Depois do afastamento de Henrique Gomes do cargo de Secretário de Estado da Energia, por falta de apoio político para combater os lóbis instalados, Pedro Passos Coelho mostrou, hoje, a sua preocupação face ao aumento dos preços dos combustíveis, como se só agora tivessem sido atingido valores preocupantes. Perito em descartar-se de responsabilidades, o Primeiro-Ministro diz que nada pode fazer perante o actual quadro. Assim, preciso que alguém me explique o seguinte:
- Como se justifica que a 3 de Julho de 2008 o petróleo tivesse atingido os USD $146 e o preço do litro de gasolina praticado na altura fosse de €1,52 e hoje o petróleo esteja situado em USD $125,58 e a gasolina a €1,73?
- Relacionar o alegadamente elevado ISP com a necessidade de disparar os preços dos combustíveis é uma falácia que só convence os que andam desinformados. Na verdade, que ISP elevado é esse que permite que a Galp registe €251 milhões de lucro em 2011 e, no último trimestre do ano, registou mais 39,40% de lucros do que em 2010?
- Como é possível que uma empresa que regista lucros de €251 milhões de euros tenha a coragem de encerrar 37 postos e lançado 292 pessoas para o desemprego pouco depois de o seu Director Executivo auferir um salário de €1,33 milhões (2010)?
Para quem demonstra a sua preocupação para com os efeitos das greves na economia, a sua inércia para com o aumento dos combustíveis não deixa de ser preocupante. A escalada dos preços dos combustíveis é tão ou mais lesiva para a economia e é passível de eliminar postos de trabalho quanto as greves. Passos Coelho está a defender, uma vez mais, o interesse dos lóbis do sector energético ao adoptar uma postura passiva de «mera preocupação». Este é um dos motivos pelos quais não podemos politizar a economia, como a banca, as energias, etc. Acreditar que um Governo com amigos nos sectores estratégicos vai combater contra os seus interesses é como acreditar em fadas!
Sem comentários:
Enviar um comentário