Quem disse que a
política de comunicação do Governo não era eficaz?
No entanto, vejamos agora se a mensagem veiculada é verdadeira e adequada ao momento ora vivido.
I - Regressámos mesmo aos mercados?
Para além de todas as considerações publicadas por ATG no post anterior, vemos que:
(i) O "regresso" aos mercados foi uma ilusão já
que esta emissão foi uma operação sindicada e não um verdadeiro leilão no
mercado primário de obrigações;
(ii) Portugal já "regressou" aos mercados em Out.
2012, quando o IGCP fez uma operação de troca de dívida, adiando por dois anos
o pagamento de 3,76 mil milhões de euros;
(iii) a dívida foi adquirida em 24% por Hedge Funds, quando
a emissão de dívida espanhola realizada na 3.ª feira tinha tido uma percentagem
de 4%. De seguida, vemos o dumping no mercado secundário, com as yields
portuguesas a subirem (o que se revela irónico e revelador);
II – Este “Regresso” aos mercados representa uma melhoria substancial da
economia portuguesa?
Este regresso aos mercados, embora tenha aspectos positivos - especialmente se fosse utilizado como móbil para alterar a política económica do governo -,
apenas nos mostra que temos mais capacidade para aceder aos mercados mas, do
ponto de vista económico, temos hoje muito menos capacidade para pagar a dívida.
Se a capacidade de cobrar impostos é o colateral para a emissão de dívida
pública, os dados da execução orçamental evidenciam que contraímos mais dívida
que nos vai custar bastante mais a pagar.
III – Porquê agora?
Porquê este “regresso” aos mercados, porquê agora?
Por questões políticas,
o Governo quis marcar a agenda mediática e lançar esta “grande” notícia, em
conjugação com os resultados provisórios do défice. Num óptimo exercício de
comunicação política, o Governo amortece as previsíveis repercussões do aumento
dos impostos no início do ano e as possíveis declarações de inconstitucionalidade
de alguma(s) norma(s) do OE.
Gaspar, o político (não o técnico) está de parabéns.
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