Não é novidade nenhuma que o festival da Eurovisão é visto
como mais uma arma de arremesso política. Israel é tudo menos um país europeu
mas participa porque o país pode instrumentalizar a Eurovisão para limpar a
imagem crescentemente negativa do país - e os sionistas são exímios em
propaganda através da cultura.
Neste quadro, o alvo a atacar/prejudicar em cada Festival
continua (e promete continuar a ser por algum tempo) a Rússia.
Depois de no ano passado ter ficado em 2.º lugar, após um
sistema de atribuição e contagem de votos muito polémico que terá impedido a
vitória russa que poderia ter repercussões políticas na Europa, agora foram os
acontecimentos de 2016.
Para quem não está a par, a Arménia foi ameaçada comexpulsão porque a cantora que representa o país defraldou a bandeira deNagorno-Karabakh. Mas a Ucrânia aproveita o momento para levar ao festival uma
canção sobre a deportação dos tártaros da Crimeia por Estaline, numa clara
tentativa de provocar a Rússia e trazer a questão política para debate.
Escusado será dizer que a (novamente) favorita Rússia não
ganhou. Quem venceu foi a Ucrânia, sem avisos de expulsão ou sanção. Limpinho,
limpinho, limpinho. E ganha ainda o direito de organizar a edição do próximo
ano, onde as provocações já começaram relativamente à Crimeia. Isto não é mais
do que um brinde para a Ucrânia que tem falhado grosseiramente no seu objectivo
de convencer a União Europeia sobre as suas condições para aderir ao bloco ajudando a restaurar algum orgulho nacional.
Política das cenouras e bastonadas.
Sergei Lazarev, representante russo na Eurovisão, em 2016
No fundo, esta é mais uma tentativa flagrante de a Europa
atacar a Rússia e que até ocorre dias depois de Barack Obama ter organizado um
jantar com os países escandinavos para alertá-los para a "ameaça
russa" - e os tolos caem que nem patinhos, hipnotizados pelo glamour da
Casa Branca.
É praticamente impossível que a Rússia vença a Eurovisão. Não
porque o público não queira, mas porque o sistema está feito para impedir uma
"humilhação" que reconheça o domínio russo até na área da cultura,
por melhores que eles sejam (e são!). No entanto, por mais improvável que seja
uma vitória russa, há que continuar a participar, nem que seja para dizer
"presente!". Protestos são coisa de criança.
Aliás, podemos mesmo recordar-nos que a última vez que a Rússia venceu um festival da Eurovisão foi em 2008, cerca de duas semanas depois de Vladimir Putin ter saído da Presidência e ter sido sucedido por Dmitri Medvedev. Mera coincidência ou tentativa de manifestação de simpatia com o "American Boy"?
Aliás, podemos mesmo recordar-nos que a última vez que a Rússia venceu um festival da Eurovisão foi em 2008, cerca de duas semanas depois de Vladimir Putin ter saído da Presidência e ter sido sucedido por Dmitri Medvedev. Mera coincidência ou tentativa de manifestação de simpatia com o "American Boy"?
Pode parecer tolice ou trivialidade, mas a
instrumentalização da cultura para fins políticos é encarada de forma muito
séria e a Eurovisão, pelo estatuto que adquiriu ao longo das décadas e pelo
objectivo com que foi criada, está na linha da frente desta Europa cada vez mais
desorientada e à deriva.

