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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Almada: futsal e desenvolvimento local

O Pavilhão Municipal de Almada recebeu, entre os dias 21-24 de Novembro de 2013, os jogos do grupo do Sporting CP integrados na Ronda de Elite da UEFA, em futsal. O evento merece um sincero louvor por trazer tanta gente ao concelho e dar visibilidade à cidade na organização de um evento desta natureza. Pena é que, além da comunidade sportinguista e dos fiéis mais fervorosos do Partido Comunista, poucos mais tenham ficado satisfeitos com a organização deste evento. Os residentes furiosos ficam e têm motivos para ficar: o caos nas ruas em volta do Pavilhão Municipal falava por si. Carros em segunda fila, em cima dos passeios e a mobilidade condicionada, uma vez que as autoridades apenas tratavam da segurança do Pavilhão e das viaturas dos ilustres convidados e a anarquia dos automobilistas era patente nas estradas e nos passeios. Os peões circulavam na estrada e cheguei a ver duas pessoas com compras que só as conseguiram transportar por cima da cabeça pois mal tinham espaço para circular e entrar no prédio!

À boa maneira latino-americana ou africana, onde se desalojam pessoas para se construírem barragens e justifica-se que Seres Humanos sejam largados à sua sorte «em nome do desenvolvimento», também o PCP Almada - que preocupa-se tanto com mobilidade e bem estar dos munícipes quanto eu me preocupo com a procriação de melgas e mosquitos - parece inspirar-se no mesmo princípio: que se lixem os residentes locais, venha de lá a bola e os jogos para Presidente ver! É o desenvolvimento, camaradas!





O adepto Joaquim Judas acabou o torneio com um melão do tamanho da falta de respeito do Presidente Joaquim Judas pelos residentes

domingo, 14 de outubro de 2012

A gestão de uma SAD: o mau exemplo do Sporting

As recentes declarações do Presidente do Sporting, Godinho Lopes, são, no mínimo, anedóticas. É preciso ter coragem para afirmar «o Sporting não pode ser um viveiro de treinadores queimados» sabendo-se que já vai a caminho do quinto treinador - José Couceiro, Domingos Paciência, Ricardo Sá Pinto e Oceano Cruz - desde que venceu as eleições (da forma que venceu), em Março de 2011. Em 18 meses, 4 treinadores fuzilados, é obra!

Ou muito me engano, ou o Sporting é o único clube do mundo que brevemente pagará salários a 3 treinadores de equipa principal, mas dos quais só um é que treina (espera-se) a equipa principal. Segundo números divulgados pelos média desportivos, o Sporting paga 70 mil euros/mês para Domingos Paciência ficar em casa e 40 mil/mês a Sá Pinto, para o mesmo efeito. Pelo meio, Oceano deverá estar a auferir, por esta hora, salário de treinador principal e não de equipa B. De acordo com as mesmas fontes, o próximo treinador não deverá auferir menos de 100 mil euros/mês. Resumindo: muito brevemente, o Sporting estará a pagar 210 mil euros/mês em salários de treinadores. Com mais 40 mil euros/mês e seriam capazes de seduzir Dick Advocaat, Guus Hiddink, Frank Rijkaard, Harry Redknapp ou Manuel Pellegrini.

Igualmente anedótico é a análise que a direcção faz aos resultados conquistados pelos treinadores. Quando foi chamado a substituir Domingos, Sá Pinto tinha vínculo até Junho de 2013. Após ter falhado um lugar que desse acesso à Liga dos Campeões e ter perdido a Taça de Portugal para a Académica, o contrato de Sá Pinto foi renovado por mais 1 ano (até 2014)! Provavelmente o único objectivo traçado pela direcção do Sporting para o resto da temporada não fosse qualquer um dos atrás referidos, mas apenas uma vitória contra o Benfica - que foi conseguida, em Alvalade, por 1-0.

Finalmente, já na presente época, e não menos anedótico, Godinho Lopes decide promover o treinador principal da equipa B, Oceano Cruz, para substituir Sá Pinto. O ridículo não está na promoção de Oceano, até porque conseguiu manter a equipa nos dois primeiros lugares da II Liga desde o início da época, mas no facto de afastar um treinador ganhador para se queimar num jogo contra o FC Porto e noutros mais que surjam pelo caminho, caso ninguém se interesse pelo «projecto» do clube, e, uma vez contratado o novo treinador, Oceano desaparece no conjunto de adjuntos da equipa principal e a equipa B é proposta a... Sá Pinto! Ou seja, um treinador que falhou e é despedido da equipa principal é a seguir proposto para a equipa B, ainda por cima uma equipa com um bom desempenho. Se Sá Pinto aceitasse e se a esperança de vida do novo treinador cumprisse a tradição, dentro de 6 meses, Sá Pinto corria o sério risco de voltar a treinar a equipa principal! 

Ora, tudo isto só prova que algo não vai bem no Sporting e tenho sérias dúvidas que sejam os treinadores ou os jogadores. A equipa principal é gerida com a leviandade de quem não faz a mínima ideia do que é gerir um clube e quer omeletes rápidas sem ovos e a equipa B nem sequer chega a ser um tubo de ensaio para dar experiência aos mais jovens, parecendo tratar-se antes de uma extensão da equipa do sindicato composta por jogadores livres, aos quais basta dar uma bola e é indiferente quem (e como) a treina. Resumindo: a equipa B é mais uma forma de derreter dinheiro de forma descontrolada, sem haver a mínima preocupação com o futuro dos jogadores. E por falar em jogadores: alguém sabe de Sunil Chhetri e porque motivo foi, afinal, contratado?