Há cerca de 1 mês, a Câmara Municipal de Almada decidiu realizar benfeitorias nos prédios camarários sitos na Quinta de Santo António, Laranjeiro. Estas obras tinham em vista a colocação de portas em cada um dos prédios, de modo a tentar limitar o acesso de estranhos e animais aos prédios, atribuir um ar minimamente renovado a prédios já de si antigos e ainda a colocação de novas caixas de correio para os moradores.
Embora de nada valha tentar maquilhar uma cicatriz para tentar disfarçá-la, a iniciativa até poderia ser interessante se se revelasse eficiente. Porém, aquilo que se vê é exactamente o contrário, por três motivos: (i) as caixas de correio continuam no exterior, podendo ser novamente destruídas por quem ali passa; (ii) a qualidade dos materiais utilizados deixa muito a desejar, notando-se que tal iniciativa se trata (mesmo) de uma obra de maquilhagem e não de renovação propriamente dita; (iii) a concepção das benfeitorias foi feita por alguém que pode perceber dos mais diversos temas menos de arquitectura e/ou engenharia.
O que me leva a chegar a esta última conclusão é muito simples. Desde logo:
- A distância entre o último lanço de escadas que dão acesso à entrada dos prédios era de 3 metros e passou a ser agora de 1,80m, limitando o espaço de circulação das pessoas;
- Mais grave e menos inteligente: a porta abre para o lado de dentro, reduzindo o espaço de mobilidade para apenas 40cm;
- Igualmente grave e igualmente pouco inteligente: a porta não abre na sua totalidade até encostar na parede, abrindo antes a apenas um ângulo de 55º e ocupa o espaço de acesso ao lanço de escadas, impedindo que se possa transportar (tanto dar entrada como retirar) um sofá, um frigorífico, uma máquina de lavar-roupa, etc. Pior: um deficiente que faça uso de uma cadeira de rodas tem de ser retirado da mesma, a cadeira tem de ser desfeita e voltar a ser montada já no espaço exterior.
Desconheço quem terá(ão) sido o(s) génio(s) autor(es) de tal projecto, mas certamente perceberão tanto de benfeitorias quanto eu percebo de bolos. Afinal, e para terminar, pergunto à Câmara Municipal de Almada como será se algum dia houver um incêndio num dos prédios ou até mesmo um sismo: as pessoas vão atropelar-se para conseguirem passar por uma fresta de 40cm ou têm de fazer as entradas e saídas à vez? Pior, e de âmbito mais prático, como conseguem os bombeiros fazer o transporte de um doente em maca (ou fora dela) pelas escadas e através do espaço deixado pela porta quando aberta? E se for transporte de urgência? Quem assumirá a responsabilidade por tamanho desastre?


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