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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Eleições em Israel

Israel vai realizar eleições legislativas no próximo dia 17 de Março após fortes divisões internas terem provocado a dissolução do Parlamento em Dezembro passado. Tem sido interessante assistir ao comportamento da extrema-direita israelita, liderada por Benjamin Netanyahu, cuja agenda, sustentada na intolerância e no fundamentalismo, tem contribuído para o crescente isolamento internacional de Telavive.

Esta estratégia tem valido a Netanyahu também a perda de apoios externos tradicionais: na Europa, o dossiê Israel é um verdadeiro barril de pólvora que tem de ser gerido com pinças, pois um passo em falso pode contribuir para a prossecução dos objectivos fundamentalistas de Netanyahu.


Constata-se que o episódio Charlie Hebdo acabou por cair do céu para ajudar o ainda Primeiro-Ministro israelita a reforçar a defesa da sua causa nacionalista, de vitimização e antimuçulmana – recordem-se as acusações ao Hamas e o pedido para que os judeus regressem ao único local onde entende que estão seguros – e deixou alguns Estados europeus com a sensação de que não lhes resta outra alternativa senão proteger os interesses judaicos, sob pena de, caso não o façam, serem acusados de antissemitismo (com todas as consequências que daí advêm).

Netanyahu segue implacável, e, como se não bastasse, agora usa o início das investigações do Tribunal Penal Internacional para acusar o Ocidente de perseguição aos judeus que, segundo o próprio, apenas pretendem defender-se de ataques. Algo de errado se passa com o PM israelita e até a administração Obama já parece começar a perder a paciência com Netanyahu: primeiro, havia garantido que reconhece dois Estados tendo as fronteiras israelo-palestinianas como base o mapa de 1967, depois, tem insistido no diálogo entre Israel e Palestina, e, recentemente, ameaçou vetar sanções aprovadas pelo Congresso contra o Irão.

No meio de tudo isto, os republicanos tentam aproveitar-se de todos os aliados que puderem para pressionarem os democratas e Netanyahu agradece. A recente visita de Lindsey Graham a Jerusalém não foi inocente, tendo defendido o apoio incondicional do Congresso às instruções vindas de Telavive, sendo indiferente que isso se traduza no isolamento de Israel e na chacina dos mais desfavorecidos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Charlie Hebdo: um filme indigno de Oscar?

Esta história do Charlie Hebdo parece, cada vez mais, um filme de cinema, senão vejamos:
- Dois irmãos cometem um ataque contra os elementos de uma publicação satírica e atentam contra a liberdade de expressão;
- Eram muçulmanos;
- Terão alegado ser da Al-Qaeda no Iémen quando não existe Al-Qaeda no Iémen mas sim Al-Qaeda na Península Arábica, mas tiveram treino na Síria (mais tarde já era no Iémen) onde se encontra o ISIS (que, por sua vez, tinha Coulibaly a representá-lo ainda que Al-Qaeda e ISIS sejam assumidamente rivais);
- Curiosamente, tudo isto sucede exactamente no mesmo dia em que é lançado o livro "Soumission", de Michel Houellebecq, um romance que prevê a eleição de um Presidente muçulmano, em França, em 2022;
- Os autores do atentado deixam um documento de identificação perdido no carro (é bom saber que os terroristas andam sempre documentados e cumprem a lei)… tal como aconteceu no 9/11, a França tem o seu 1/7 onde também encontram documentos de identificação dos perpetradores;
- O ataque foi tão bem preparado que os terroristas "enganaram-se" na porta do prédio onde estava a publicação (erro entre o n.º 6 e o n.º 10), quando o prédio já estava mais que bem referenciado e já tinha sido alvo de ataques no passado;
- A cartoonista que inseriu o código da porta para que os colegas fossem chacinados foi poupada à morte, mesmo sendo cartoonista, mas todos os outros morreram (incluindo funcionários não cartoonistas) - não matavam mulheres, mas mataram uma que estava na reunião da redacção?;
- Neste ataque é abatido um agente da polícia que, por acaso, é muçulmano e agora é usado para aliviar os ataques contra os muçulmanos por ser polícia e vítima.
- Entretanto, é noticiado que a namorada de Coulibaly estava no local do ataque ao supermercado mas conseguiu fugir, mais tarde é avançado que tinha fugido momentos antes e, finalmente, lá são descobertos todos os registos das viagens dela (até imagens vídeo para não deixar dúvidas) e se descobre-se que não está em solo europeu desde dia 2 de Janeiro.
- Claro está que já todos estavam referenciados, mas estavam tão bem referenciados que puderam fazer o que quiseram, quando quiseram e, mesmo sendo próximos, ninguém interceptou Coulibaly (que só actuou 48 horas depois).
- Entretanto, quase miraculosamente, eis que surge um vídeo de Coulibaly - amplamente divulgado e com confissões suficientes para que não restassem dúvidas sobre quem tinha feito o quê e porquê.


Como se já não bastasse….
- Mais emocionante fica esta história quando entra em cena um funcionário (o muçulmano Lassana Bathily) do supermercado, que, qual lista de Schindler, salva, pelo menos, 5 pessoas numa arca frigorífica. Os muçulmanos também podem ser heróis.
- Chegamos à conclusão que os intervenientes são todos judeus e muçulmanos e os outros só morrem.
- Subitamente, os muçulmanos vão ser isolados da restante população prisional e são destacados 5.000 agentes de segurança para todas as escolas judaicas em França (não percebo porque motivo um ataque a um supermercado judaico obriga a protecção das escolas judaicas e porquê apenas as escolas e não todas as outras instituições).

O filme acaba com uma marcha pela paz (realizada a 1/11), muitos vídeos com música melancólica para apelar à lágrima e com uma caneta como símbolo (as pessoas precisam destes símbolos para darem mais vida e mística aos fenómenos).

Não quero com isto dizer que nada aconteceu ou que foi parcial ou totalmente orquestrado, mas há aqui uma série de factos que talvez merecessem reflexão. Até porque dentro de dois meses vamos ter Legislativas em Israel e se houve alguém que ganhou com isto tudo, esse alguém foi Netanyahu.