Foi hoje aprovada no Parlamento a iniciativa legislativa que vai permitir que, se os média violarem as imposições de pluralidade, que obriga estes órgãos a dar a mesma cobertura a todos os partidos políticos oficializados em Portugal, nada aconteça a não ser um sermão da entidade reguladora (ERC).
É mais que sabido que os média portugueses são controlados por interesses ligados aos partidos do costume – reflectidos, por exemplo, na exaustão de comentadores e outros políticos que consomem horas de noticiários e programação apenas para ego próprio e consumo interno das organizações que integram – e que a cobertura que fazem é grosseiramente tendenciosa e vicia o direito de voto, dado que à ignorância e desconhecimento populares somam-se as injecções ministradas aos portugueses com conteúdos dos partidos que convêm.
Outra prova clara de que a nossa democracia não é saudável e é questionável prende-se com a realização de sondagens em Portugal. Não querendo entrar na questão referente à propriedade destas empresas e à forma como os inquiridos são seleccionados, repare-se na forma como os inquéritos são conduzidos e os resultados publicados: os inquiridos só podem escolher entre os 5 partidos com representação parlamentar, somando-se agora outros 2 resultantes de conveniências (o Livre e o PDR).
Apesar de estarem registados 21 partidos (e outros 2 aguardarem aprovação pelo Tribunal Constitucional), na realização de sondagens, as pessoas só podem escolher «outros» e não o partido em que querem votar e o simples facto de ser apresentado a opção «outros» vicia a intenção de voto pois as pessoas tendem a ser sugeridas por nomes concretos (o dos 5+2 que convêm) e não pelo abstracto. No fundo, faz-se crer que só existem os tais partidos e que o resto não são bem partidos... são «outros», como se de outras coisas se tratassem.
Neste quadro, reforço o que já disse aqui uma vez: para que as eleições sejam democráticas, têm de ser livres, justas e transparentes. Em Portugal, as eleições são livres e transparentes, mas não são justas. Por isso mesmo, também reitero a minha intenção de não participar num acto eleitoral com estas características, onde o voto não é esclarecido e onde são criados instrumentos para silenciar minorias que nunca vão passar disso mesmo, minorias, tal a censura a que estão sujeitas. Pela primeira vez na minha vida não votarei e a abstenção será a palavra de ordem até mudança do actual paradigma.
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