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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Marcelo Rebelo de Sousa, o super-herói

Parece que já andam a preparar a campanha presidencial para Marcelo Rebelo de Sousa. O lançamento da sua biografia e este recente artigo são a prova disso mesmo. Nos entretantos, a televisão.

Vou destacar o artigo e não a biografia, porque não faço questão de ler o livro sobre a vida de alguém que faz opinião sobre tudo e há muitos anos que ameaça aparecer e salvar o País do inferno em que se encontra. Nunca o fez por falta de coragem. Talvez o faça em 2016. Ou então, tudo não passará de mais uma ameaça, a milésima.

O artigo do Expresso parece manifestamente exagerado e cria uma teoria da conspiração de nível pueril. Para o autor do artigo, Marcelo Rebelo de Sousa é o ódio de estimação de Passos Coelho porque... o primeiro «é a antítese» do último. Porque Marcelo é uma pessoa com valores. Porque Marcelo é independente. Porque Marcelo é incorruptível. Porque Marcelo só quer fazer o bem à sociedade. E, depreende-se do texto do autor, Passos Coelho é exactamente o contrário, pelo que, como bom vilão de desenhos animados que é, tudo fará para destruir o super-herói.

Só faltou dizer que Passos Coelho e Marcelo Rebelo de Sousa são gémeos separados à nascença e, enquanto Marcelo foi criado pela mãe, Ser misericordioso que o criou de forma exemplar, Passos Coelho foi entregue a uma instituição de caridade, cresceu nas ruas de Vila Real, como órfão, e agora, acompanhado das suas tropas, vem apoderar-se do País através do Governo com dois objectivos: destruir o seu ódio de estimação, Marcelo, para poder governar o Mundo! Quem nos vem salvar? Nem o Chuck Norris, nem o Steven Seagal e muito menos o Van Damme. Só Marcelo Rebelo de Sousa, o incorruptível, nos poderá salvar!

É impressão minha ou passei a minha infância e a minha juventude a ver imensos filmes deste género? Se querem promover Marcelo Rebelo de Sousa desenvolvam o enredo deste filme, mas esforcem-se um pouco mais.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Presidenciais'2016: Portugal merece mais do que um desertor e um populista.

O tema que abre a semana actual prende-se com as Presidenciais de 2016 e com o possível candidato do PSD à sucessão a Cavaco Silva. Marcelo Rebelo de Sousa, igual a si próprio, tenta queimar o candidato a candidato Durão Barroso, mas também não faz muito esforço para se posicionar na linha de preferência dos social-democratas, pelo contrário, prefere encolher-se, subir ao seu pedestal e atacar tudo o que mexe. Não avança, nem deixa avançar.

O «carisma» de Marcelo Rebelo de Sousa intriga-me. Academicamente, é bom professor, escreve em linguagem acessível e expressa-se com tremenda facilidade, mas não é doutrina e não se lhe conhece o mesmo rigor e valor de outros catedráticos da Clássica do seu tempo. Politicamente, Marcelo Rebelo de Sousa é uma espécie de D. Sebastião: ameaça (há mais de uma década) o seu regresso, numa manhã de nevoeiro, quando o cenário for de terror, para salvar o País, quando a verdade é que todos conhecem um mero comentador de televisão que refastela-se numa cadeira ao mesmo tempo que dá palpites sobre tudo (até sobre futebol e culinária) e anuncia livros que temos sérias dúvidas que sejam efectivamente lidos pelo anunciante. Ou seja, Marcelo Rebelo de Sousa é mais uma espécie de Júlia Pinheiro, numa versão mais aprimorada, com mais bom senso e o triplo dos neurónios. Resumindo: Marcelo Rebelo de Sousa jamais será uma alternativa viável para a Presidência da República. Não tenciono votar em alguém que se refugia na televisão e envia recados a toda a gente ao mesmo tempo que não tem coragem para avançar para o leme por medo de prejudicar a sua imagem. Precisamos de um líder, corajoso, que não o seja quando o pior já passou!

Sobre Durão Barroso, a decisão é relativamente fácil. Como me poderia esquecer dos acontecimentos de 2003 e 2004? Esteve 2 anos no Governo e conseguiu ter dois actos egoístas que contribuíram para o afundamento do País: organizou e participou, de peito cheio, na cimeira das Lajes - com Bush, Blair e Aznar - patrocinando uma guerra inútil, injusta e com base em motivações falsas e ambiciosas de grandes potências, iniciando, aqui, a subserviência gratuita a terceiros; abandonou o País para se promover na União Europeia onde parece ter-se esquecido do que é ser português para apoiar as pretensões dos «grandes» europeus que podiam alimentar as suas ambições pessoais, dando origem a um período de instabilidade política que levaria Sócrates ao poder. Da minha parte, não contem comigo para votar num desertor. O País precisa de alguém com amor à Pátria!

Continuem a trazer outros candidatos a candidatos. Estes não servem e espero que o CDS não ceda à tentação de apoiar qualquer um destes indivíduos. O País merece melhor!