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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A Moção da Juventude Popular

Eu não ia falar deste tema, mas não posso deixar de me pronunciar sobre ele.

Sim, eu sei que a moção não foi aprovada. Mas para ser proposta e integrar a ordem de trabalhos, teve de ser subscrita por algumas dezenas de militantes. Isto é preocupante porque significa que inúmeras pessoas concordaram com as ideias aqui propostas. E mais preocupante ainda é que entre os subscritores se encontrem jovens e também Secretários de Estado não tão jovens, mas ainda jovens.

Não posso deixar de censurar esta proposta de moção porque propõe o seguinte:
- «privatizar ou concessionar uma parte considerável do sector empresarial do Estado»;
- «a redução sustentada da carga fiscal, dando especial destaque ao IRC»;
- Entende que «a legislação [laboral] demasiado preocupada com a perenidade dos postos de trabalho existentes tem uma grave influência na escassez de novos postos de trabalho criados»;
- «Deve ser dada maior liberdade também às pessoas na escolha da escola ou da universidade que pretendem» e é por isso que propõem que seja o Estado a pagar essa liberdade «através da execução do programa cheque-ensino». A JP entende que esta é uma das suas «maiores vitórias na área da educação» pois «devolve a autonomia às escolas no seu financiamento, aumenta [como todos nós sabemos] a competitividade entre elas»;
- Finalmente, «acreditamos que o prolongamento até ao 12.º ano do ensino obrigatório é um erro o que se devia recuar para o 9.º ano de escolaridade» (sic).

No entanto, ao mesmo tempo que propõe tudo isto, a JP defende que quer «uma Constituição que defenda as gerações futuras das loucuras vertidas nas decisões de quem HOJE nos governa» (sic).

É preciso dizer mais? A JP já disse tudo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Autárquicas'2013: um caso de polícia no CDS-PP Almada

É mais um caso que ensombra a campanha do CDS-PP em Almada. O Presidente da Juventude Popular local, Hugo Rufino Marques, demitiu-se na sequência de inúmeros incidentes registados na concelhia e na própria candidatura que fragilizam o trabalho no Município. Neste sentido, publicou ontem uma carta com os motivos que levaram à sua demissão.

Erros ortográficos à parte, que poderão compreender-se, parcialmente, pela emotividade natural com que se prepara uma comunicação desta natureza, parece que estamos perante situações denunciadas que justificarão a abertura de um inquérito contra dirigentes, membros e simpatizantes do CDS-PP Almada e que poderão levar, em último caso, se se derem como provados os factos denunciados, à impugnação das listas ou à perda de mandatos eventualmente conquistados no próximo domingo.

Com efeito, entre outras, são denunciadas situações como falsificação de assinaturas entregues em Tribunal para validação das listas candidatas. Não pretendendo fazer condenações precipitadamente, até porque ainda prevalece o princípio da presunção de inocência, as denúncias são tão claras e a exposição do denunciante é tal que não podemos negar a hipótese de as suspeitas serem minimamente credíveis - sendo ainda de sublinhar que o Presidente da JP Almada se deslocou a Tribunal para tentar confirmar a extensão de alegada ilegalidade -, sublinhando-se ainda dois indícios que parecem reforçar a verosimilhança da denúncia:
  • A resposta da concelhia, via Facebook, no mínimo comprometedora, limitando-se a redigir uma breve nota onde diz «Em momento adequado será dada resposta a, mais uma, tentativa oportunisticamente pensada e arquitectada, para destabilização e desacreditação do CDS-PP Almada fundada em mentiras, calúnias, manipulação e descontextualização da verdade» (sic). Se há tempo para esclarecer estes assuntos é agora e não depois dos efeitos que possíveis falsas suspeitas possam produzir em período eleitoral;
  • O facto de apenas ter divulgado alguns nomes candidatos aos órgãos municipais, podendo, eventualmente, estar aqui um caso de encobrimento de situações tratadas à margem da lei.

Seria muito importante que esta questão fosse esclarecida em Tribunal, devendo o Ministério Público abrir inquérito e esclarecer todas as dúvidas relativamente a uma situação que, a confirmar-se, é gravíssima e afecta seriamente a imagem do Partido e, indirectamente, do próprio Município.