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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Almada | Autárquicas'2017: os panfletos do PSD

O PSD tem estado muito dinâmico e apostado em fazer uma campanha suficientemente forte para garantir um resultado eleitoral que lhe permita, pelo menos, assumir a posição de segunda maior força política no concelho.
 
O PSD entrou cedo, com propaganda de guerrilha sob a forma de cartazes, ainda em Maio, apresentou os candidatos aos órgãos autárquicos também em Maio, e tem estado nas ruas e presente noutros eventos públicos.
 
Se a CDU apostou na distribuição de panfletos nas caixas de correio das residências de algumas ruas de Almada, o PSD tem também distribuído panfletos à população. O contacto directo continua a ser um meio de excelência ao serviço dos partidos e o PSD Almada não o recusa, tendo já mais do que um modelo diferente de folheto distribuído à população.
 
Imagens fornecidas pelo candidato do PSD à JF Charneca-Sobreda
 
Um segundo folheto distribuído em Charneca-Sobreda
 
Várias coisas saltam à vista nos dois folhetos, a esmagadora maioria delas, a nosso ver, primam pela inteligência e pela forma como se pretende chegar às eficazmente às massas.
 
Pontos fortes:
  • A qualidade de impressão é muito boa, a cores e com um visual moderno.
  • Os panfletos são desdobráveis e impressos na frente e no verso.
  • Relativamente ao primeiro, há uma clara sofisticação face aos da CDU no sentido de não ter uma forma rectangular estática, antes querendo aparentar a forma dinâmica de um telemóvel, símbolo de modernidade.
  • Cada panfleto está personalizado para cada união de freguesias, não se limitando o PSD a imprimir massivamente um conjunto de textos abstractos e neutros do ponto de vista da freguesia.
  • A escolha e a combinação de cores está bem feita em qualquer um dos panfletos.
  • No primeiro panfleto, a ordem de visualização está muito bem conseguida: em primeiro lugar, surge um candidato facilmente identificável (quanto à foto, quanto ao nome e quanto ao lugar a que concorre), em segundo as medidas propostas e, finalmente, o partido pelo qual se candidata e a identificação das redes sociais onde a candidatura está presente.
  • Apesar das críticas ao lema escolhido para a candidatura do PSD à União das Freguesias de Charneca da Caparica e Sobreda, não deixa de ser coerente a insistência em fazer-se referência a esse lema e à etiqueta digital do mesmo.
  • Existe uma clara aposta nas plataformas digitais.
  • Discurso simples e objectivo.
  • Apresenta propostas concretas para a freguesia, podendo lançá-las, desde já, a discussão.
 
Pontos fracos:
  • Estratégia dedicada exclusivamente à realidade das freguesias. Em nenhum deles é feita uma referência aos candidatos aos órgãos municipais, sendo que todos estes meios de propaganda são uma excelente forma de tentar injectar os principais candidatos na mente do eleitorado. No caso concreto destes panfletos, acreditamos que existia espaço para projectar os candidatos à Câmara Municipal e à Assembleia Municipal, nem que fosse só pelas fotos e com referência aos nomes, já que, também eles, fazem parte do projecto para as freguesias.
  • O lema #ResolverACharnecaSobreda continua a ser um enigma que os panfletos não desvendam. Sabe-se o que o PSD propõe para esta união de freguesias, mas não se percebe exactamente o que é que necessita de ser resolvido.
  • Falta um endereço directo para a página de Facebook do PSD Almada e para a página da candidatura, um e-mail de contacto e uma maior exploração do endereço oficial na internet. Parece que a única forma de chegar à candidatura e ao PSD Almada é através de uma etiqueta digital. Isto cria dificuldades para quem não estiver familiarizado com o método.
  • O panfleto só chega ao eleitorado se o eleitorado se deslocar aos sítios onde estiver presente o PSD. É uma diferença significativa face ao da CDU, que se impõe, mesmo que a população o evite na rua.
 
Perante isto, os panfletos em apreço são de louvar por se traduzirem num meio bem conseguido de chegar ao eleitorado dando-lhe já muita matéria para reflectir ao mesmo tempo que marca a diferença face aos adversários. Não compreendo a aversão dos candidatos de todos os partidos, em Almada, para a exploração da plataforma Twitter e, eventualmente, também para o Whatsapp, lamentando-se a falta de uma estratégia que melhor consiga aproveitar as potencialidades daquela aplicação.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Almada | Autárquicas'2017: a CDU e as prestações de serviços

Os ajustes directos, as avenças e as prestações de serviços são apenas algumas das pragas que dominam a realidade política portuguesa. Quando falamos destes institutos em sede de poder local, a praga ganha contornos ainda mais profundos. Porquê? Porque quem está no poder pode aproveitar para celebrar contratos que favoreçam (financeiramente) pessoas do próprio partido ou terceiros com os quais tenham alguma proximidade.
 
Veja-se o caso da CDU, em Almada.
 
Em 2015, a Câmara Municipal de Almada entendeu que não tinha juristas suficientes ao serviço da autarquia. Não tem, de certeza? Mas o que decidiu a CDU fazer? Contratos de prestações de serviços jurídicos com juristas ou advogados directamente relacionados com o Partido Comunista.
 
São exemplo disso os contratos de prestação de serviços celebrados em 2015 e 2016 entre a Câmara Municipal de Almada e Luís Corceiro Mendes, membro do Partido Comunista, para prestar serviços de assessoria e consulta jurídicas. O segundo contrato pode ser consultado aqui. À luz deste contrato, com a duração de 12 meses, o Município assume o pagamento de um salário mensal de 1.900 euros a que acrescem o IVA e despesas de 90 euros mensais. Ou seja, um vencimento a que muitos técnicos superiores não têm direito.
 
Com alguma perícia e paciência, ainda seria possível integrar o advogado Luís Corceiro nos quadros da Câmara Municipal de Almada ao abrigo do programa de integração dos precários, actualmente em curso.
 
Veja-se um outro contrato mais recente de ajuste directo. Por alegada "ausência de recursos próprios", decidiu-se abrir procedimento com vista à "celebração de um contrato de prestação de serviços por ajuste directo com um(a) técnico(a) com formação superior, pelo valor mensal de €2.291,00, acrescido de IVA à taxa legal" para prestar apoio ao Departamento de Intervenção Social e Habitação "na área jurídica especializada em habitação social e com mandato forense". Este valor deve ser pago em 12 prestações.
 
Aberto o procedimento, a escolha não foi difícil: o contrato foi celebrado com a advogada Anabela Cristina Almeida Respeita. Coincidência, a escolhida é Presidente da Mesa da União das Freguesias de Laranjeiro e Feijó... eleita pela CDU. Quantos candidatos concorreram a este apetecível procedimento? Em que meios foi divulgado? Que experiência tem a prestadora na área em apreço? Quais foram os critérios de escolha? Vamos ter uma renovação de contrato por mais um ano tendo como contrapartida o valor máximo previsto para ajustes directos desta natureza?
 
Estes são apenas dois exemplos. Mas há mais. Se a lei diz que é legal, é porque deve ser, mesmo que Anabela Respeita represente o Município e cumpra um mandato numa Junta de Freguesia que poderá, hipoteticamente, ter um conflito com o Município.

sábado, 10 de agosto de 2013

Quantas pessoas de tez negra são candidatas?

Não deixa de ser perturbadora a escassez de pessoas com tom de pele escuro nas listas a cargos políticos. Regra geral, e na melhor das hipóteses, lá aparecem alguns, mas em cargos não elegíveis. E muitos destes casos são inspirados apenas pela necessidade de chegar a nichos de eleitorado que de outra maneira dificilmente conseguem chegar. Ou seja, servem apenas para «sacar votos», caso contrário nem entrariam nas contas dos partidos.

Este caso preocupa-me, por um motivo: não acredito que não encontremos nenhuma pessoa de tez negra (independentemente do local de nascimento) com capacidade para estar em cargos elegíveis ou para ser cabeça-de-lista a uma Câmara Municipal ou Assembleia Municipal.