria de defesa saiu gorada com o Acordo de Minsk e a Rússia sai a ganhar com uma solução diplomática que lhe convém:
- O Acordo prevê uma revisão constitucional que consagre a descentralização de poder para as regiões do leste da Ucrânia - a autonomia definitiva terá de vir mais tarde;
 - Retorno do pagamento de salários e pensões, pela Ucrânia, aos residentes no Leste;
- Qualquer questão referente a eleições no Leste obriga sempre à participação de representantes destas regiões;
- Concessão de amnistias e perdões para rebeldes que combateram no Leste;
- Criação de uma zona de segurança que pode ir até 140 km para entre as partes.

Ao contrário do que muitos dizem, Putin não tem interesse nenhum na independência das regiões do leste da Ucrânia - e o facto de nunca ter reconhecido declarações de independência destes povos comprova-o.

Objectivo da UE com a Ucrânia:
- Interesses económicos.

Objectivo dos EUA com a Ucrânia:
- Interesses militares (manter a Rússia sob pressão e fragilizá-la com a cooperação militar, com a adesão de Kiev à NATO e através dos clientes da indústria de armamento russo);
- Interesses económicos (começa via FMI e passará por via directa mais tarde).

Objectivo da Rússia com a Ucrânia:
- Manter a sua área de influência;
- Continuar a contar com aliados de peso dentro da Ucrânia e dos órgãos políticos ucranianos para impedir Kiev de aderir plenamente à NATO;
- Garantir o equilíbrio, nos órgãos de decisão oficiais, entre representantes pró-americanos e representantes pró-russos (esta bipolaridade já assegurou a eleição de actores da pró-ocidentalista Tymoshenko e do pró-russo Yanukovych);
- Atenuar a ascensão nacionalista e nazi na Ucrânia e não abandonar de todo o País.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Obama e o combate ao Estado Islâmico: quanto tempo é "duradouro"?

Parece que o Prémio Nobel da Paz de 2009 pediu autorização ao Congresso para travar mais uma guerra (agora contra o Estado Islâmico).

Desta vez, o pedido ao Congresso prevê:
- A condução da guerra contra um actor que não é um Estado, nem um grupo armado a actuar nos EUA (as duas hipóteses que as Convenções de Haia e de Genebra admitem para que uma guerra seja legítima e lícita - o nome Estado Islâmico é muito conveniente, mas é só um nome, não um Estado internacionalmente reconhecido como tal);
- A condução de ataques em qualquer país além do Iraque e da Síria - mesmo não havendo autorização desses Estados ou convite a intervenção (o que constitui um acto de agressão à luz da Carta das Nações Unidas);
- Os militares passam a poder conduzir acções no terreno para libertarem reféns sem autorização dos Estados onde as acções de resgate tenham lugar - onde fica o princípio da igualdade entre as soberanias?;
- As execuções selectivas (targeted killings) são o meio de ataque por excelência - mesmo que ataque meros suspeitos (seja lá isso o que for) e civis inocentes;
- A proibição de condução de "operações ofensivas de combate no terreno de forma duradoura" - resta saber quanto dura uma operação duradoura, afinal?

E, pronto, está encontrada a fórmula para que os EUA tenham jurisdição em todo o Planeta sem necessitarem de autorização do Conselho de Segurança.

Temos países e Seres Humanos de primeira e países e Seres Humanos de segunda, tudo a bem da luta contra o terrorismo e da paz no Mundo, claro.

Em Portugal, isto parece bem a muita gente porque comprou-se a ideia que é para acabar com gente má. Se fosse em Portugal que andassem a abater civis e inocentes queria ver qual seria o sentimento.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Tsipras, Putin e Obama

Leio com estupefacção as notícias que dizem que a bolsa grega subiu perto de 5% graças às palavras de Obama contra a austeridade.

Caros especuladores, Obama só se pôs do lado da Grécia porque pela primeira vez, em décadas, o novo PM grego recebeu, em primeiro lugar, os parabéns (pela vitória nas eleições) do embaixador russo e não do norte-americano.

E como o Rússia manifestou, entretanto, disponibilidade para resgatar a Grécia e Tsipras opôs-se a sanções contra Moscovo, é melhor que Obama mude o seu discurso se não quiser o veto grego em futuras sanções da UE à Rússia.

Entretanto, Alexis Tsipras foi convidado por Vladimir Putin para se deslocar à Rússia, o que acontecerá a 9 de Maio - dia significativo, não apenas para a Rússia (Dia da Vitória que consumou a derrota nazi em solo russo), mas também para a Europa (Dia da Europa). O encontro promete - e alguns ministros gregos irão entretanto a Moscovo - diz-se que o MNE grego, Nikos Kotzias, já tem experiência nisto.

Obama tem 3 meses para pôr os seus discursos anti-austeridade em prática.