Já sabemos da valoração dada pela Câmara Municipal de Almada (CMA) às licenciaturas em História, considerando a recente nomeação de Paulo Jorge Piteira Leão para a ECALMA. Porém, uma pesquisa mais aprofundada permite agora compreender a Presidente da CMA, Maria Emília Guerreiro Neto de Sousa, quando esta alega conhecer «muita gente licenciada em História que exerce de forma competente cargos de gestão» e a polivalência que é dada aos formados neste curso.
Segundo foi possível apurar, Maria Amélia de Jesus Pardal, é mais um desses casos de sucesso em gestão. Nascida a 7 de Junho de 1964, a sua licenciatura em História (conseguida em 1989, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) valeu-lhe um cargo como Vereadora responsável pelo Planeamento e Administração do Território e Arte Contemporânea, ocupando ainda o lugar de vogal no Conselho de Administração do Serviço Municipalizado de Águas e Saneamento (SMAS).
Todavia, sendo necessário analisar o percurso profissional de Maria Amélia Pardal para aferir da sua capacidade para gerir as áreas que tem agora sobre a sua competência, importa referir o seguinte:
- Em Março de 1995 entrou, oficialmente, na Câmara Municipal de Almada, como Técnica Superior de 2.ª classe, onde se manteve até 22 de Fevereiro de 1996;
- A 23 de Fevereiro de 1996, ingressou como Técnica Superior estagiária na CMA;
- A 26 de Setembro de 1997, ingressou na carreira de Técnica Superior na categoria de 2.ª classe;
- A 11 de Dezembro de 2000, foi promovida à categoria de Técnica Superior de 1.ª classe;
- A 25 de Maio de 2005, foi promovida à categoria de Técnica Superior principal;
- A 1 de Dezembro de 2005, foi nomeada Chefe de Divisão de Equipamentos Culturais;
- A 20 de Abril de 2006, foi nomeada Directora do Departamento Municipal de Cultura, por um período de 3 anos;
- A 11 de Outubro de 2009, foi candidata eleita à CMA, exercendo, desde 4 de Novembro de 2009, funções como Vereadora.
Entre as funções exercidas no seu vasto currículo, destacam-se as seguintes:
- Coordenação do Sector da Juventude;
- Concepção e realização de um programa municipal de férias jovens e participação num grupo de trabalho para as questões da toxicodependência;
- Acompanhamento da obra de recuperação do Centro Cultural Juvenil de Santo Amaro;
- Acompanhamento à obra da Pousada da Juventude (Santo António da Caparica) e responsável pelo grupo de trabalho que concebe e executa todo o programa de inauguração;
- Coordenação directa das iniciativas Quinzena da Juventude e Fórum Municipal da Juventude;
- Responsável pela criação e implementação do cartão jovem;
- Coordenação do grupo de trabalho tendo em vista o desenvolvimento de uma base de dados do Movimento Associativo Juvenil do concelho de Almada;
- Integração no grupo de trabalho destinado à construção do site especializado da juventude, no âmbito do Projecto Almada Cidade Digital;
- Integração num grupo de trabalho criado para o estudo e acompanhamento das questões relativas à gestão do Teatro Azul.
Tal como no caso de Piteira Leão, não tenho a menor dúvida que o currículo académico e profissional de Amélia Pardal a habilitariam a desempenhar funções com algo relacionado à cultura. Parece-me, porém, que uma pessoa cuja carreira se destaca, entre outros, pela criação e implementação do cartão jovem e pela organização das Quinzenas da Juventude não terá experiência suficiente para exercer agora funções como vogal do Conselho de Administração dos SMAS ou liderar a pasta do Planeamento e Administração do Território.
Contudo, o que mais causa estranheza será o percurso profissional de Amélia Pardal entre Março de 1995 e Setembro de 1997 com uma dupla ingressão na carreira de Técnica Superior de 2.º grau com um estágio pelo meio. Será Amélia Pardal capaz de explicar o que terá mesmo acontecido?
Seguidamente, importa interrogar a sua meteórica ascensão na hierarquia da Câmara entre Maio de 2005 e Abril de 2006, com 3 promoções em menos de 1 ano. A que se deveu tamanho fenómeno? Estaria uma CMA que contrata tantos quadros superiores todos anos sem soluções, ainda para o mais na área da cultura, que, em menos de 1 ano, tornaram uma Técnica Superior de 1.ª Classe numa Directora de um Departamento Municipal? Como foi possível que Amélia Pardal desse provas da sua competência em cada um destes cargos em tão pouco tempo ao ponto de justificar a sua inquestionável nomeação para Directora de um Departamento Municipal? Não seria essa uma forma de já lhe dar destaque tendo em vista as eleições autárquicas de 2009?
Desconhecendo a resposta a todas estas questões, não será possível afirmar que se trata de uma Vereadora habilitada a exercer as actuais funções, questionando-se mesmo que as possíveis ambições de Amélia Pardal em avançar como candidata da CDU à CMA em 2013 esbarrem na sua fraca experiência profissional.
