Muitos pensam que as primárias norte-americanas já
terminaram e os candidatos resumem-se a Donald J. Trump e Hillary Clinton, mas a
corrida está longe do fim e as eleições de Novembro prometem estar ao rubro:
1- Apesar de Ted Cruz e John Kasich terem suspendido as
respectivas campanhas, não é líquido que Donald Trump siga tranquilamente para
a Convenção republicana em Cleveland, podendo emergir um candidato de última
hora ou um qualquer evento que comprometam a oficialização da candidatura de
Trump.
2- Os acontecimentos no terreno dão cada vez mais força a
Trump: Lindsey Graham e Jeb Bush declararam-se incapazes de votar em Trump,
sendo que não apoios destes só dão credibilidade ao provável candidato
republicano e tendem a afastá-lo da típica imagem republicana de ligação às
classes altas e aos lóbis e à influência dos neocons na política em geral.
3- Os média estão mais macios com Trump e já perceberam que
atacá-lo só lhe dá legitimidade. Ainda assim, os analistas continuam perdidos:
as mesmas razões invocadas há menos de 1 ano atrás para justificar uma derrota
colossal de Trump nas primárias são as mesmas dadas agora para justificar a
derrota de Trump em Novembro com um candidato democrata - apesar de a
popularidade de Trump estar em crescendo.
4- Vale tudo para sacar o voto: Trump publicou uma foto sua
a celebrar o 5 de Mayo enquanto comia um taco e colocava como legenda "I
love hispanics"; Bill Clinton, que se diz vegano, andou no Kentucky a
distribuir frango frito à população negra para fazer campanha pela mulher.
5- #CrookedHillary,
como já é conhecida, suscita cada vez mais desconfiança no eleitorado. São
demasiadas acusações de que é alvo e as suas declarações só adensam dúvidas,
dando muitas vezes o dito pelo não dito e tendo ainda pela frente a
investigação do FBI.
6- Continuam ainda a ser divulgados os números dos
doadores/patrocinadores da campanha de Hillary Clinton: Arábia Saudita, Qatar,
Emirados, etc. E estes favores pagam-se. Por algum motivo Clinton tem mantido
um discurso agressivo contra o Irão. Ou seja, "neocon Hillary", a
republicana com pele de democrata. Não é por acaso que as pessoas acusam-na de
desonestidade e de não ser de confiança. Perante tudo isto, ganha força a
campanha #DropOutHillary.
7- Neste momento, é muito pouco provável que Hillary Clinton
ou Bernie Sanders consigam
eleger delegados suficientes para garantir a sua nomeação no Congresso
democrata de Filadélfia. É-o porque faltam poucos Estados e Clinton precisaria
de eleger quase 700 delegados e Sanders perto de 1.000. Na prática, Hillary,
que segue na frente, precisa eleger 66% do total de delegados disponíveis, o
que significa que Sanders não pode eleger mais do que 34%. A menos que Clinton
consiga uma vitória estrondosa (por números ainda não atingidos nestas
primárias), o facto de os Estados estarem a ser bem disputados adia a decisão
para a Convenção democrata e para os superdelegados.
8- E Sanders está a conseguir levar o jogo para prolongamento, apostando tudo nesta convenção: não deixa Hillary fugir, vai ganhando eleições e, com isso, pretende exercer pressão sobre os superdelegados. A maioria destes apoia Clinton, mas o objectivo de Sanders é recuperar cerca de 3,5 milhões de votos e, com isso, obrigar os superdelegados a mudarem o seu sentido de voto e apoiarem o candidato mais votado pelo povo. Esta é a réstia de esperança de Sanders: contrariar a regra da proporcionalidade e apostar no número de votantes. Se não conseguir recuperar em votos o que não consegue com delegados eleitos, dificilmente evitará a nomeação de Hillary Clinton.
8- E Sanders está a conseguir levar o jogo para prolongamento, apostando tudo nesta convenção: não deixa Hillary fugir, vai ganhando eleições e, com isso, pretende exercer pressão sobre os superdelegados. A maioria destes apoia Clinton, mas o objectivo de Sanders é recuperar cerca de 3,5 milhões de votos e, com isso, obrigar os superdelegados a mudarem o seu sentido de voto e apoiarem o candidato mais votado pelo povo. Esta é a réstia de esperança de Sanders: contrariar a regra da proporcionalidade e apostar no número de votantes. Se não conseguir recuperar em votos o que não consegue com delegados eleitos, dificilmente evitará a nomeação de Hillary Clinton.

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