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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Turismo para chineses?

Segundo a Global One, entre «China, Angola, Brasil e Rússia, os chineses estão a ganhar uma maior relevância no turismo nacional» e são «os que mais dinheiro gastam». Claro que se está a olhar para estes números como sendo os chineses aqueles que mais compras fazem e que apostam no segmento de luxo. Esta é a visão típica de quem apenas quer ver dinheiro a entrar e não pensa em criar um conceito turístico que os faça regressar à China e poderem, por si próprios, promover Portugal entre os seus pares se tiverem tido uma experiência bastante aprazível no nosso País.

Se a estratégia turística for dirigida aos interesses dos chineses e se se souber vender Portugal a este género de clientes, então, estou em crer, que não andaremos aqui a contar tostões com as receitas das lojas de luxo, antes poderemos promover Portugal enquanto verdadeiro destino turístico. Claro que tudo isto deixa de fazer sentido quando andamos a vender Portugal aos chineses apenas tendo como base sol e mar ou enquanto espécie de paraíso fiscal, uma vez que entra um volume significativo de capital em Portugal que não se traduz necessariamente em riqueza ou em melhoria da qualidade de vida dos portugueses. Apenas disfarça estatísticas.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Que importância tem o Turismo para o Governo?

O Governo tomou posse há cerca de 18 meses. Desde então, tem sido notória a ausência de um plano concreto para o sector do Turismo. Ainda assim, as receitas do turismo em Portugal aumentaram cerca de 5% em 2012. Que a inércia do poder político não seja justificada com o princípio «mais vale nada fazer do que correr o risco de estragar», uma vez que para os números de 2012 poderá ter contribuído, significativamente, o facto de Guimarães ter sido Capital Europeia da Cultura.

Esta inacção do Governo não tem sido permanente, verificando-se que o silêncio se deve à falta de visão para o sector. Não será de todo inocente o que tem sido feito nas antigas auto-estradas Sem Custos para os UTilizadores (SCUT) e que acaba por criar constrangimentos à entrada e mobilidade em Portugal, o que não só afecta as receitas do Turismo como ainda compromete a actividade de agentes que dependem do sector para sobreviver.

No entanto, este quadro conheceu uma excepção recentemente com a promoção de um programa arriscado e muito tímido, mas deveras interessante, intitulado «Our deal: no waves, come back for free» e que visava atrair surfistas a permanecerem em Portugal durante um período de tempo durante o qual, se não tivessem condições que lhes garantissem condições minimamente adequadas à prática de surf, o Turismo de Portugal patrocinava o seu regresso. Dado o marasmo que tem sido a actuação do poder político para o Turismo, esta iniciativa soa quase a mero acaso.

É dramática a situação do sector em Portugal. Por vezes fica a sensação que o Turismo nem sequer foi lembrado pelo Governo quando definiu as áreas nas quais interviria. Tudo isto torna-se ainda mais estranho quando vemos que houve uma decisão acertada de integrar o Turismo no Ministério da Economia. Contudo, a ausência de alguém que dê a cara e pense o sector é assustador. Na verdade, intriga-me que se pague um salário a uma Secretária de Estado e às pessoas que compõem o seu gabinete, quando a escassa promoção do Turismo nacional que tem sido feita acaba por ter como obreiro alguém que está a tirar proveito dele. Refiro-me a Garrett McNamara e ao que tem sido falado das ondas da Nazaré nos mais variados e influentes meios de comunicação social de todo o mundo. Confirmem aqui. É incrível como com tão pouco se pode fazer tanto.